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Caio Jobim
Escrito por Caio Jobim,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Banco Central pretende impor segregação patrimonial em próxima etapa da regulação das criptomoedas no Brasil

Projeto de lei 4401/2021 aprovado esta semana não prevê a separação entre os ativos das empresas do setor e os fundos dos clientes como deseja o BC.

Banco Central pretende impor segregação patrimonial em próxima etapa da regulação das criptomoedas no Brasil
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Antes mesmo da sanção presidencial que vai validar o projeto de lei que estabelece regras principiológicas para funcionamento do mercado de criptomoedas no Brasil, o Banco Central se mobiliza para preencher as lacunas deixadas pela proposta aprovada na Câmara dos Deputados na última terça-feira, 29.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, deseja criar regras mais firmes para as exchanges e plataformas de negociação em operação no Brasil e a segregação patrimonial é um ponto tratado como inegociável, segundo reportagem publicada pela Folha de São Paulo na quinta-feira, 1º de dezembro.

Na prática, Campos Neto gostaria que a proposta aprovada determinasse regras claras para a operação de exchanges de criptomoedas no mercado nacional nos mesmos moldes daquelas que as corretoras do mercado financeiro tradicional são obrigadas a respeitar.

Outro ponto intocado pelo PL 4401/2021 bastante sensível ao presidente do BC, além de uma maior proteção aos investidores, diz respeito à mitigação dos riscos de fraudes e de lavagem de dinheiro.

A regra que determina a separação entre os ativos das empresas e os fundos dos clientes foi tema de debate entre os deputados e as entidades do setor até as vésperas da votação no plenário da Câmara. A segregação patrimonial é uma garantia de que os investidores possam reaver os fundos mantidos sob custódia das empresas em caso de falência ou processos judiciais.

O recente colapso da FTX, que também causou prejuízos aos clientes brasileiros da exchange, evidenciou que a ausência de mecanismos de proteção aos investidores eleva ainda mais os riscos de um mercado que por si só já é extremamente volátil.

No caso da exchange global agora falida, os fundos dos usuários foram utilizados para cobrir dívidas em aberto da Alameda Research, fundo de hedge e de trading de criptomoedas – ambos de propriedade de Sam Bankman-Fried.

Sem consenso na Câmara, caberá ao BC instituir a segregação patrimonial

No entanto, o artigo que determinava a segregação patrimonial teve que ser retirado do texto final para viabilizar a aprovação do projeto de lei, uma vez que, de acordo com o relator, o deputado Expedito Netto (PSD-RO), não houve consenso do plenário em torno do assunto.

Segundo levantou a reportagem, pessoas envolvidas na tramitação do projeto afirmam que a influência de entidades do setor dificultou a votação do projeto. Diante de tal situação, o BC preferiu garantir a aprovação de "qualquer projeto" a ficar sem "nenhum projeto". Agora, caberá aos órgãos de regulação financeira fazer o ajuste fino das leis que vão reger o mercado.

Outros projetos de regulação do sistema financeiro, como o marco legal de câmbio, passaram por processos semelhantes no passado. Primeiramente, o Congresso aprovou um projeto de caráter principiológico e posteriormente regras específicas foram definidas pelos órgãos competentes.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também está mobilizada para atuar ativamente na regulação do mercado de criptoativos no Brasil desde que o novo presidente do órgão, João Pedro Nascimento, assumiu em julho deste ano.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil, a CVM quer assumir a responsabilidade pela regulação das criptomoedas que se enquadram na categoria de valores mobiliários.

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