A Justiça condenou o Banco Inter por envolvimento de um correspondente bancário em um esquema de pirâmide financeira baseado em empréstimos em dinheiro. Segundo decisão, os réus devem ressarcir o militar da aeronáutica que investiu cerca de R$ 30 mil no negócio fraudulento.
No entanto, no total o militar deve receber apenas R$ 13 mil dos réus apontados na ação. Este valor compreende a soma do dinheiro que resta para ele receber do negócio, além de um pedido de indenização moral que também foi deferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul.
De acordo com a denúncia sobre o caso, correspondentes bancários estimulavam as vítimas a contrair empréstimos e prometiam, além de pagar as parcelas, dividir o suposto lucro obtido ao custodiar 50% do dinheiro solicitado, que era liberado pelo banco Inter.
Dinheiro de esquema era depositado no Banco Inter
Embora o caso de pirâmide financeira denunciado seja de 2011, somente agora o militar da aeronáutica recebeu uma sentença favorável contra o Banco Inter. Com a condenação, no total os réus apresentados na ação devem ressarcir a vítima em R$ 13 mil.
No processo judicial, a vítima contou que fez dois empréstimos para entrar no negócio divulgado pelo correspondente bancário do Inter, que também figura como réu na ação em questão.
Sendo assim, com a condenação proferida pela 9ª Vara Cível de Campo Grande, o Banco Inter e o outro réu devem pagar também a indenização por danos morais, fixada no valor de R$ 5 mil, para o militar da aeronáutica que perdeu dinheiro no negócio.
“Condeno os Demandados, solidariamente, na restituição dos valores descontados da remuneração mensal do Autor relacionados a esses dois últimos contratos, e também no pagamento de R$ 5 mil em favor do Autor, a título de danos morais.”
Fez empréstimo para entrar na pirâmide financeira
O militar da aeronáutica que processa o Banco Inter aponta que no total fez um empréstimo de R$ 30 mil em 2011 para entrar no negócio apontado como sendo uma pirâmide financeira. Sendo que ele já recebeu R$ 22 mil, e faltam cerca de R$ 8 mil para ser pago pelos réus na ação judicial.
Segundo a proposta apresentada para a vítima na época, ele ficaria com R$ 14 mil do valor total do empréstimo, de R$ 30 mil. Ou seja, o correspondente bancário do Inter ficaria com o restante, R$ 16 mil, que seria aplicado em investimentos com alto retorno lucrativo.
Porém, com a investigação policial sobre o caso em 2012, o militar da aeronáutica não recebeu o dinheiro que investiu no negócio até então.
“Anoto que, do crédito apurado em favor do Requerente, deverão ser deduzidos os montantes creditados em seu favor, nos valores de R$ 6 mil e R$ 16 mil, devidamente atualizados.”
“Operação Gizé"
No dia 31 de janeiro de 2012 a Polícia Federal deflagrou a Operação Gizé, que investigava o esquema que fez o militar da aeronáutica perder dinheiro. Segundo a operação, oito pessoas foram presas, inclusive dois correspondentes bancários.
Além do banco Inter, a empresa Filadélphia Empréstimos Consignados foi apontada como réu na ação e foi investigada na Operação Gizé. O correspondente bancário do Inter também atuava na empresa de empréstimos, que fazia parte do esquema.
Operação Guizé foi deflagrada em 2012 (Reprodução/Polícia Federal)
Voltada para aposentados da aeronáutica, a fraude causou um prejuízo de R$ 50 milhões no Brasil. Além disso, mais de 3 mil pessoas caíram no negócio, que fez vítimas em 23 estados.
Além do valor devido ao militar da aeronáutica, os réus foram condenados a atualizar o montante, em 1% ao mês. Procurado para falar sobre o caso de envolvimento com uma pirâmide financeira, o Banco Inter não respondeu ao Cointelegraph até o fechamento desta matéria.
Leia Mais: