Durante o Finance of Tomorrow, realizado no Rio de Janeiro, o diretor de regulação do BC, Otávio Damaso, afirmou que o Banco Central decidiu abraçar a inovação dos ativos digitais, pois o futuro das finanças é a tokenização dos ativos e os reguladores precisam trabalhar juntos com a tecnologia para que o processo de inovação beneficie a todos.
“A inovação, quando você não abre as portas, ela arrebenta e chega de uma forma disruptiva e até negativa. Então, melhor do que ficar brigando contra o processo de inovação, que muitas vezes começa à margem da regulação, é trabalhar em conjunto e trazer isso para dentro do perímetro regulatório. Portanto, melhor do que brigar contra a inovação é trabalhar em conjunto com ela e incorporá-la", disse.
Segundo Damaso, a agenda do Banco Central está voltada para a digitalização da economia e não há como 'voltar atrás'. Essa agenda já começou com outras ações, sendo o PIX a que é atualmente mais usada, seguida pelo Open Finance, que começa a expandir oportunidades mais 'palpáveis' com inovações como a jornada sem redirecionamento.
Estas inovações serão interligadas com o DREX, que será, segundo ele, um grande driver para o ecossistema financeiro nacional.
"O Banco Central tem apostado no Drex justamente por esse motivo: criar um elo robusto entre as finanças centrais e as finanças descentralizada", afirmou.
Drex
Fábio Araújo, coordenador do Drex, afirmou que a CBDC tem potencial para reduzir as taxas de juros ao permitir que a moeda digital seja convertida em títulos públicos, usados como garantia para crédito. Isso reduz o custo dos empréstimos, pois o risco é menor.
Segundo Araújo, "ao garantir com um título público, é como emprestar ao governo, não a uma pessoa desconhecida, o que tende a baixar os juros."
O Drex também vai facilitar o acesso de fintechs ao sistema financeiro, estimulando a concorrência com os bancos tradicionais. Araújo destacou que, no ambiente descentralizado que o Drex cria, se os bancos não adotarem essas operações, startups certamente o farão.
Araújo enfatizou que o Drex não substitui o dinheiro físico ou o Pix e não impacta transações cotidianas. Ele foi projetado para influenciar crédito e serviços financeiros, permitindo que startups acessem o sistema financeiro sem depender dos grandes bancos.
Com a interoperabilidade entre o sistema tradicional e o novo ecossistema digital do Drex, bancos e fintechs poderão escolher operar em um ou ambos os ambientes. A segunda fase do piloto do Drex começa em agosto, incluindo contratos inteligentes geridos pelos consórcios que desenvolvem a CBDC. Novos modelos de negócios serão testados, com a participação de reguladores como a CVM. O BC espera lançar a CBDC oficialmente no final de 2025.