O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou um bloqueio judicial em cerca de 18 imóveis que pertenceriam aos operadores de uma suposta pirâmide financeira de Bitcoin que atuaria em todo o Brasil a partir da cidade de Elói Mendes, Minas Gerais. Os imóveis serão bloqueados para pagar um investidor da empresa que não conseguir sacar seus rendimentos e acionou a justiça contra a empresa.
A Coinder Trade Consultoria seria comandada por Anderson Mendes Alves e prometia rendimentos diários garantidos por meio de supostos investimentos em Bitcoin, contudo, assim como em diversos outros casos no Brasil, após um período de tempo a empresa, alegando diversos problemas, deixa de pagar os supostos rendimentos e impossibilita os investidores de acessarem seus recursos,
No caso os investidores relatam que aportaram 3 bitcoins, que à época tinham o valor total de R$ 39.753,57, e posteriormente aportaram 1,1208275 bitcoins, com o valor de R$ 16.262,00, "sendo-lhes fornecida planilha mensal de rentabilidade, que apontou em 30.09.2019, rentabilidade de 11,97353827".
Na ação, os investidores alegam que solicitaram o resgate do valor referente a seis bitcoins e que "nunca foi providenciado, passando Anderson a apresentar respostas evasivas, gerando insegurança nos investidores"
"Afirmam que iniciaram investigações e constataram que diversas pessoas foram vítimas de golpes praticados pelos réus, especialmente da cidade de Elói Mendes, MG, conforme verificado em ações no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Afirmam que os requeridos estão dilapidando os seus patrimônios e relatam as transações envolvendo os réus Anderson Mendes Alves, Adelio Bernardes Bueno, João Carlos Souza, Marina Mendes Alves, Tania Araponga de Oliveira, Helerson Fabiano Scotini, Surama Mendes Alves Scotini", diz a ação.
Desta forma, temendo que o patrimônio seja dilapidado e suspeitando que os operadores do suposto esquema usaram o investimento de seus clientes para comprar bens em benefício próprio a justiça determinou o bloqueio de diversos imóveis pertencentes aos réus.
"Determinar, o bloqueio da matrícula dos seguintes imóveis, junto ao Oficial do Registro de Imóveis de Elói Mendes, MG: -Matrícula n.º 8.806 Elói Mendes/MG; - Matrícula n.º 12.318 Elói Mendes/MG; - Matrícula n.º 12.319 Elói Mendes/MG; - Matrícula n.º 16.141 Elói Mendes/MG; - Matrícula n.º 16.142 Elói Mendes/MG; - Matrícula n.º 17.632 Elói Mendes/MG; - Matrícula: 5.408 Elói Mendes/MG; - Matrícula: 12.672 Elói Mendes/MG; - Matrícula: 18.036 Elói Mendes/MG; - Matrícula: 18.037 Elói Mendes/ MG; - Matrícula: 18.057 Elói Mendes/MG; - Matrícula: 5.277 Elói Mendes/MG; - Matrícula: 5.408 Elói Mendes/MG; - Matrícula: 5.645 Elói Mendes/MG; - Matrícula: 3.526 Elói Mendes/MG; - Matrícula: 4.140 Elói Mendes/MG; - Matrícula: 7.548 Elói Mendes/ MG; - Matrícula: 8.318 Elói Mendes/MG"
Além do bloqueio dos imóveis a justiça também determinou a busca por valores, via Bacenjud, em contas bancárias dos réus.
O ano de 2019 foi recordista no surgimento de empresas, acusadas de golpe, que promoviam investimentos em bitcoin. Segundo reportou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mais de 500 denúncias chegara a autarquia sobre empresas acusadas de práticas fraudulentas.
Além disso, no ano passado, um dos maiores supostos golpes da história das criptomoedas do Brasil, a Unick Forex, foi fechada pela Polícia Federal. A empresa teria lesado milhares de clientes em todo o Brasil e movimentado mais de R$ 18 bilhões e teria uma dívida com seus usuários de até R$ 1 bilhão.
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