Independentemente de serem vistos como jogos de azar ou investimentos financeiros, os aplicativos de apostas online já conquistaram 14% da população brasileira acima de 16 anos, e superam com folga o total de investidores de criptomoedas (4%) e ações (2%), revela a sétima edição do Raio X do Investidor Brasileiro, publicada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em 29 de abril.
Mesmo modalidades de investimento tradicionais como imóveis, fundos de investimento e títulos de capitalização contam com menos adeptos do que os bets, como são popularmente conhecidos os aplicativos de apostas. Apenas a poupança, com 25% de investidores, tem atualmente mais adeptos que os bets na população brasileira.
De acordo com os dados da pesquisa, 22 milhões de brasileiros fizeram ao menos uma aposta on-line em 2023.
A sétima edição do Raio X do Investidor, realizada pela Anbima em parceria com o Datafolha, é a primeira a investigar a adoção de aplicativos de apostas pela população brasileira. A decisão foi tomada com base em uma pesquisa qualitativa intitulada "Como você investe o seu dindim?", que identificou a popularidade dos bets em diferentes classes sociais e regiões do país.
Em novembro de 2023, o Datafolha entrevistou 5.814 pessoas, com 16 anos ou mais, de todas as classes sociais e regiões do Brasil. Segundo o instituto, o nível de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de 1%, para mais ou para menos.
Bets: jogo de azar ou Investimento financeiro?
A metodologia adotada pela pesquisa não inclui as apostas online como um produto financeiro. No entanto, 22% dos usuários de aplicativos de apostas disseram considerar os bets uma modalidade de investimento. Chegam a 40% aqueles que encaram os bets "como uma chance de ganhar dinheiro rapidamente em caso de necessidade," revela a pesquisa.
Fonte: Raio X do Investidor Brasileiro
A principal motivação relatada pelos usuários de aplicativos de apostas online é a possibilidade de ganhar dinheiro rapidamente (40%) e de obter altos retornos sobre o valor despendido (39%).
As apostas on-line têm apelo similar entre aqueles que se dizem investidores (16%) e aqueles que dizem não possuir investimentos financeiros (13%).
Panorama geral dos investimentos no Brasil e o avanço das criptomoedas
Os dados da sétima edição da pesquisa revelam poucas alterações no panorama geral dos investimentos no Brasil. A proporção de brasileiros e brasileiras que declararam ter feito investimentos financeiros em 2023 apresentou uma alta dentro da margem de erro em relação ao ano anterior, crescendo de 36% para 37%.
A expectativa é que em 2024 seja registrado um avanço mais consistente, com o total de investidores chegando a 41% da população. Este cálculo foi feito a partir das respostas sobre a intenção dos entrevistados de investir neste ano.
A variação do percentual de adeptos das diferentes modalidades de investimento manteve-se estável, variando apenas dentro da margem de erro.
A poupança manteve a liderança, apesar da queda de 26% para 25%, de 2022 para 2023. Ocupando o segundo lugar na preferência dos investidores brasileiros, os títulos privados subiram de 4% para 5% na relação ano a ano, enquanto fundos de investimento e imóveis mantiveram a proporção de 4%.
A mesma fatia coube às criptomoedas, com a diferença de que as moedas digitais avançaram de 3% para 4% ao longo do ano passado, revelando que se trata de uma classe de ativos em ascensão. De acordo com a pesquisa, as criptomoedas tem o dobro dos adeptos do mercado de ações, cuja proporção de investidores manteve-se estável em 2023, respondendo por 2% da população total.
Ranking dos produtos financeiros adotados pela população brasileira. Fonte: Raio X do Investidor Brasileiro
Os investidores de criptomoedas estão concentrados nas classes A e B (7%), mas também têm representantes nas classes C (3%), e D e E (1%). Os usuários dos ativos digitais concentram-se nas gerações mais novas – 8% são da Geração Z (17 a 27 anos), 5% são Millennials (28 a 42 anos) e 3% são da Geração X (43-62 anos). O Raio X do Investidor indica que não há adeptos das moedas digitais na geração Baby Boomer (acima de 63 anos).
Os mercados de criptomoedas e de ações são aqueles em que há maior disparidade entre homens e mulheres. No caso do primeiro, os homens representam 6% do total contra 2% de mulheres. No segundo, os homens são 4% enquanto as mulheres, apenas 1%.
O Cointelegraph Brasil repercutiu os dados preliminares da sétima edição do Raio X do Investidor, revelando que o crescimento do interesse por criptomoedas entre a população brasileira reflete uma busca por produtos de investimento mais rentáveis.