A startup Munchies, um aplicatico descentralizado fundado por brasileiros e focada nos investidores nacionais de criptomoedas, anunciou para a próxima segunda-feira (28) o lançamento da plataforma no país, a Munchies Money. A projeção inicial é que a plataforma atinja um volume total de utilização R$ 250 milhões em seu primeiro ano de operação no Brasil.
Segundo a Munchies, a proposta é agilizar e simplificar em até 25 vezes o acesso dos investidores às finanças descentralizadas (DeFi), desde a conexão das carteiras digitais ao Pix, para conversão do real em criptomoedas, até a chegada aos protocolos descentralizados. O que deve representar uma redução de uma hora para três minutos, além da diminuição dos custos das taxas na rede Ethereum (ETH), para US$ 0,30 de acordo com a empresa. 
O cofundador da Munchies Thiago Arnese informou que o protocolo está conectado diretamente com empresas brasileiras de serviços de gateway, que convertem o real por meio de Pix em criptomoedas. 
O serviço, acrescentou o empresário, acontece diretamente na wallet conectada do usuário, e a custódia dos criptoativos não fica com a Munchies em momento nenhum. O que é feito pela conexão das carteiras, preenchimento de dados cadastrais, definição do valor da conversão em real e leitura de QR code para envio do Pix e recebimento de criptomoedas na wallet.
“Hoje, o processo é complexo e envolve múltiplas corretoras e taxas altas. Com a Munchies, os usuários podem trocar Pix por stablecoin de dólar de forma econômica, fazer staking para ganhar recompensas e fornecer liquidez em diversas criptomoedas para obter mais benefícios – tudo em um único lugar. Também acreditamos que a regulamentação é essencial para trazer clareza e proteção aos usuários. Estamos em estreita colaboração com entidades reguladoras e grandes escritórios de advocacia, buscando estabelecer regras claras para o setor", declarou.

Compreendendo o protocolo 

Thiago Arnese acrescentou que a ideia de facilitação de acesso a DeFi está calcada na automatização de estratégias complexas e conexão a serviços financeiros tradicionais, como o PIX. O que é feito por meio dos cofres da Munchies, que funcionam em cima do padrão de vault ERC-4625, um conjunto de regras e interfaces para criar contratos inteligentes que permitem o armazenamento seguro de ativos digitais. 
Ele disse ainda que esses contratos inteligentes são executados na blockchain e permitem ao usuário controlar seus criptoativos sem precisar confiar a terceiros, uma maneira segura de guardar criptomoedas e executar códigos na blockchain mantendo a custódia dos tokens com o próprio usuário.
O cofundador da startup salientou que, no caso do protocolo da Munchies, esses cofres servem para executar um conjunto de ações pré-definidas e imutáveis na blockchain, como conectar a outros protocolos de DeFi, como a Lido Finance, mantendo a autocustódia dos investidores sobre suas criptomoedas. Caso do cofre Lido Staking da Munchies, o “Pizza”, que é uma opção fácil para quem deseja fazer parte do processo de staking da rede Ethereum e participar das distribuições de recompensas geradas.
Outros exemplos elencados por ele são o “Burguer”; cofre vinculado ao protocolo Overnight, emissor do tokensUSD+, que agrega recompensas ancoradas na stablecoin USDC, lastreado 100% em ativos DeFi e considerado o equivalente DeFi de um provedor de liquidez (Market Maker), com uma carteira altamente conservadora e líquida, além de “simplificar o gerenciamento de criptoativos em protocolos como SushiSwap e Uniswap”; e o cofre GLP da Munchies, o “Brigadeiro”, relacionado ao token de recompensas aos provedores de liquidez da exchange descentralizada (DEX) GMX. 
Ele também citou os cofres da categoria Aggregator, relacionados aos ‘yield aggregators’, que são uma das principais inovações em DeFi, permitindo que o usuário maximize seus ganhos sem precisar se preocupar com a complexidade de gerenciar várias posições em diferentes plataformas. Segundo Arnese, os cofres da categoria Aggregator conectam a protocolos que têm por finalidade automatizar estratégias de maximizar a recompensa por prover liquidez para diversas aplicações DeFi.

Captação e fundadores

Sem revelar valores, a Munchies relatou que recebeu um investimento em uma rodada pre-seed liderada pela Canary, juntamente a investidores renomados, como Latitud, Koyamaki e mais de 10 anjos, incluindo sócios da Coinbase. A captação, segundo a empresa, “permitiu à Munchies expandir sua equipe, crescer sua comunidade e investir em regulamentação e conformidade, buscando se tornar o App descentralizado mais acessível e confiável para a integração entre blockchain e finanças tradicionais.”
A equipe fundadora da Munchies é composta por Thiago Arnese, um dos primeiros funcionários da Pagar.me/Stone. Ele também fundou a Hash, uma solução de infraestrutura de pagamento que captou mais de US$ 48 milhões em rodadas de investimento. Antes de se juntar à Munchies, Arnese atuou na construção de protocolos DeFi na Cloudwalk/Infinitepay, incluindo o primeiro empréstimo DeFi do Brasil e uma Stablecoin brasileira (BRLC), com um volume de mais de R$ 100 milhões e 2 milhões de usuários.
Outro cofundador, Chris Enytc também trabalhou na Pagar.me a partir de 2015 e mais tarde se juntou a Arnese como CTO da Hash. Já Rafael Oli, outro membro da equipe fundadora da Munchies, possui mais de 17 anos de experiência em comunicação e design de produtos. Ele trabalhou em publicidade antes de ingressar nas equipes fundadoras da Pagar.me e da Hash, onde atuou por seis anos. Oli   ainda desempenhou o papel de Head de Design de Produtos na Wildlife Studios, construindo jogos mobile, e antes da Munchies foi  diretor de design na UNICO.
Na última quinta-feira (24), os desenvolvedores por trás das redes Base e Optimism anunciaram conjuntamente um acordo de compartilhamento de receitas e governança, conforme noticiou o Cointelegraph.