A SMU Investimentos, plataforma de crowdfunding de aportes em startups, lançou recentemente R$ 1,085 milhão em tokens de R$ 10 referentes à captação da SuperOpa, uma startup focada na redução do desperdício de alimentos. Os detentores dos tokens da nota comercial terão rendimentos mensais de 2,2%, o que totaliza 42,28% após o prazo de liquidação da dívida, 24 meses.
De acordo com a SMU, que faz parte de um sandbox regulatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o ticket mínimo de investimento é de R$ 3 mil e o objetivo da captação é o aumento do fluxo de caixa operacional, que consiste na atividade de comercialização de produtos via marketplace.
Em relação às garantias, a SMU informou que a operação conta com o aval de dois sócios e um cash colateral de R$ 190 mil para o custeio da primeira parcela, que ficarão em uma conta escrow até o próximo pagamento, de maneira constante até o último pagamento.
A captação através dos tokens é complementar a um aporte de série A de R$ 3 milhões captados juntos aos sócios atuais e tem como principal objetivo o impulsionamento das parcerias B2B (entre empresas) da SuperOpa.
Uma dessas iniciativas é o projeto “Pra Valer”, em parceria com a Nestlé, em que os produtos FIFO (primeiro a entrar, primeiro a sair na sigla em inglês) são direcionados para Opa comercializar em um caminhão itinerante nas comunidades de São Paulo.
A SuperOpa acrescentou que se encontra em fase final da celebração de uma parceria com a Amazon. Em outra frente, a NaturalOne direcionou mais de 80.000 unidades de sucos de exportação para serem realocados no Brasil através da SuperOpa, operação que fez a margem bruta saltar de 20% para 50% em dezembro.
Tokenização em pagamentos
Na avaliação de Victor Papi, diretor da fintech de infraestrutura em pagamentos Tranfeera, a tokenização também ganha espaço no mercado financeiro porque substitui dados sensíveis por identificadores únicos, o tokens, que não possuem valor intrínseco e são gerados aleatoriamente. Criptoativos que podem ser utilizados em transações financeiras, mantendo a segurança das informações confidenciais.
O especialista cita um estudo da McKinsey & Company estimando os ativos financeiros tokenizados com US$ 2 trilhões em volume de mercado até 2030 e lembra que, ao realizar uma compra online, por exemplo, os dados do cartão de crédito do cliente podem ser convertidos em um token, que é então utilizado para processar a transação e é inútil para qualquer outra pessoa, já que a única entidade capaz de convertê-lo de volta para os dados originais é o provedor de pagamento autorizado. O que reduz drasticamente o risco de fraudes e vazamento de informações sensíveis, aumentando a confiança dos consumidores e a segurança das transações.
Victor Papi acredita que a tokenização continue a evoluir e expandir suas aplicações nos próximos anos.
“A crescente digitalização dos serviços financeiros e o aumento da conscientização sobre a importância da segurança de dados são fatores que impulsionam essa tendência. Com o avanço da Internet das Coisas (IoT) e a popularização de dispositivos conectados, a tokenização poderá ser crucial para garantir a segurança das transações em um ambiente cada vez mais interconectado”, argumenta.
Por outro lado, o especialista ressalta os desafios que acompanham essa tecnologia, já que a complexidade da implementação da tokenização em sistemas legados pode ser uma barreira para algumas organizações. Além disso, a tokenização exige uma infraestrutura robusta e protocolos de segurança avançados para garantir que os tokens não possam ser revertidos para os dados originais por agentes mal-intencionados.
Apesar desses desafios, o representante da Transfeera acredita que a tokenização se mostra promissora como um meio de pagamento seguro e eficiente.
“Sua capacidade de proteger informações sensíveis sem comprometer a usabilidade torna-a uma solução atrativa tanto para consumidores quanto para empresas. Com a crescente adoção e desenvolvimento de tecnologias de suporte, espera-se que a tokenização se torne uma parte integral do futuro dos pagamentos digitais”, finaliza.
Outra frente do avanço da tokenização no país é o do mercado imobiliário, que contou recentemente com um parece favorável em uma proposta emenda à Constituição (PEC) que prevê a autonomia financeira e orçamentária do Banco Central (BC). Iniciativa que pode colocar a tokenização imobiliária no ecossistema do Drex, a versão brasileira de moeda digital emitida por banco central (CBDC), conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.