Presidente do Banco Central durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e um dos arquitetos do Plano Real, o economista Gustavo Franco elogiou o Drex por promover um retorno a padrões monetários antigos baseados em moedas lastreadas por ativos fortes.
"A regulação aponta que a moeda digital precisa ter lastro na moeda física, como era antes. O passado do dinheiro ensina muito sobre seu futuro," afirmou Franco durante participação no evento "Finance of Tomorrow", no Rio de Janeiro.
Franco acrescentou que a CBDC (moeda digital de banco central) brasileira pode contribuir para a abertura da economia local, ainda muito fechada segundo ele, favorecendo o crescimento econômico.
Citando o sucesso do Pix, o economista disse que a hiperinflação crônica foi um dos principais catalisadores da inovação financeira no Brasil. Franco até mesmo vislumbrou um futuro em que o Pix poderia ser privatizado:
"O Pix está sob o controle do Banco Central, mas, em algum momento, poderá acrescentar um Brás no nome e ser privatizado."
Ao seu lado no painel, o também ex-ministro da Fazenda do governo FHC, Pedro Malan, ressaltou que os efeitos positivos da implementação do Drex sobre a economia real não serão imediatos.
Malan reconheceu que a redução da distância tecnológica em relação a países mais desenvolvidos foi uma estratégia bem-sucedida para países como França e Alemanha no século 19 e Japão e China no século 20.
No entanto, o ex-ministro ressaltou que a evolução também foi acompanhada por avanços significativos em educação, investimentos em inovação em outros setores da economia e a abertura para o capital externo:
"O motor do crescimento é o desenvolvimento tecnológico. Mas é preciso colocar a qualidade educacional como valor das famílias, a inovação em ciência e tecnologia e a interação com o resto do mundo. É uma tríade que exige trabalho de gerações."
Provável futuro presidente do BC avalia benefícios do Drex
O diretor de Política Monetária do BC, Gabriel Galípolo, que também é o nome mais cotado para substituir Roberto Campos Neto na presidência da instituição, afirmou na terça-feira, 13, durante sua participação no evento, que o Drex poderá contribuir para a redução da taxa de juros ao criar avanços na área de concessão de crédito com garantias.
"A estrutura pensada a partir do Drex pode criar avanços no crédito colateralizado, o que pode reduzir os spreads por meio da redução de percepção de risco por parte de quem empresta os recursos", disse Galípolo.
As transformações aceleradas do ecossistema financeiro devido à digitalização, com a entrada de fintechs e empresas privadas de concessão de crédito para competir com instituições bancárias, a implementação do Pix e agora o Drex fortaleceram a economia brasileira, afirmou Galípolo, mas também introduziram novos desafios.
O diretor do BC sugeriu que tanto as criptomoedas quanto os bets podem estar desviando recursos de setores como o varejo.
Galípolo afirmou também que o principal caso de uso das criptomoedas no Brasil é a dolarização do patrimônio por meio de stablecoins. Segundo o diretor do BC, 90% da demanda por criptomoedas no Brasil está relacionada a moedas digitais pareadas com o dólar.
Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, uma parcela da população brasileira encara os aplicativos de apostas como investimento financeiro. Segundo o Raio X do Investidor Brasileiro da Anbima, 40% dos usuários de aplicativos de apostas online enxergam nos bets uma oportunidade de ganhar dinheiro rapidamente em momentos de aperto financeiro.