A Comissão de Valores Mobiliários, CVM, aprovou nesta terça-feira, (11) a liberação da compra de BDRs (papéis que acompanham o preço de empresas listadas no exterior) para pequenos investidores.
Antes, este tipo de operação só poderia ser realizado com quem possuía mais de R$ 1 milhão disponíveis para aplicações no mercado financeiro.
Assim, estas operações agora ficam disponíveis para todos os investidores do mercado a partir do dia 1º de setembro.
O mercado financeiro como um todo, viu como positivo a iniciativa da CVM, como é o caso de Fábio Galdino, head de renda variável da Vero Investimentos,
“é importante que o investidor diversifique seu portifólio e acesse a este mercado de BDRs, mas que ele tenha consciência que isso deve ser apenas uma parcela do total da carteira dele e não um investimento somente naquilo”.
BDR's
O arcabouço regulatório brasileiro foi montado ao longo de décadas buscando garantir a segurança do sistema.
No entanto, a busca por tamanha segurança criou grandes barreiras para o surgimento de novos entrantes.
"Felizmente, a revolução proporcionada pela democratização da tecnologia e a vontade dos reguladores de dar mais fluidez ao mercado brasileiro, vem trazendo bons frutos.", destacou Tiago Franco, líder da vertical de Investimentos da Associação Brasileira de Fintechs(ABFintechs) e fundador da Impar Capital
A mais recente movimentação nesse sentido é a publicação pela CVM da Resolução 3.
"Esta resolução vem em resposta a audiência pública 08/2019, na qual a ABFintechs se manifestou a favor da maior liberdade na emissão e negociação da BDRs.Quanto maior a abertura da economia, maior é a possibilidade de inovação. Assim, esse movimento dos reguladores dá um ânimo a mais para a comunidade de empreendedores que aposta na solução de problemas reais dos clientes. Mostrando que a vez agora é do cliente e não do “sistema”", reforçou Thiago.
Investidores
Já para Cassio Bariani, CEO da fintech SmartBrain, plataforma de controle e consolidação de investimentos, a nova regra dos BDRs é super importante e positiva para os investidores e para o mercado.
"Agora, os pequenos investidores terão mais alternativas para poderem diversificar suas carteiras. Teoricamente, não fazia sentido limitar os BDRs aos qualificados por critério de patrimônio investido. O que é importante, de fato, é o conhecimento que cada investidor possui sobre o seu perfil de risco e sobre as características e a dinâmica deste tipo de ativo", declarou.
Ainda segundo ele, a nova regra também favorece o desenvolvimento do nosso mercado de capitais, pois os investidores poderão investir em BDRs de empresas brasileiras que abriram capital no exterior, como foi o caso da XP Inc e da Stone.
Além disso empresas de Bitcoin que estão nas bolsas estrangeiras também poderão ter seus papeis negociados aqui.
"Sendo que há uma tendência de que outras companhias venham a fazer IPO lá fora, em um movimento de internacionalização. Assim, os investidores poderão acessar essas ações por meio dos BDRs na B3", concluiu.
B3
Com a decisão da CVM, a bolsa de valores brasileira, B3, poderá ofertar ações da Apple através de BDRs.
Embora a ação de empresas internacionais não sejam disponibilizadas diretamente pela bolsa brasileira, o certificado possui lastro na ação, representando uma forma de negociação alternativa para o título.
Além de oferecer a negociação de empresas estrangeiras, os BRDs permitirão também a oferta de ações de empresas que possuem capital aberto em bolsas de outros países.
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