Clientes relatam atraso em saques na Genbit, empresa ligada a Zero10, que está proibida pela CVM

Atualização: este texto foi alterado às 17h30 para inclusão de resposta da empresa citada na reportagem

Clientes da Genbit estão usando as redes sociais para relatar atraso nos saques da plataforma, conforme levantamento feito hoje, 18 de outubro, pelo Cointelegraph. A Genbit teria assumido as operações da Zero10, que por sua vez teve uma oferta de investimentos em Bitcoin proibida pela Comissão de Valores Mobiliários do Brasil (CVM).

"Comecei a investir na Empresa Genbit/ Treepart em 05/2019, com 02 pacotes de vantagem, no qual você escolhia o valor a comprar (no caso R$ 26.250,00 cada) e a empresa usava seu dinheiro para fazer arbitragem de ativos digitais (compra e venda de Bitcoin) e pagava mensalmente a título de aluguel 15% sobre estes valor aplicados. Acontece que em meados de agosto a empresa lançou uma nova moeda própria (treeptoken) e começou agora a querer pagar nesta moeda sem minha aprovação, moeda esta que não tenho como transformar em dinheiro e o pagamento mesmo que faziam em BTC desde o começo para transformar em Real desapareceu. A partir do mês de Agosto de 2019 começaram a fazer reprogramações nas datas de pagamentos e não honraram mais as datas e nem os valores conforme regia em contrato, ficando eu no prejuízo, pois adquiri dívidas/parcelas contando com estes valores mensais", declarou um cliente de São José do Rio Preto.

Outro cliente de Londrina, também reclamou da empresa alegando que já teve dois pedidos de saques em Bitcoins 'estornados'. O mesmo caso foi relatado por um cliente de Jundiaí, interior de São Paulo e uma das principais 'bases' da Genbit que iniciou atividades em Campinas.

"Efetuei a solicitação de cancelamento e estorno de valores do programa de vantagens e consequentemente da Genbit (...) Porém, não foi me informado detalhes sobre o cancelamento, prazos para recebimento de valores e nada mais. Efetuei a aquisição de um pacote no programa de vantagens da Genbit - Empresa vinculada à holding Tree part. O pacote em questão, me garantiria um rendimento mensal de 15% de retorno em cima do valor investido em um prazo de 36 meses. Acontece que este é o segundo mês que o pagamento está em atraso e também, a empresa fez uma manobra de troca dos produtos adquiridos contratualmente (bitcoin) por um ativo digital (TPK), sem prévia consulta dos investidores e tão pouco a possibilidade de desistência do plano, caso o investidor não tivesse interesse em acompanhar essa "manobra". Por meio de audios de pessoas que participaram de conferências, foi divulgado que a empresa passa por problemas de caixa devido essa compra do ativo em questão e estão até pedindo ajuda para os "lideres"", segundo relato.

Como mostram os relatos dos clientes, a Genbit prometia rentabilidade de até 15% sobre valores aplicados na plataforma, no entanto, a empresa não tem autorização da Comissão de Valores Mobiliários do Brasil (CVM) para ofertar investimentos. Inclusive a empresa já teria sido impedida de operar pela autarquia que emitiu um comunicado contra a empresa.

"Assim, considerando a continuidade da oferta irregular, a SRE comunica hoje, 17/6/2019, a aplicação de multa cominatória diária de R$ 5.000,00, prevista no inciso II da Deliberação CVM 813, pelo prazo de 60 dias, em virtude do disposto no art. 14 da Instrução CVM 452, aos citados na deliberação, Gensa Serviços Digitais S/A (novo nome empresarial da Zero10 Club, que também utiliza o nome de fantasia GENBIT) e Gabriel Tomaz Barbosa, totalizando multa de R$ 300.000,00 para cada um, sem prejuízo da apuração de responsabilidade pelas infrações já cometidas." alertou a CVM em julho deste ano.

O lançamento de uma suposta criptomoeda própria é uma tática que já foi usada por pirâmides financeiras para camuflar a falta de liquidez de suas operações. No passado a Minerworld adotou esta técnica assim como outras empresas, sendo o caso mais recente da Plustoken, golpe que ocorreu na China e chegou a arrecadar mais de 91 mil Bitcoins.

A Genbit, como destaca a CVM, é ligada a Zero10, acusada de ser uma pirâmide financeira e de oferecer oferta de rendimentos por meio do mercado Forex, proibido no Brasil. A Zero10 teve dois alertas para cessar suas atividades emitidos pela CVM e, no segundo alerta, declarou que teria encerrado suas atividades. Contudo, segundo relatos dos próprios clientes, as operações passaram a serem realizadas pela Genbit.

Recentemente, sobre o atraso nos saques, a assessoria de imprensa da Genbit declarou:

"Não há atrasos nos pagamentos nem restrições de saques pela Genbit. A empresa adotou um novo programa de saques, para garantir que todos os clientes, independentemente do porte de suas aplicações, tenham tratamento equânime. A medida foi tomada de maneira transparente, com avisos a todos os clientes", disse.

Após a publicação da matéria, a empresa entrou em contato com a reportagem e enviou a seguinte nota: 

“É preciso esclarecer que, ao contrário do que informa a reportagem, a Zero.10 não é a mesma empresa que a Tree Part ou Genbit. A Zero.10 era uma plataforma criada para assessorar pessoas interessadas em adquirir ativos digitais. Voluntariamente, ela teve as atividades suspensas em respeito à CVM, apesar de não estar legalmente vinculada à Comissão de Valores Mobiliárias. A Zero.10 nada tem a ver com o programa de vantagens mantido pela Tree Part. Também é incorreto dizer que há taxas de 15% cobradas sobre saques.”

Como noticiou o Cointelegraph, a operação Lamanai da Polícia Federal, prendeu os líderes da Unick Forex, também acusada de ser uma pirâmide financeira. Além de Leidimar Lopes e Danter Silva outras 8 pessoas foram presas. A operação que contou com 200 agentes da PF cumpriu cerca de 65 mandados judiciais e teria apreendido 1500 Bitcoins.