Investidores brasileiros já podem usar o Bitcoin como garantia de crédito em reais através da fintech Rispar, uma marca que faz parte do portfólio da QR Capital. Aprovada recentemente pelo Banco Central do Brasil, a Rispar oferece crédito em reais com garantia em criptomoedas.
A Rispar é a primeira fintech brasileira a oferecer essa modalidade de crédito, de forma regulada para investidores de Bitcoin. O anúncio publicado nesta segunda-feira (16) no Linkedin pelo fundador e CEO da empresa, Rafael Izidoro.
Segundo Rafael Izidoro, o “Bitcoin pode transformar o cenário” de empréstimos no Brasil devido às altas taxas praticadas pelo mercado financeiro. No caso do empréstimo com garantia em criptomoedas, a taxa de juros cobrada será a partir de 0.99% ao mês.
Bitcoin como garantia de crédito
Plataformas que utilizam criptomoedas como garantia para a oferta de empréstimos tem ganhado atenção do mercado com as Finanças Descentralizadas (DeFi). No entanto, a Rispar é a primeira fintech do Brasil a oferecer tal modalidade no mercado regulado.
Através da Rispar, o usuário deposita o saldo em Bitcoin e recebe em reais o valor do empréstimo solicitado. Até então, usuários brasileiros contavam apenas com sistemas que utilizavam o dólar norte-americano, conforme diz o CEO e criador da fintech. Ainda segundo o empresário:
“As soluções atuais são em dólar ou stablecoins ‘dolarizadas’, o que é péssimo para o brasileiro, pois nossa moeda está em constante desvalorização, e criar uma dívida em dólar é uma péssima idéia no cenário atual.”
Fintech autorizada pelo Banco Central
A Rispar faz parte do portfólio da QR Capital, uma holding brasileira que também conta com outras iniciativas reguladas, como a QR Asset, uma gestora brasileira regulada pela CVM que oferece 100% cripto em seus fundos.
E a Rispar também possui o aval do Banco Central do Brasil. Para Rafael, um produto de empréstimos colateralizados em Bitcoin regulado pode oferecer a credibilidade que muitas vezes, as plataforma de criptomoedas não tem.
“ Acho importante frisar bem na operação ser regulada pelo Banco Central, pois isso traz segurança para a plataforma.”
Hoje é um dia histórico para a QR Capital.
— QR Capital (@qrcapital) November 16, 2020
À medida que o Bull Market retorna para o Bitcoin, anunciamos na sexta que uma solução disruptiva, regulada pelo Banco Central e não relacionada ao PIX, seria lançada hoje.
E ela já está entre nós. Rispar, seja bem-vinda ao time. pic.twitter.com/2qdS1Mqunf
DeFi
Produtos DeFi e plataformas de empréstimos com garantia em cripto são comuns no mercado das criptomoedas. Mas o produto da Rispar também é uma novidade em relação ao público-alvo da plataforma.
Segundo o CEO e fundador da fintech, clientes DeFi utilizam empréstimos para investir no mercado financeiro. Por outro lado, a proposta da Rispar é oferecer empréstimos para o investidor comum, que precisa de dinheiro para “o dia a dia”.
“O público DeFi é um usuário que geralmente toma empréstimo para fazer operações complexas em exchange descentralizadas por exemplo.
O público que estamos ‘atacando’ é o usuário de criptomoeda brasileiro, que precisa de BRL no dia a dia, seja para financiar uma casa, veículo, viagem ou até mesmo fazer operações mais estruturadas em exchanges nacionais.”
Empréstimo de até 60%
Assim como as demais plataformas de empréstimos com garantia em criptomoedas, a Rispar terá um limite de oferta de crédito de acordo com o valor oferecido pelo usuário em Bitcoin.
Sendo assim, o Loan To Value (LTV) da Rispar deve ser de 60% do valor total em Bitcoin que o usuário possui. Ou seja, se o investidor depositar R$ 1.000 em Bitcoin, ele poderá tomar um empréstimo de R$ 600.
“Hoje temos modelo de risco que suavizam essa situação. Oferecemos um LTV (Loan to Value) de até 60% do valor do ativo no momento da contratação.”
O LTV poderá ainda sofrer modificações, caso o valor do Bitcoin sofra grande desvalorização logo após o pedido de empréstimo. Nesse caso, o usuário poderá ter que oferecer “um reforço de garantia”, lembra o CEO e criador da Rispar.
“Esse LTV precisa se manter em um nível estável, ou seja, até 70%. Caso o preço caia a esse ponto, solicitamos um reforço da garantia para o tomador, ou abatimento do saldo devedor, visando voltar o LTV para um nível seguro.”
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