Clientes da BlueBenx, uma plataforma brasileira de compra, venda e custódia de criptomoedas investigada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), relatam que a empresa suspendeu os serviços de resgate, saque, depósito e transferência de fundos por um período inicial de 180 dias, sob a justificativa de que teria sofrido um ataque cibernético.

Na manhã desta sexta-feira, um usuário anônimo deu a seguinte declaração em tom de desabafo e desalento no Reclame Aqui:

"Sou cliente desta empresa praticamente desde quando ela inaugurou. Sempre confiando o meu dinheiro e a minha confiança na Bluebenx, pensando em um futuro e aposentadoria melhor. Acontece que acabei de receber um e-mail informando que todas as contas dos clientes estariam suspensas por pelo menos 180 dias, devido a um ataque cibernético. Que explicação foi esta ? Não poderei fazer nenhum resgate neste período ? Cadê a ética e transparência da empresa,que sempre nos foi passado ? Cadê o presidente Roberto de Jesus Cardassi para nos esclarecer sobre o que está acontecendo ? Realmente estou amedrontado com esta situação!"

Assim como muitos outros relatos abertas ao longo das últimas 24 horas, a reclamação permanecia sem resposta dos representantes da empresa até o fechamento deste texto. 

Diversos clientes da Bluebenx disseram ter sido surpreendidos por um comunicado enviado por e-mail no qual a empresa justifica a pausa em suas operações como um ato de proteção aos clientes, sem oferecer mais detalhes sobre o suposto ataque hacker ou mesmo informar o montante que teria sido roubado. A nota da empresa limita-se a mencionar um hack agressivo nos pools de liquidez de criptomoedas da plataforma.

Ainda segundo relatos no Reclame Aqui, todos os canais de atendimento da empresa foram desativados, vedando o acesso a informações mais detalhadas sobre o caso. A empresa teria prometido divulgar novas informações na próxima segunda-feira, 15, mas os clientes não se mostraram dispostos a esperar e exigem maiores esclarecimentos de forma imediata.

O perfil oficial da BlueBenx no Instagram foi desativado. No Twitter, a última postagem publicada pela empresa é de 10 de agosto, comentando os efeitos positivos que a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor dos EUA (CPI) teve sobre o mercado de criptomoedas.

Cointelegraph Brasil entrou em contato com a BlueBenx através de sua assessoria de imprensa, que preferiu não se manifestar sobre a suspensão dos saques ou o suposto ataque cibernético. Houve apenas a confirmação de que o escritório Nicolia Dos Anjos Sociedade de Advocacia estará à frente do caso, coordenando uma estratégia de gerenciamento de risco.

Uma resposta formal em nome da empresa deverá ser enviada até o final desta sexta-feira, segundo a assessoria. Uma vez recebida, este texto será imediatamente atualizado.

Processo administrativo na CVM

Em 2019, a Comissão de Valores Mobiliários abriu um processo administrativo para investigar a BlueBenx por supostas irregularidades em uma oferta de contratos de investimentos coletivos envolvendo o Bitcoin (BTC). 

Na época, a Superintendência de Proteção e Orientação a Investidores (SOI) viu indícios de oferta pública irregular de valores mobiliários nesta modalidade de investimento oferecida pela empresa, uma vez que ela "divulgava retornos de investimento elevados para quem investisse em 'bitcoins' por meio da plataforma de negociação disponibilizada e vendida pela Ofertante, além de afirmar que seus sócios tinham Certificação Profissional ANBIMA (“CPA”), dentre outros atrativos; e disponibilizava um Termo de Uso e Condições Gerais, que o investidor interessado deveria assinar para poder obter acesso aos serviços oferecidos pela sociedade."

Em janeiro deste ano, a CVM rejeitou uma proposta de acordo encaminhada pela BlueBenx para encerramento do processo administrativo mediante o pagamento de uma multa de R$ 150.000. 

De acordo com a CVM, a BlueBenx persiste na suposta irregularidade, razão pela qual rejeitou o acordo para o encerramento do processo “face ao não cumprimento do requisito legal (...), no que toca à cessação e correção da prática de atividades ou atos considerados ilícitos.” Isso porque a atividade requer a obtenção de registro, de acordo com o artigo 19 da Lei nº 6.385/76, segundo a CVM.

Em 2019, o Cointelegraph Brasil noticiou o início das investigações ao informar que a CVM questionava as estratégias de alavancagem de investimentos baseados em uma cesta de ativos da BlueBenx que incluía o Bitcoin e outras criptomoedas

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