A queda de 13% do Bitcoin (BTC) desde as máximas históricas registradas em 17 de dezembro, após acumular ganhos de 115% ao longo do ano, estabelece um paralelo alarmante entre o estágio do mercado de alta atual e o topo do ciclo de 2017.
Naquela ocasião, o preço do Bitcoin atingiu o topo em 17 de dezembro, quando chegou à marca de US$ 19.783, acumulando ganhos anuais de 1.800%.
Na semana seguinte, anterior ao Natal, o preço do Bitcoin caiu 21,3%. Na semana seguinte, a queda se prolongou com perdas adicionais de 6,4%. Em retrospecto, a correção pré-Natal de 2017 marcou o início de um novo ciclo de baixa.
3 sinais de que o mercado de alta pode ter chegado ao fim
Embora poucos analistas mencionem que o mesmo possa ocorrer em 2025, a possibilidade não pode ser inteiramente descartada. Há três indicadores que sugerem que o mercado de alta das criptomoedas de 2023-2024 pode ter chegado ao fim.
Aceleração do ciclo de alta
Os ciclos de quatro anos do Bitcoin, estruturados em torno do halving, tornaram-se referência para prever o desempenho mais amplo do mercado de criptomoedas. No ciclo atual do mercado, dois padrões fundamentais foram quebrados.
Em primeiro lugar, as mínimas de 2022 reduziram o preço do Bitcoin a valores inferiores ao topo do ciclo de alta anterior, algo que até então jamais havia ocorrido.
Poucos dias depois da falência da exchange de criptomoedas FTX, o Bitcoin atingiu o fundo de US$ 15.600 em 9 de novembro, abaixo dos US$ 19.783.
Em outro movimento inesperado, pela primeira vez na história, o Bitcoin rompeu a máxima histórica do ciclo anterior antes do halving, evento em que a emissão de novos BTCs é reduzida pela metade.
Impulsionado pela aprovação dos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos, uma nova máxima histórica foi registrada em 14 de março, 35 dias antes do halving. O acontecimento incomum sinalizou a possível aceleração do atual ciclo de alta.
Historicamente, o Bitcoin leva entre 365 e 550 dias após o halving para atingir uma nova máxima histórica. Com base nesse padrão, o topo do atual ciclo de alta deveria ocorrer entre abril e outubro de 2025. No entanto, é possível que outro padrão histórico do Bitcoin tenha sido quebrado em 2024.
Dominância do Bitcoin
O atual ciclo de alta tem sido marcado pela dominância do Bitcoin. A aprovação dos ETFs de BTC nos EUA facilitou a exposição ao ativo para investidores institucionais e dos mercados tradicionais, contribuindo para o crescimento da participação de mercado do Bitcoin em relação às demais criptomoedas.
Em pouco menos de um ano, os ETFs de Bitcoin acumularam US$ 112 bilhões em ativos sob gestão. A inclusão de Bitcoin nos balanços corporativos de empresas deixou de ser uma exclusividade da MicroStrategy, enquanto a adoção governamental tornou-se tema de debate nos Estados Unidos, Japão, entre outros países, inclusive o Brasil.
Em oposição, o desempenho das principais altcoins foi significativamente inferior ao da maior criptomoeda do mercado.
Segunda maior criptomoeda em capitalização de mercado, o Ethereum (ETH) ainda está a 30% de uma nova máxima histórica. O lançamento dos ETF spot de Ether ainda não desempenhou um impacto significativo sobre o preço do ativo, embora os influxos tenham aumentado após a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA.
Uma das altcoins de melhor desempenho no atual ciclo de alta, a Solana (SOL) registrou uma nova máxima histórica poucos dólares acima de seu recorde de 2021.
Apesar de os analistas estarem insistindo na iminência de uma altseason há algum tempo, a dominância do Bitcoin voltou a subir recentemente. Após atingir um topo acima de 60%, a participação do Bitcoin declinou para 55%, mas voltou a ganhar força nos últimos dias e atualmente é de 57,9%, de acordo com dados da TradingView.
Fim do ciclo de liquidez
A recente correção do mercado de criptomoedas teve início na semana passada após a reunião do Banco Central dos EUA, que sinalizou o ajuste de sua política de redução das taxas de juros.
Mercado diretamente correlacionado com a oferta monetária global M2, as criptomoedas são afetadas pela restrição da liquidez na economia, como observou Charles Edwards, fundador e CEO do fundo de hedge Capriole Investments, na última edição de seu boletim mensal de mercado:
“Há alguns sinais de alerta de médio prazo que precisam ser observados. Se os títulos do Tesouro de 10 anos continuarem a se recuperar até o final do ano, os ativos de risco sofrerão uma pressão significativa. Também devemos ter em mente que a liquidez dos EUA está em uma tendência de baixa substancial agora, e tem estado assim nas últimas semanas. Até o momento, isso não teve importância à luz do efeito Trump em todo o mercado, mas é uma de nossas maiores preocupações no futuro - o risco de aperto excessivo por parte do Fed e do Tesouro por meios monetários e de taxa de juros poderia criar obstáculos substanciais às criptomoedas, se os empregos ou a economia desacelerarem.”
Apesar das incertezas, Edwards deposita suas esperanças na continuação do mercado de alta nas políticas pró-cripto de Donald Trump e sua equipe de governo:
“Há níveis crescentes de incerteza com relação ao Fed, ao DOGE e às tarifas de Trump, nos próximos meses. Portanto, 2025 será um ano para ficar atento, pois haverá muitos fatores potencialmente importantes implantados pelo DOGE e por Trump que poderão impactar positivamente os mercados de forma imprevisível.”
Tom Essaye, fundador da Sevens Report Research, afirmou que os eventos dos últimos ofereceram uma prévia do que se pode esperar em 2025: uma postura hawkish do Fed, turbulência política nos EUA, com o aprofundamento dos embates entre Trump e sua equipe e a oposição democrata, pressão inflacionária e um mercado de trabalho em desaceleração:
“Ao levantar essas questões, não estou afirmando que o mercado vai cair no próximo ano. No entanto, a incerteza em torno dos principais catalisadores desse mercado de alta vai aumentar, como vimos na semana passada, com a redução das expectativas de cortes nas taxas de juros e os obstáculos às políticas pró-crescimento de Trump.”
Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, o Bitcoin deve fechar 2024 em tendência de baixa, abaixo dos US$ 100 mil.