A QR Asset faz parte do seleto grupo de empresas que conseguiu aprovação da CVM para oferecer produtos financeiros regulados de criptomoedas. Mas, diferente de outras iniciativas, a QR Asset é a primeira e a única gestora brasileira regulada que oferece 100% cripto em todos os seus fundos .
Com mais de R$100 milhões em criptoativo sob gestão, a QR é a maior gestora 100% cripto da América Latina. E os grandes feitos da empresa não param por aí, a empresa com capital 100% nacional é também a primeira empresa cripto a receber aporte indireto do BNDES via fundo anjo da DOMO Invest, uma iniciativa de coinvestimento com investidores-anjo, que apoiam empresas inovadoras no mercado brasileiro.
Para conhecer melhor o trabalho dessa empresa, o Cointelegraph conversou com Fernando Carvalho, CEO da QR Capital e embaixador no Brasil do Global Blockchain Business Council, uma entidade internacional focada no fomento da tecnologia blockchain. O empresário conta sobre o desenvolvimento do mercado brasileiro, como o Bitcoin está sendo visto diante da crise e muito mais.
Rafaela Romano: O que o lançamento do primeiro fundo brasileiro 100% lastreado em Bitcoin e regulado pela CVM significa para o mercado de criptomoedas nacional?
Fernando Carvalho: É um marco importante para o mercado e uma grande evolução em termos de segurança para os investidores que desejam incluir o bitcoin em seus portfólios de investimento, porém que não querem se cadastrar em exchanges, nem lidar com carteiras digitais ou chaves privadas. Os fundos de investimento em criptoativos, como os da QR Asset, vêm se expandindo de forma acelerada em 2020. Eles têm se mostrado uma alternativa segura para investidores que querem exposição a esta classe de ativos, mas que preferem investir em produtos 100% regulados, distribuídos em corretoras já consagradas no mercado e com custódia de padrão institucional, praticamente inacessível para investidores individuais.
Rafaela Romano: Você pode explicar um pouco sobre o QR BTC MAX FIM IE?
Fernando Carvalho: O QR BTC MAX FIM IE é um fundo multimercado com gestão passiva e investimento mínimo de R$ 50 mil, que compra 100% de seu patrimônio líquido em bitcoin. O fundo compra os ativos diretamente no exterior em exchanges reguladas em suas jurisdições, cobrando apenas 0,9% ao ano de taxa de administração e sem cobrança de taxa de performance. Desta forma, é uma das formas mais seguras e baratas de ter exposição ao bitcoin no mercado brasileiro. Com expectativa de alcançar um patrimônio líquido de R$100 milhões nos primeiros 12 meses, o fundo já está disponível para aplicação através do site da QR Asset, na plataforma Órama e em breve em outras plataformas que já distribuem os fundos da gestora.
Rafaela Romano: Estamos vivendo um momento complexo na economia mundial e a teoria do Bitcoin como um hedge está sendo colocada à prova. Qual o maior diferencial de um fundo 100% em Bitcoin em relação às opções de investimento tradicionais ?
Fernando Carvalho: Neste momento de baixa histórica da taxa básica de juros e aceleração da emissão de moedas fiduciárias pelas maiores economias do mundo, os investidores começam a aumentar sua busca por investimentos alternativos com boa relação risco-retorno. Entretanto, investimentos alternativos mais tradicionais, como fundos de private equity e de venture capital, são opções pouco líquidas. Neste contexto, ativos de reserva de valor, como imóveis, ouro e o próprio bitcoin, se apresentam como opções de diversificação com liquidez mais atrativa. Além disso, o Bitcoin, por ser uma commodity digital negociada em dólares no mercado internacional, acaba atuando como um duplo hedge para investimentos em reais. O ativo teve uma valorização expressiva em 2020 dentro deste cenário atual.
O Bitcoin não se correlaciona com qualquer outro ativo tradicional do mercado, o que o torna ainda mais atraente para a diversificação de carteiras de investimento. E o fundo 100% bitcoin possibilita que os investidores se exponham a este ativo sem precisar se preocupar com a compra e com a custódia das chaves privadas. Nunca houve uma porta de entrada para o ambiente dos criptoativos tão confortável e acessível a investidores mais leigos e até mesmo institucionais, que buscam os mais altos padrões de segurança.
Rafaela Romano: Ser vanguardista não costuma ser fácil. Como foi a negociação com a CVM? Qual é sua impressão sobre a perspectiva dos órgãos de regulação sobre fundos de criptomoedas?
Fernando Carvalho: A CVM sempre esteve aberta a inovações, em especial àquelas que aumentam a segurança dos investidores. Existem atualmente dez fundos de criptomoedas ativos no Brasil registrados na autarquia. O crescimento dos fundos de criptoativos em 2020 é vigoroso, atingindo, até outubro, mais de 35 vezes o número de cotistas e mais de 20 vezes o patrimônio líquido em comparação com o início de 2019, sendo oferecidos em 9 plataformas de distribuição do mercado tradicional. A existência de veículos de investimento regulados gera uma maior proteção aos investidores, reduzindo o risco em comparação a veículos não-regulados.
Rafaela Romano: A rentabilidade do Bitcoin tem superado diversos investimentos tradicionais, mas a capitalização do mercado é ainda muito pequena, no seu melhor momento, era menor que US $1 trilhão. Qual sua perspectiva para o setor de criptomoedas nos próximos 10 anos?
Fernando Carvalho: Minha perspectiva é de que nos próximos 10 anos haja um grande desenvolvimento dessa classe de ativos, e mais especificamente do bitcoin.
O que todos precisam entender é que blockchain é uma das maiores inovações tecnológicas ocorridas desde a criação da Internet, e que a velocidade de adoção de novas tecnologias é gradual, pois depende de evoluções na esfera regulatória e da própria tecnologia. Os casos de uso no mercado regulado irão se multiplicar, além das CBDCs, ou Central Bank Digital Currencies, outros casos de uso farão a tecnologia se tornar mainstream.
Rafaela Romano: O mercado de DeFi tem ganhado grande destaque e injeção de capital nos últimos meses, como você vê esse mercado? Existe demanda além do Bitcoin no mercado regulado?
Fernando Carvalho: Certamente existe demanda além do bitcoin no mercado regulado, bons exemplos são as CBDCs e os security tokens. DeFi também é um segmento promissor, porém deve passar por um processo de regulação e adoção mais gradual. É muito difícil imaginar uma infra-estrutura de mercado 100% descentralizada no estágio atual da tecnologia, porém acredito que é possível desintermediar e automatizar parte das operações que ocorrem no mercado regulado.
Rafaela Romano: Um grande desafio dos fundos regulados é a questão da custódia. Como vocês garantem a segurança dos fundos dos investidores?
Fernando Carvalho: Custódia é uma das partes da infraestrutura do mercado de criptoativos que mais evoluiu nos últimos anos. A QR Asset usa em seus fundos custódia de padrão institucional, feita por empresas reguladas especializadas no setor, como a Coinbase Custody e a Bitgo. Elas guardam as chaves privadas em deep cold storage, e os ativos do fundo são protegidos por apólices de seguro globais que cobrem eventuais perdas. Sem os fundos regulados, o investidor médio não conseguiria ter acesso a esse padrão de segurança, pois os custodiantes institucionais exigem alto volume financeiro sob custódia para contratação deste tipo de serviço.
Rafaela Romano: Por fim, o mercado brasileiro com certeza está de olho na QR Capital. O que esperar no curto prazo? Você pode dar algum spoiler aos entusiastas?
Fernando Carvalho: Seguimos no nosso caminho de crescimento sólido, e sempre com foco no mercado regulado. Na QR Asset, nossa gestora de recursos, estamos sempre estudando o lançamento de novos fundos que permitam aos investidores capturar o valor gerado pelo mercado de blockchain e criptoativos. Além disso, a QR Capital, nossa holding, está em fase de homologação de duas plataformas de tecnologia inéditas, que serão importantes inovações para o desenvolvimento do mercado de ativos digitais no Brasil
SOBRE A HOLDING QR CAPITAL
A QR Capital é a holding controladora de um portfólio de marcas que oferece diversas soluções em blockchain e criptoativos, além de desenvolver e investir em empresas do setor. No portfólio da QR Capital estão, entre outras empresas, a QR Asset Management, gestora habilitada pela CVM e Anbima, e o BlockTrends, veículo de análises e tendências do mercado. A QR Capital busca, desde sua fundação, em 2018, a profissionalização do mercado de blockchain e ativos digitais.
O negócio nasceu da união de expertises dos sócios Fernando Carvalho, executivo com 18 anos de experiência em cargos de liderança no ambiente corporativo; Marcos Bodin, fundador da Arkhe Corretora; José Henrique Secco, sócio da Adipar Corretora; Theodoro Fleury, experiente gestor do mercado financeiro; e Henrique Mattoso, sócio da Simplific Pavarini. A holding também investiu em movimentos importantes, como as aquisições de participações estratégicas da Foxbit, maior corretora de ativos digitais do Brasil, em 2018, e da Hathor Network, protocolo de Blockchain com tecnologia inovadora.