Empresa de análise blockchain Chainalysis define política de dados de usuário em meio a polêmicas da Coinbase

Empresa de análise de blockchain sediada em Nova York, a Chainalysis publicou uma declaração oficial esclarecendo que não coleta ou vende dados pessoais de usuários quando fornece seus serviços para exchanges de criptomoedas. A declaração foi publicada em um post no blog da empresa em 5 de março.

A Chainalysis é uma das mais importantes empresas no setor de inteligência blockchain, fornecendo tecnologia - como sua ferramenta proprietária KYT (Know Your Transaction) - que permite que empresas, governos e agências policiais monitorem transações blockchain e rastreiem atividades ilícitas suspeitas, como como lavagem de dinheiro ou financiamento do terrorismo.

Conforme relatado, as alegações de que essas empresas poderiam estar circulando os dados de usuários de seus clientes vieram à tona na semana passada, em meio à repercussão da comunidade sobre a controversa aquisição da Neutrino, empresa de análise blockchain, pela Coinbase. Para justificar a aquisição, uma executiva sênior da Coinbase alegou em uma entrevista que seus fornecedores de ferramentas de inteligência anteriores estavam supostamente vendendo dados de usuários da Coinbase para terceiros.

Embora a executiva não desse os nomes dessas firmas de inteligência explicitamente, a Chainalysis evidentemente respondeu esclarecendo que não exige ou armazena - muito menos circula - quaisquer dados pessoais para realizar análises de transações:

"As exchanges que usam o KYT da Chaianysis [...] enviam seus dados de transação - não dados de identificação pessoal do cliente - para o Chainalysis para automatizar o processo de monitoramento de transações. [...] qualquer ligação de uma transação a uma pessoa ou pessoas envolvidas [...] deve ser feita fora da Chainalysis porque não coletamos nenhuma informação pessoal identificável das exchanges.”

A declaração proessegue, descrevendo que o foco da Chainalysis está em sinalizar transações “baseadas em indicadores de comportamento de risco”, como endereços de destino conhecidos como entidades ilícitas (um mercado na darknet ou uma organização de financiamento ao terrorismo, por exemplo). Essa contextualização, continua, requer apenas o conhecimento básico de que determinado endereço de carteira pertence a um cliente de exchange de criptomoeda e não informações de identificação pessoal.

De acordo com o post no blog, as ferramentas de análise de blockchain da empresa são voltadas para o monitoramento de dados de transações no nível do serviço, não para rotular as carteiras dos usuários individuais.

A Chainalysis afirma ainda que, com base em suas análises de contraparte e na triagem do KYT, “o apetite pelo risco e as investigações são de responsabilidade da própria exchange”.

Conforme relatado na última segunda-feira, a Elliptic, empresa de análise de blockchain com sede em Londres - que fornece tecnologia para a Coinbase - refutou alegações de que ela coleta e vende dados de usuários de clientes para terceiros por ganhos financeiros. Em um comunicado oficial, o CEO e cofundador da Elliptic, James Smith, afirmou que a empresa nunca "permitiu a violação da privacidade financeira dos indivíduos" e que tais acusações representam uma incompreensão fundamental do papel da Elliptic na indústria .

Também na segunda, o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, revelou que a equipe da Neutrino, com conexões prévias com a controversa empresa de software Hacking Team, fará a transição de suas novas funções na exchange.