O Banco Central do Brasil têm usado o Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (LIFT) para 'abraçar' a inovação promovida pelo Bitcoin e criptomoedas, a tecnologia blockchain, e incentivar startups e fintechs a desenvolverem soluções com o DLT, segundo destacou uma reportagem publicada em 17 de fevereiro pelo jornal Estadão.

Lançado a mais de dois anos, muitos projetos baseados na tecnologia já foram incentivados pelo BCB, como é o caso do P2P Blockchain Lending, que trabalha com empréstimos usando a tecnologia como gateway de confiança.
Ainda em 2019 o Banco Central também incentivou a criação de uma plataforma, baseada em blockchain, utilizando a rede Corda, do R3, para a construção de um sistema de Identidade Digital Descentralizada.

O projeto foi elaborado pelo CPQD e recebeu o nome de FinID - Sistema de Identidade Digital Descentralizada.

Segundo a reportagem, no LIFT, com apoio do BC, as fintechs desenvolvem projetos lado a lado com técnicos que elaboram as normas regulatórias do mercado brasileiro, o que acaba permitindo adequar procedimentos para ambas as partes e beneficiar também a regulamentação e adoção de novas tecnologias no país.

“Durante muito tempo, o BC foi acusado de ser uma caixa-preta e de estar fechado em si. O LIFT rompe esse paradigma e coloca o banco numa postura de abertura e diálogo (...) também é uma oportunidade de diminuir nossa curva de aprendizado que precisa ser rápido para que o órgão regulador acompanhe e valide as regras necessárias para dar segurança aos clientes desses novos serviços”, diz a diretora de administração do BC, Carolina de Assis Barros.

Quem também contou com o apoio do LIFT, e da Cielo, foi Rodrigo Batista um dos fundadores da maior exchange de Bitcoins do Brasil, a Mercado Bitcoin que desenvolveu uma espécie de 'banco digital' dos bancos digitais, o Saxperto.

O projeto que também é desenvolvido pelo ex-consultor da MCKinsey e ex-Mercado Pago, Thiago Godoi deseja permitir que bancos digitais, startups e fintechs utilizem um sistema 'descentralizado' de saque para seus clientes, algo como a Rede Banco24h realiza para os bancos tradicionais.

Segundo Batista, a ideia teria surgido ainda quando estava no MB e percebeu as dificuldades que seus clientes na exchange tinham para realizar o saque de seu dinheiro. Essa mesma dificuldade foi percebida por outras fintechs. 

Desta forma, por meio de uma rede de parceiros, que podem ser bares, supermercados, padarias, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais os clientes das fintechs podem, pela a leitura de um QR Code, solicitar um saque de seus valores. Na outra ponta, o estabelecimento só precisa estar 'conectado' com um dos parceiros do Saxperto.

Ainda segundo o Estadão, o atual presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, tem sido um grande incentivador do LIFT por meio da agenda BC#, divulgada e propagada pelo presidente em toda as suas apresentações e na qual fala de inovação e das medida que o BCB vem tomando

Segundo Neto, nos próximos anos o sistema financeiro será cada vez mais tecnológico e diferente, por isso, é importante entender o processo de modernização e intermediação financeira junto com a adoção de novas tecnologias.

"Precisamos implementar todas estas novas tecnologias que estão avançado como blockchain, cloud entre outras, sem contudo perder de vista a segurança do sistema", disse.

Para continuar com este 'ponte' de inovação no Brasil, Campos Neto, como noticiou o Cointelegraph, lançou recentemente, mais um 'braço' do LIFT o LIFT Learning, um ambiente colaborativo aberto para aproximar o meio acadêmico e as empresas do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Porém, enquanto o BCB promove a inovação em um ambiente de testes a instituição não se manifesta sobre questões latentes que envolvem blockchain, criptomoedas e a economia digital, como é o caso da stablecoin Libra, do Facebook que deve ser lançada em 2020 pela rede social  e pode ser disponibilizada no Brasil com a introdução do WhatsAPP Pay, já anunciado para este ano.

Com relação a Moedas Digitais do Banco Central, (CBDC), embora o BCB venha debatendo o tema em fóruns multilaterais o tema não é comentado pela instituição, que, segundo fontes, segue acompanhando o que vem sendo desenvolvido na China, mas não teria qualquer intenção ou projeto para lançar um "CriptoReal".

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