Exclusivo: Criador de golpe bilionário com Bitcoin no Paraná seria desenvolvedor do Ethereum Classic

Daniel Kaminski de Souza, que seria o principal responsável pelas empresas Krypton Unite e Blockchange, acusadas de serem pirâmides financeiras e alvo de uma mega operação da Polícia Civil do Paraná, nesta quinuta-feira, 5 de dezembro, também seria um dos principais responsáveis pela proposta que levou a criação da Ethereum Classic (ETC) segundo levantamento feito pelo Cointelegraph.

De Souza inclusive se apresentava nas redes sociais desde 2015 como 'co-fundador' do Ethereum Classic.

"Muitos de vocês sabem que tenho aumentado meus limites nos últimos meses desde o início do Ethereum Classic, quando tínhamos apenas 4 homens. Agora sinto que a comunidade abraçou a causa de maneira tão apaixonada que minha contribuição é reduzida em milhares de membros ativos", declarou em um post de 2015 no Steemit.

 

Souza seria conhecido como "Profeta Daniel", e teria se aliado a outras pessoas que eram contrárias as propostas do Ethereum quando o hack do DAO aconteceu e, junto com outras quatro pessoas da comunidade teria ajudado no hard fork que então levou ao surgimento do Ethereum Classic.

"Eu estava vendo as notícias fluindo todos os dias sobre isso e acreditava na época que o hard fork do Ethereum era a coisa certa a fazer para recuperar os fundos perdidos dos investidores por um hacker mal. Estudando mais profundamente o assunto, percebi que talvez o hacker não estivesse sendo realmente mau, talvez ele estivesse apenas expondo um problema no sistema implementando seu contrato inteligente", disse na época.

Daniel e o Bitcoin

No entanto apesar de seu envolvimento com o Ethereum Classic, Daniel Kaminski de Souza, teria, assim como praticamente todas as pessoas, iniciado na comunidade de criptomoedas por meio do Bitcoin.

De Souza que é um engenheiro eletrônico de pesquisa e desenvolvimento formado pela Universidade Federal do Paraná teria conhecido o bitcoin em 2013 quando trabalhava como chefe de algoritimos de controle da Eletrolux

Ao tomar conhecimento sobre como o Bitcoin funcionava teria montado um projeto de um minerador de Bitcoin que também funcionava como aquecedor. Segundo o engenheiro o aqueceder chegou a funcionar e há relatos de que teria minerado pelo menos 25 Bitcoins.

Minerador de Bitcoin alimentado por HTPC criado por Souza

Souza também seria um early adopter de Bitcoin e em 2013, teria realizado o primeiro empréstimo de Bitcoin p2p por meio do portal BTCJam.

Na época, Daniel Kaminski de Souza, emprestou a Kerley Palley 11.95 BTC, que seriam usados para financiar a compra de equipamentos de mineração de bitcoin da Bitmine. No entanto Palley não teria pago o empréstimo e Souza acabou recebendo uma espécie de 'seguro' da plataforma no total de 64.74381250 BTC após 91 dias sem pagamento.

O Golpe

Apesar de seu suposto amplo conhecimento sobre Bitcoin e sua atuação no Ethereum Classic, de Souza é acusado de ter aplicado um golpe de mais de R$ 250 milhões por meio de pirâmides financeiras que afirmavam investir em criptomoedas. Segundo um documento obtido pelo Cointelegraph de Souza usava inclusive uma loja de veículos para ocultar os valores arrecadados pela piramide financeira.

Por meio das empresas que montou no Paraná, Kaminski prometia retornos de 3 a 4% ao dia que seriam pagos por meio de supostas operações com criptomoedas. Com o suposto golpe, teria arrecadado pelo menos R$ 80 milhões e movimentado mais de R$ 250 milhões.

O golpe ocorria pelo menos desde 2018 e neste ano teria anunciado ao seus clientes um congelamento de seis meses nos pagamentos, o que motivou a denúncia na Delegacia de Policia.Daniel Kaminski de Souza teve um madado de prisão decretado contra ela mas a Polícia não o encontrou no endereço indicado e atualmente é considerado foragido.

A operação da Policia Civil

A operação da Polícia Civil do Paraná que desmontou o suposto golpe iniciado por de Souza, começou logo pela manhã e foi realizada no Paraná, Amapá, Maranhão, Minas Gerais, São Paulo e Bahia.

No total a operação cumpriu 62 mandado judicial, além das prisões são 16 pedindo bloqueio de contas bancárias e 24 pedidos para apreensão de veículos de luxo. A operação envolveu cerca de 50 Policiais Civis e apurou que o prejuízo estimado ultrapassa R$ 1,5 bilhão, entre o dinheiro investido pelas vítimas e a promessa de rendimento feita pelos criminosos.

Usando técnicas de marketing multinível os investigados prometiam retornos de até 400%, além de premiações por indicação.Também eram prometidos retornos sobre investimentos de 3 a 4% ao dia. A empresa e tampouco os investigados tinham autorização da Comissão de Valores Mobiliários do BrasilCVM, para realizar operações no mercado de capitais no Brasil e já haveria denúncia contra eles na autarquia.

A Polícia Civil teria começado a investigar o suposto golpe quando foi acionada por vítimas da empresa que eram inclusive familiares dos articuladores do golpe. Segundo informações da Civil do Paraná, a investigação já chegou a identificar 500 vítimas dos criminosos, mas a estimativa é que o número possa chegar a cinco mil.

Todos os indiciados devem responder por estelionato, associação criminosa, lavagem de dinheiro e falsificação de documento particular.

Braziliex

A exchange Braziliex teria sido usado por de Souza para compra e venda de criptomoedas e acabou sendo alvo da operação realizada hoje, 05 de dezembro, contudo, segundo o Delegado Emmanoel David da Delegacia de Estelionatos da Polícia Civil do Paraná, responsável pela Operação Midas, a exchange Braziliex não está sendo investigada pela Polícia Civil.

"Realizamos operação em uma empresa de Bitcoin de São Paulo onde grande fluxo de valores monetários para compra de Bitcoin.  A empresa em São Paulo não está sendo investigada mas foi comprado determinados valores que foram mandados para aquela empresa o intuito da Polícia Civil é bloquear qualquer tipo de ativo que eles tenham naquela empresa"

Não houve nenhuma bloqueio judicial em contas da exchange e tampouco as operações foram suspensas. A ação visa buscar documentos que reforcem a apreensão dos golpistas

Em contato com o Cointelegraph a Braziliex respondeu que:

"Agentes da Delegacia de Estelionato de Curitiba estiveram na sede da Braziliex no dia de hoje, 05/12/2019, buscando informações a respeito de fraudadores e pirâmides financeiras.  

Firmando o nosso compromisso com a transparência, esclarecemos que recebemos prontamente os agentes e esta ação em NADA interferiu as operações da empresa. A Braziliex atua com forte política de Compliance e ações para coibir possíveis crimes, portanto,  a documentação solicitada foi prontamente disponibilizada por nossa equipe de Compliance.

Reforçamos que a Braziliex mantém fortes práticas e mecanismos para o combate à lavagem de dinheiro através de criptoativos, seguimos nosso trabalho com procedimentos de KYC, utilizando como base jurídica o direito brasileiro, europeu e orientações de organismos internacionais engajados no combate à lavagem de dinheiro.

Todas as funções de compra, venda, saques e depósitos estão funcionando normalmente na Braziliex. Qualquer dúvida, entre em contato com nossa equipe pelo Chat Online, via ticket em nosso Suporte e redes sociais".

O Documento completo da Policia Civil

O Cointelegraph teve acesso ao documento compelto da Policia Civil que detalha o golpe e a atuação de cada uma dos indiciados. Confira:

Kaminski - Policia Civil - Paraná by Cassio Gusson on Scribd

Como noticiou o Cointelegraph em outro caso de empresa de Bitcoin que lesou clientes no Brasil, a Justiça do Estado de São Paulo determinou a primeira suspensão de um processo aberto por clientes contra o Grupo Bitcoin Banco tendo em vista a Recuperação Judicial aprovada recentemente e que atinge todas as empresas ligadas ao GBB.

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