Mais uma: iCoach Business congela saques e levanta suspeita de possível golpe baseado em Bitcoin

Em mais um episódio de saques de Bitcoins atrasados no Brasil usuários relatam que a iCoach Business, empresa que oferece serviços que variam desde cursos, palestras, gestão financeira e também disponibiliza um sistema de investimentos, teria começado a atrasar as solicitações de seus clientes, conforme denúncia feita ao Cointelegraph em 22 de novembro.

Segundo a denúncia a empresa não tem autorização da Comissão de Valores Mobiliários, CVM, para atuar no Brasil oferecendo investimentos coletivos, seja em reais ou em criptomoedas. Em contato com a autarquia a CVM confirmou que embora não haja processo administrativo aberto contra a iCoach Business a empresa não tem autorização ou dispensa para atuar oferecendo investimentos.

Em um documento encaminhado a seus clientes a plataforma alega que, por diversos fatores, os saques estão suspensos até 11 de janeiro de 2020 e, portanto, até a data nenhum cliente terá direito de reaver o valor investido e tampo os supostos 'rendimentos' da empresa.

"O PyBank Capital S.A, informa a todos os seus clientes que medidas de contingência, urgentíssimas, precisaram ser adotadas com a única finalidade de resguardar os criptoativos que foram objeto de contrato de locação (...) É momento de caminhar de mãos dadas com a empresa nesse momento, reconhecer o esforço e a perícia dos profissionais que conseguiram evitar a perda total dos recursos, e entender que os pagamentos pendentes não serão realizados porque todos os recursos que ainda estavam com a empresa estão em forte operação e sendo destinado à recuperação do seu capital. Por fim, ressaltamos que o contrato será acrescido do período de suspensão, ampliando, consequentemente, o número de aluguéis a receber, e durante o período inicial de 11 Nov 19 a 11 Jan 20, os profissionais do PyBank Capital S.A envidarão todos os esforços para atingir a recuperação integral dos criptoativos operados, portanto, enquanto durar a suspensão, o botão de saque dos contratos incluídos na quarentena estarão desativados, apesar disso, todos devemos adotar medidas de contingenciamento para que possamos retomar sem nenhum tipo de sequelas", alega a empresa.

Embora no documento apresente diversos casos sobre uma suposta 'crise' no mercado internacional a iCoach Business não deixa claro como estas atividades impactaram a empresa e nem como ela não possuiaum plano para evitar as supostas perdas já que afirma possuir uma equipe 'experiente' neste mercado.

Ainda de acordo com informações divulgadas pela iCoach Business nas redes sociais a Holding que componhe a empresa é composto por um banco digital chamado iCoachFX cujos serviços vão desde o pagamento de boletos até um cartão de débito internacional com bandeira VISA. 

Aos clientes, a iCoach Business oferece uma plataforma de investimento no mercado forex (por meio da PyBank Capital), proibido no Brasil pela CVM. A empresa também alega que possui uma criptomoeda própria lastreada em crédito de carbono, inclusive no whitepaper há uma suposta autorização recebida diretamente das Organizações das Nações Unidas para a comercialização dos créditos.

No entanto, em consulta da ONU, a organização declarou que não há qualquer autorização da órgão multilateral para emissão de criptoativos lastreados em crédito de carbono concedidos pelas Nações Unidas e que tampouco há autorização para qualquer empresa de nome " iCoach Business" para oferecimento de crédito em carbono.

Como noticiou o Cointelegraph, o caso da iCoach Business soma-se a diversos outros no Brasil. Ao longo de 2019 pelo menos 10 empresas passaram a atrasar saque de seus clientes relatando desde ataques hacker a "bitcoins presos" em exchanges no exterior por falta de KYC, entre elas, empresas como Atlas Quantum, Grupo Bitcoin Banco e Unick Forex, ambas que chegaram a afirmar serem as maiores do Brasil e, no caso do GBB, do mundo mas agora nenhuma delas apresenta liquidez para cumprir saques nem de 1 bitcoin.

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