Bastou o Bureau of Labor (BLS), uma unidade do Departamento do Trabalho dos EUA que me as atividades no mercado de trabalho e as mudanças que elas causam nos preços e na economia, divulgar no último dia 12 que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) cedeu em dezembro, quando o acumulado anual foi de 6,5%, para o preço das criptomoedas disparar, já que a informação serve de sinal para as decisões de elevação, ou não, da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central da maior economia global, após a reunião do comitê de política monetária (Fomc).
Ao cointelegraph Brasil, Carlos Lain, CEO da exchange brasileira de criptomoedas, observou que:
“As definições do Fed impactam diretamente o mercado cripto, uma vez que a grande maioria do volume do mercado gira em dólares americanos e principalmente em exchanges com atuação nos EUA, fora que a maior parte dos grandes institucionais no meio cripto também são empresas americanas. Certamente os índices e políticas monetárias americanas afetam diretamente no apetite do mercado cripto. Em 2022, para nós, foi possível notar que, após os anúncios de medidas como aumento do juros ou inflação acima do esperado, diminuía e muito a demanda por criptomoedas por alguns dias, até que o mercado absorvesse esse impacto.”
Por sua vez, Diego Consimo, especialista em criptomoedas e fundador do canal Crypto Investidor, acrescentou:
"Infelizmente o Bitcoin acaba sofrendo influências da macroeconomia e das ações do Fed, pois o mundo gira em torno do dólar e quando a taxa de juros americana começa a subir, acaba ficando mais atraente aos investidores especulativos ir atrás da renda fixa, ou até mesmo dolarizando, a arriscar investir em mercados especulativos como Bitcoin e bolsas. Ainda mais em um período com alta inflação e recessão global, e esse foi um dos motivos de o índice do dólar, o DXY, ter subido tanto em 2022 enquanto bolsas e criptomoedas caíam. Para que o Fed consiga manter sua projeção de teto da taxa de juros em 5,1% em 2023, a inflação americana tem que continuar caindo até as próximas reuniões de fevereiro, março e maio desse ano. Para que assim o Fed possa alterar sua política de aumento da taxa de juros e comece a diminuí-la, fazendo com que os investidores voltem a captar dinheiro mais barato para retornem a investir nos mercados especulativos."
A exemplo do que aconteceu em 2022, as decisões dos EUA deverão ser protagonistas entre os fatores macroeconômicos e geopolíticos que deverão impactar as criptomoedas ao longo do ano. Não por acaso a QLC Capital, uma prestadora de serviços de token de pagamento digital (DPT), publicou um artigo nesta quinta-feira (19) dizendo que o mercado se encontra na onda 4 de Elliott, que representa um intervalo curto de otimismo, porém com menor volume, motivo pelo qual os riscos são maiores. Neste cenário, ressaltou a QLC, o Bitcoin (BTC) poderia chegar a US$ 22 mil com chances menores de entrar em um canal compreendido entre US$ 27,1 mil e US$ 31,8 mil.
A QLC frisou a “subida silenciosa” do mercado de tokens não fungíveis (NFTs) para US$ 13,3 bilhões e acrescentou que o mercado de criptomoedas “ainda está em dívida com o ciclo de liquidez global”. Isso porque, o aperto do Fed foi anulado na virada do ano por causa da liberação de liquidez do Tesouro dos EUA ao esgotar seu saldo de caixa em razão do descumprimento do teto da dívida, situação semelhante ao que ocorreu em 2019 com a liberação de US$ 400 bilhões, o que favoreceu os ativos de risco, como as criptomoedas.
A empresa ainda elencou algumas das principais “datas de risco”, que os investidores de criptomoedas precisam ficar atentos em 2023, predominadas pelos anúncios de CPI e decisões monetárias do Fed, por meio do Fomc. A lista inclui ainda a terceira e possivelmente última mobilização de tropas russas na guerra da Ucrânia, entre fevereiro e março, a atualização Sanghai da rede Ethereum, também prevista para março, e o esgotamento do teto da dívida dos EUA, entre agosto e setembro.
Calendário com alguns eventos de 2023. Fonte: QLC Capital
Ao que parece, os projetos envolvedo aplicativos de criptomoedas não estão preocupados com o futuro e sim otimistas, já que os Apps cripto entraram na “era de ouro” e devem alcançar US$ 400 bilhões em 10 anos, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
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