Enquanto o Bitcoin (BTC) orbitava US$ 96,5 mil (+2%) no início da tarde desta quinta-feira (21), após romper a resistência de US$ 98,3 mil, baleias se alvoroçavam sobre 10 criptomoedas de baixa capitalização, em boa medida pelas taxas em finanças descentralizadas (DeFi). Esses movimentos difusos espelham a descrença de Alex Tapscott com o entusiasmo de bancos e outras instituições financeiras tradicionais em relação às criptomoedas.
Em entrevista publicada esta semana pelo Valor, o coautor do best-seller ‘Revolução Blockchain’ disse não acreditar na liderança dessas corporações tradicionais sobre as criptomoedas, pela mesma razão de a Xerox não ter criado o computador, assim como a General Motors não ter impulsionado a fabricação de carros elétricos.
Na avaliação do autor canadense, que participa do evento HSM no dia 27 em São Paulo, as instituições financeiras tradicionais vivem um conflito de interesses, apesar do alvoroço sobre os lucros obtidos em produtos de investimento baseados em criptomoedas, como, por exemplo, os fundos negociados em bolsa (ETFs) baseados em negociação à vista (spot) de Bitcoin, que levaram a gestora BlackRock à abertura de opções esta semana.
Na avaliação do especialista, a nova tecnologia impõe dificuldade às instituições tradicionais. Porque a blockchain inaugurou o conceito de descentralização, de tokenização econômica, de pagamento de taxas na rede. O que, apesar do pioneirismo do Bitcoin de Satoshi Nakamoto, popularizou-se pela rede Ethereum (ETH), a líder dos contratos inteligentes. Isso vai contra o interesse dos bancos, que vivem da cobrança de taxas e de maneira centralizada, segundo ele.
Nessa seara, segundo o empresário, a tentativa de dominar os tokens, coloca bancos e instituições financeiras em rota de colisão com a blockchain porque disruptaria o próprio sistema. O que deve afastar essas empresas da liderança da revolução tecnológica, que deve ser capitaneada por novas empresas, inclusive algumas que ainda nem nasceram.
Alex, que divide a coautoria da obra com o pai dele, Don Tapscott, salientou a importância do Bitcoin para a criptoeconmia, mas disse que a Ethereum provou que as redes blockchain podem representar qualquer coisa com negociação sem intermediação.
No caso das versões de moeda digital emitidas por bancos centrais (CBDCs, na sigla em inglês), como o Drex no Brasil, ele declarou não ser moralmente contra as iniciativas, mas opinou que elas podem não solucionar tudo que prometem e que as stablecoins poderiam suprir essa demanda, inclusive, em transações transfronteiriças. Apesar da refração, o especialista disse ter ficado surpreso com o avanço do Drex.
Esta semana, executivos do Itaú e Santander destacaram que implementação do Drex precisa superar outros desafios além da privacidade, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.