Apesar de ofertar produtos de bancos tradicionais, como cartões de crédito e débito, o “abraço aos desbancarizados”, uma população em torno de 20 milhões de pessoas somente no Brasil à margem do sistema bancário tradicional, foi a principal receita encontrada pelo Nubank para alcançar US$ 35 bilhões em valor de mercado após 10 anos de fundação.
Esse foi um dos pontos destacados pelo CEO e cofundador da fintech brasileira David Vélez em entrevista à jornalista Mary Ann no podcast TechCrunch nesta quarta-feira (28), quando o empresário também salientou alguns pontos que sugerem maior refração ao desenvolvimento das finanças digitais no EUA.
I interviewed @velez_david, co-founder and CEO of @nubank, a $35B digital bank based out of Brazil. It was a great conversation! Listen in here 👇https://t.co/Fuk6QpefKe
— Mary Ann Azevedo (@bayareawriter) June 28, 2023
“Começamos pelo Brasil, México e Colômbia, países onde operamos. Havia mais oportunidade de competição com os bancos tradicionais, percebemos que havia muita receita concentrada em cinco ou seis bancos, na ordem de 80% a 90% do mercado. Quando olhamos o acesso, vimos muitas pessoas abandonadas, muitos jovens […] e outras pagando altas taxas”, comentou.
O colombiano, que acumula passagem pelas operações latino-americanas da empresa de capital de risco Sequoia Capital, revelou que enxergou nos “excluídos” uma mola propulsora para a criação de um banco digital, “com uso de canais digitais, para tirarmos vantagem da eficiência, sem passar tarifação para os clientes, e melhores experiências”, porque, segundo ele, “o cartão de crédito não pode crescer infinitamente, porque crédito tem um risco muito alto.”
Em uma comparação feita entre formas de pagamento nos EUA e no Brasil, o empresário observou que as transações digitais substituem as liquidações em dinheiro em espécie no país da América Latina, fenômeno que também é forte na China e na Índia.
“Nos EUA há muita penetração dos cartões de crédito e débito, mais que pagamentos digitais, em comparação com China, Índia e Brasil, cujas economias giravam mais em função do dinheiro, que não estão mais usando cartões [...] mas que coloca centenas de milhares de pessoas fora do sistema e guardando dinheiro através de outros métodos […] Se hoje você der um cheque de papel para uma pessoa, ela vai rir de você e perguntar o que é isso, a nova geração não sabe o que é isso.”
Ele ainda frisou que, na América Latina, é importante a relação de confiança com os clientes, além de parcerias com varejistas e prestadores de serviços locais.
“Para abarcar os clientes não é simplesmente oferecer uma carteira digital, nós temos que nos abrir para o espaço bancário, nós não podemos tentar ser um banco sem sermos um banco, precisamos de licença, integração, regulação com o Banco Central […] A população [desbancarizada] não irá ser subserviente a você se ela não quiser, às vezes são pessoas sem histórico de crédito, que começam com pequenas quantias, por exemplo US$ 10 nos primeiros 30 dias, depois sobe para US$ 100, depois para US$ 500”, explicou.
Ao ser indagado em relação a certo desconforto quando o assunto é inovação em finanças digitais e levantamento de capital em projetos dessa natureza nos EUA, o CEO do Nubank salientou o aporte da Sequoia e outros players e lembrou que, nos próximos anos, “as empresas de tecnologia, em todos os segmentos, serão as maiores prestadoras de serviço no mundo.”
Em caminho parecido, o Banco Inter ingressou recentemente com um pedido de registro de um App de criptomoedas, além de anunciar o início de testes de uma blockchain em operações de clientes e entre bancos, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
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