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Caio Jobim
Escrito por Caio Jobim,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Nem EUA, nem China: Como as terras raras podem transformar o Brasil na terceira via da geopolítica global

Com a segunda maior reserva de terras raras do mundo, o país busca atrair capital estrangeiro e estabelecer marco regulatório para se estabelecer no centro do xadrez geopolítico global.

Nem EUA, nem China: Como as terras raras podem transformar o Brasil na terceira via da geopolítica global
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Resumo da notícia:

  • O Brasil busca atrair R$ 100 bilhões em investimentos até 2029 para se consolidar como alternativa global ao monopólio chinês de terras raras.

  • O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China.

  • Especialistas afirmam que o país procura deixar de ser um mero exportador de minério bruto para se tornar um centro de refino e alta tecnologia.

Enquanto Washington e Pequim travam uma guerra de tarifas e restrições de exportação, o Brasil sinaliza que não pretende escolher um lado nessa disputa, mas sim tornar-se o fiel da balança. Com reservas que podem redefinir o equilíbrio de poder global, o país pretende se tornar uma força central na reestruturação do equilíbrio geopolítico no século 21.

O governo brasileiro enviou uma delegação de mais de 100 pessoas para o “Future Minerals Forum (FMF) 2026”, realizado entre 13 e 15 de janeiro em Riad, na Arábia Saudita, com o objetivo de atrair investimentos estimados em R$ 100 bilhões até 2029 para o setor de minerais críticos e terras raras.

A iniciativa visa estabelecer o país como uma potência global do setor em um momento de acirramento na disputa geopolítica entre Estados Unidos e China pelo controle de insumos essenciais para novas tecnologias, baixo carbono e defesa.

As terras raras compõem um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a fabricação de componentes de alta tecnologia, como turbinas eólicas, motores de veículos elétricos, smartphones e mísseis.

Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo

O Brasil detém cerca de 19% das reservas globais desses minerais, posicionando-se como o segundo maior detentor desses recursos no mundo, atrás apenas da China. Além disso, o país possui vastas reservas de outros minerais críticos, como grafita, lítio, níquel e manganês. No entanto, apenas 23% do subsolo do país já foi mapeado.

Carlo Pereira, CEO da Gin Capital – plataforma de investimentos voltada para os setores de mineração e infraestrutura tecnológica –, disse à reportagem do NeoFeed que a demanda global por esses insumos é atualmente três a quatro vezes superior à oferta disponível.

O executivo destaca que o diferencial brasileiro no mercado internacional reside na previsibilidade da oferta, governança e alinhamento geopolítico, fatores que atraem fundos de investimento interessados na descarbonização das cadeias produtivas.

Relatórios da consultoria PwC e do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) reforçam que o subsolo brasileiro, ainda subexplorado, é estratégico para a segurança das cadeias globais de suprimento.

O investimento de R$ 100 bilhões estimado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) será canalizado para projetos que possam explorar a janela de oportunidade aberta pela corrida do Ocidente para reduzir a atual dependência da China.

Enquanto a China controla a maior parte do refino mundial e utiliza restrições de exportação como ferramenta de pressão política, o Brasil busca se consolidar como um fornecedor neutro e confiável, com baixa intensidade de carbono.

Brasil ainda é apenas um fornecedor de matéria-prima

Projetos de grande escala já estão em andamento no país; no entanto, são coordenados por empresas estrangeiras. O projeto Colossus, em Minas Gerais, conta com aporte de R$ 1,35 bilhão do grupo australiano Viridis Mining and Minerals Ltd para extração de elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.

Em Goiás, o grupo Serra Verde recebeu um investimento de R$ 855 milhões do Denham Capital and Minerals Group, baseado nos EUA, para a produção de minerais para ímãs e turbinas eólicas.

Apesar da riqueza de seu subsolo, o Brasil ainda é apenas um exportador de matéria-prima bruta. Atualmente, o maior gargalo do setor no país encontra-se no refino e na transformação química dos minérios em compostos industriais.

A produção refinada nacional ainda é baixa. Para efeito de comparação, enquanto uma tonelada de lítio bruto vale cerca de US$ 800, o produto refinado para baterias pode ultrapassar os US$ 8 mil.

O controle sobre as etapas avançadas da cadeia de produção é fundamental para definir a relevância geopolítica de uma nação. O cenário atual remete ao histórico de dependência tecnológica da indústria brasileira.

Para mitigar esse risco, o Congresso Nacional discute, desde 2024, a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos por meio dos projetos de lei PL 2780/2024 e PL 4443/2025, que buscam criar incentivos para o setor e oferecer segurança jurídica aos investidores.

A consolidação do Brasil como potência no setor de minerais estratégicos depende da convergência entre políticas públicas de inovação, sustentabilidade e fomento financeiro, como as linhas de crédito a baixo custo estudadas pelo BNDES. Para especialistas do setor, desenvolver a cadeia de refino local é a única forma de evitar que o Brasil repita o ciclo histórico de exportador de commodities de baixo valor.

Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, o governo brasileiro está buscando modernizar a indústria nacional, alinhando-se às principais tendências tecnológicas globais.

Em setembro, o governo instituiu o Redata (Estratégia Nacional de Dados) por meio da Medida Provisória nº 1.318/2025. O programa visa incentivar a instalação, ampliação e operação de data centers no país, com foco em setores estratégicos como computação em nuvem, inteligência artificial (IA) e Internet das Coisas.

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