A perícia realizada pela EXM Partners, administradora judicial do processo de recuperação do Grupo Bitcoin Banco, a pedido da juíza Mariana Gusso da1a. Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba (PR) concluiu que o GBB está em condições de continuar com o processo de Recuperação Judicial, segundo documento compartilhado com o Cointelegraph em 27 de abril.
"Diante de todo o contexto analisado e pontuado, bem como das constatações efetuadas durante a visita in loco, pelos representantes da Administradora Judicial, é possível concluir que as empresas requerentes se encontram em atividade comprovada, com funcionários ativos, condizente com os fins econômicos, sociais e jurídicos do instituto da Recuperação Judicial
(...) esta Administradora Judicial pode concluir que resta verificada a regularidade do procedimento com os requisitos previstos na Lei 11.101/05, não vislumbrando óbices ao deferimento do processamento da presente demanda por este juízo, a fim de que o instituto em comento surta seus efeitos práticos.", conclui a perícia.
A medida aprovada pela juíza visava a “constatação das reais condições de funcionamento das empresas recuperandas e análise da regularidade e da completude da documentação apresentada nos autos pela empresa, não havendo que se falar em viabilidade econômica das recuperandas, mas tão somente em controle de legalidade pelo judiciário”.
Desta forma, a Administradora Judicial permaneceu entre os dias 13 a 16 de abril de 2020 em constante visitação e realização de reuniões com os representantes e colaboradores das empresas do GBB. Estiveram presentes, por parte da EXM, Eduardo Scarpellini, Marcio Marcilio Malaguti e Giovana Zaionc.
A perícia realizada pela empresa constatou que o GBB já possui quase R$ 1 milhão em conta e mais de 500 clientes
"Durante a visita de perícia prévia realizada, conforme já relatado em tópico acima neste relatório, foi possível constatar que de fato existe operação e atividade comprovada do Grupo Bitcoin Banco, que, até a data do presente relatório, recebeu o cadastro de 593 novos clientes na plataforma ZATER, sendo que destes, 154 clientes estão ativos (já efetuaram depósitos e movimentações de Exchange)
Por fim, com base nos extratos bancários e relatórios financeiros da Recuperanda ZATER, entre os dias 18 de fevereiro e 09 de abril de 2020, foi possível identificar a entrada de recursos relacionados à depósito de clientes no montante de R$ 953.890, e, saída de recursos relacionados à resgate de clientes no valor de R$ 676.338. Adicionalmente, estão sendo cobradas taxas de corretagem no percentual 0,5% nas operações de execuções de ordem, de todo volume negociado nas plataformas, e, 1,5% nas operações de resgate.", segundo destacou a EXM.
O Cointelegraph entrou em contato com o GBB para constatar a veracidade do documento. Por meio da Assessoria o Grupo Bitcoin Banco destacou que o documento é verídico e encaminhou a seguinte nota.
"O Grupo Bitcoin Banco informa que a propagação de boatos na internet sobre a suspensão da Recuperação Judicial, por meio de notícias falsas, gerou em alguns processos jurídicos solicitações de bloqueios de valores, os quais obtiveram êxitos nas contas correntes da Zater.
As medidas que foram deferidas por juízes, na sua maioria, não familiarizados com a realidade do processo de recuperação judicial do Grupo, cria na realidade um tumulto de ordem tão somente jurídica, contudo, esses fatos como interferem na operação de saque na plataforma, gerando pequenos atrasos nas solicitações dos clientes atuais.
Esses bloqueios são derrubados, tão logo que as autoridades judiciárias tomam conhecimento, por simples pedido o qual cita a existência e vigência da Recuperação Judicial.
O GBB deseja, a partir deste comunicado, trazer à tona uma questão que por não contribuir para a retomada plena de sua performance operacional, gera somente um transtorno de atendimento das solicitações dos atuais clientes.
O Grupo vem trabalhando em duas linhas paralelas desde o momento da aprovação da RJ. A primeira o cumprimento de todos os protocolos solicitados pela RJ, baseado no maior grau de compliance exigido nestes casos. E a segunda, atuando para o maior grau de eficiência da operação das três plataformas – Negocie Coins, TemBTC e Zater", diz a íntegra da nota.
Embora a perícia tenha sido determinada pela Justiça ela não havia pausado o processo de Recuperação Judicial do Grupo Bitcoin Banco, desta forma, segundo o Plano apresentado, 60% de todos os antigos usuários da NegocieCoins e TemBTC serão pagos em até 90 dias, enquanto os 40% restantes em até 7 anos.
Por conta da Recuperação Judicial, muitos processos e bloqueios judiciais autorizados contra o GBB estão suspensos. Contudo, segundo informações encaminhadas ao Cointelegraph, diversos processos que estão sendo conduzidos pelo Dr. Gabriel Lima, advogado e representante de vários clientes do GBB, não foram suspensos.
"A suspensão decorre do entendimento de cada juiz", destacou ao Cointelegraph.
Em recente entrevista ao Cointelegraph, Claudio Oliveira, controlador do GBB, admitiu que cometeu erros administrativos que ajudaram a levar o Grupo Bitcoin Banco a uma crise que acabou prejudicando milhares de clientes em todo o Brasil.
"Veja bem, o que é que me trouxe de aprendizado isso daí? Olha, eu acho que foi um dos maiores da minha vida. Eu consegui, vamos dizer assim, amadurecer mais no mundo da criptomoeda, conhecer mais a cabeça do meu cliente. Ver bem profundamente qual é a fragilidade desse mercado e aprender com os erros, porque eu também errei, não é? Erros administrativos"
Confira a íntegra do documento
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