O brasileiro Daniel Kaminski de Souza, que seria o principal responsável pelas empresas Krypton Unite e Blockchange, acusadas de serem pirâmides financeiras e alvo de uma mega operação da Polícia Civil do Paraná,  realizada no ano passado. continua foragido. Procurado pela Polícia, Kamiski é apontada pela Justiça como responsável pela montagem de uma quadrilha que aplicou um golpe de mais de R$ 1,5 bilhão. 

Por meio das empresas que montou no Paraná, Kaminski usando técnicas de marketing multinível, prometia retornos de até 400%, além de premiações por indicação.Também eram prometidos retornos sobre investimentos de 3 a 4% ao dia. A empresa e tampouco os investigados tinham autorização da Comissão de Valores Mobiliários do BrasilCVM, para realizar operações no mercado de capitais no Brasil e já haveria denúncia contra eles na autarquia.

Em uma recente decisão que autorizou um bloqueio judicial de R$ 27 mil em contas e ativos ligados a Kaminski, publicada em 27 de fevereiro, a justiça declarou que Kaminski é acusado de diversos crimes, todos voltados aplicar o golpe que se revelou bilionário.

"Em virtude de investigação criminal movida pela delegacia de estelionatos de Curitiba/PR, denominada Operação Midas, sob número processual 0028453-81.2019.8.16.0013, sob a acusação de estelionato e outros crimes. Restou concluído pela investigação, que o requerido e seus colaboradores compõem uma verdadeira quadrilha que vale-se de seus agentes para captar e lesionar vítimas, sob o engodo de que fariam lucrativos investimentos. Todavia, toda a atividade não passa de um verdadeiro golpe que, segundo a investigação ultrapassa R$ 1,5 bilhão e vitimou ao menos 4.000 (quatro) mil pessoas" destacou a justiça.

A Polícia Civil teria começado a investigar o suposto golpe quando foi acionada por vítimas da empresa que eram inclusive familiares dos articuladores do golpe. Segundo informações da Civil do Paraná, a investigação já chegou a identificar 500 vítimas dos criminosos, mas a estimativa é que o número possa chegar a cinco mil.

Para desmantelar o golpe e prender Kaminski a Polícia Civil do Paraná realizou em dezembro de 2019 a Operação Midas, que no total cumpriu 62 mandado judicial, além das prisões são 16 pedindo bloqueio de contas bancárias e 24 pedidos para apreensão de veículos de luxo. A operação envolveu cerca de 50 Policiais Civis e apurou que o prejuízo estimado ultrapassa R$ 1,5 bilhão, entre o dinheiro investido pelas vítimas e a promessa de rendimento feita pelos criminosos.

No entanto, apesar da mega opeação, Kaminski ainda continua foragido.

Kaminski, desenvolvedor da ETC

Kamiski seria um early adopter de Bitcoin e também seria um dos principais responsáveis pela proposta que levou a criação da Ethereum Classic (ETC). De Souza inclusive se apresentava nas redes sociais desde 2015 como 'co-fundador' do Ethereum Classic.

"Muitos de vocês sabem que tenho aumentado meus limites nos últimos meses desde o início do Ethereum Classic, quando tínhamos apenas 4 homens. Agora sinto que a comunidade abraçou a causa de maneira tão apaixonada que minha contribuição é reduzida em milhares de membros ativos", declarou em um post de 2015 no Steemit.

Souza seria conhecido como "Profeta Daniel", e teria se aliado a outras pessoas que eram contrárias as propostas do Ethereum quando o hack do DAO aconteceu e, junto com outras quatro pessoas da comunidade teria ajudado no hard fork que então levou ao surgimento do Ethereum Classic.

"Eu estava vendo as notícias fluindo todos os dias sobre isso e acreditava na época que o hard fork do Ethereum era a coisa certa a fazer para recuperar os fundos perdidos dos investidores por um hacker mal. Estudando mais profundamente o assunto, percebi que talvez o hacker não estivesse sendo realmente mau, talvez ele estivesse apenas expondo um problema no sistema implementando seu contrato inteligente", disse na época.

Daniel e o Bitcoin

No entanto apesar de seu envolvimento com o Ethereum Classic, Daniel Kaminski de Souza, teria, assim como praticamente todas as pessoas, iniciado na comunidade de criptomoedas por meio do Bitcoin. Ao tomar conhecimento sobre como o Bitcoin funcionava teria montado um projeto de um minerador de Bitcoin que também funcionava como aquecedor. Segundo o engenheiro o aqueceder chegou a funcionar e há relatos de que teria minerado pelo menos 25 Bitcoins.

Souza também seria um early adopter de Bitcoin e em 2013, teria realizado o primeiro empréstimo de Bitcoin p2p por meio do portal BTCJam.

Na época, Daniel Kaminski de Souza, emprestou a Kerley Palley 11.95 BTC, que seriam usados para financiar a compra de equipamentos de mineração de bitcoin da Bitmine. No entanto Palley não teria pago o empréstimo e Souza acabou recebendo uma espécie de 'seguro' da plataforma no total de 64.74381250 BTC após 91 dias sem pagamento.

Como noticiou o Cointelegraph, Kaminski está foragido da justiça desde 2019.

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