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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Brasil proíbe Meta de usar dados de usuários para treinamento de IA, empresa diz que está ‘desapontada’

Medida cautelar da ANPD foi publicada no Diário Oficial e prevê multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

Brasil proíbe Meta de usar dados de usuários para treinamento de IA, empresa diz que está ‘desapontada’
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A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), autarquia federal ligada ao Ministério da Justiça e Segurança, decidiu suspender o uso de dados pessoais publicados em plataformas da empresa Meta, como Facebook, Instagram e WhatsApp, que sejam voltados ao treinamento de sistemas de inteligência artificial (IA). 

A medida cautelar foi aprovada pelo conselho decisório da ANPD e publicada por meio do Despacho Decisório 20/2024 na última terça-feira (2) no Diário Oficial da União (DOU). O que inclui uma multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

O posicionamento do governo aconteceu após entrar em vigor, no dia 26 de junho, uma nova política de privacidade da Meta, abrangendo suas plataformas de rede social. Documento que autoriza a utilização de conteúdos compartilhados pelos usuários e disponíveis publicamente para o treinamento de IA generativa.

“Tal tratamento pode impactar número substancial de pessoas, já que, no Brasil, somente o Facebook possui cerca de 102 milhões de usuários ativos”, informou a ANPD em nota. 

O órgão argumentou que a utilização de dados pessoas de crianças e adolescentes para treinar sistemas de IA da Meta, informações que estão sujeitas a proteção especial da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A agência informou que decidiu por inciativa própria fiscalizar a aplicação da nova política da Meta, e disse ter constatado “riscos de dano grave e de difícil reparação aos usuários”, diante do que considerou ser indício de violação da LGPD.

“A ANPD avaliou que a empresa não forneceu informações adequadas e necessárias para que os titulares tivessem ciência sobre as possíveis consequências do tratamento de seus dados pessoais para o desenvolvimento de modelos de IA generativa”, acrescentou o órgão.

Segundo informações da Agência Brasil, a ANPD mencionou ainda que “obstáculos excessivos e não justificados” para que o usuário possa passar a se opor a esse tipo de tratamento de seus dados pessoais. De acordo com a ANPD, os usuários das plataformas da Meta compartilharam dados pessoais com a expectativa de se relacionar com “amigos, comunidade próxima e empresas de interesse”, sem considerar que as informações pudessem ser usadas no treinamento de IA.

Em posicionamento enviado por e-mail, a Meta disse estar “desapontada com a decisão da ANPD”. A empresa acrescentou que não é a única a promover treinamento de IA com informações coletadas pelos serviços prestados e que “somos mais transparentes do que muitos participantes nessa indústria que tem usado conteúdos públicos para treinar seus modelos e produtos”.

“Nossa abordagem cumpre com as leis de privacidade e regulações no Brasil, e continuaremos a trabalhar com a ANPD para endereçar suas dúvidas. Isso é um retrocesso para a inovação e a competitividade no desenvolvimento de IA e atrasa a chegada de benefícios da IA para as pessoas no Brasil”, afirmou a empresa.

Esta semana, o Senado decidiu marcar para o dia 9 de julho a votação do relatório do Marco Legal da IA no país, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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