O fechamento semanal de US$ 96.118, em baixa de 0,36%, no domingo, 16 de fevereiro, confirmou que o Bitcoin atravessa uma fase de consolidação, com preço estável e volatilidade em baixa, sem oferecer indicações claras de direção no curto prazo.
Apesar de decepcionante, a ação de preço do Bitcoin (BTC) não desafiou o suporte em US$ 91.000 ao longo de uma semana marcada por repiques inflacionários nos EUA, acima das expectativas do mercado, e de ameaças de radicalização na guerra comercial do presidente dos EUA, Donald Trump.
O preço do Bitcoin mostrou resiliência ao manter-se praticamente inalterado diante da promessa de Trump de impor tarifas de 25% sobre aço e alumínio produzidos no exterior, além de uma política de tributação recíproca a produtos importados, apesar de a pressão inflacionária estar em alta nos EUA nos últimos meses.
Os dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA em janeiro ficaram acima das expectativas do mercado, com um aumento de 0,5% na comparação com o mês anterior e a inflação anual em 3%.
O Índice de Preços ao Produtor (PPI) também frustrou as previsões, com uma alta mensal de 0,4%, acima da previsão prévia dos analistas. Em 3,5% ao ano, o PPI está consideravelmente acima da meta de 2% do Banco Central dos EUA (Fed).
Após a divulgação dos dados, o mercado revisou suas projeções sobre potenciais cortes nas taxas de juros em 2025. Atualmente, um novo corte de juros de 0,25% é esperado na reunião de 30 de julho.
Ainda assim, há uma probabilidade de apenas 45,3% de chances de que ocorra de fato uma redução, contra 37% de chances de os juros se manterem inalterados, de acordo com dados da FedWatch Tool.
Em uma semana sem grandes eventos no cenário macroeconômico e o avanço lento no panorama regulatório nos EUA, os potenciais catalisadores do mercado de criptomoedas se resumem a eventuais ações políticas de Trump.
Análise do preço do Bitcoin
Oscilando abaixo dos US$ 100.000 há dez dias, este importante nível psicológico converteu-se em uma resistência de curto prazo para o preço do Bitcoin, segundo Diego Pohl, analista da Crypto Investidor:
“O Bitcoin segue em acumulação e no momento está muito próximo da região de suporte entre os US$ 95.000 e os US$ 91.000. A manutenção desse suporte é fundamental para o rompimento de sua resistência mais próxima nos US$ 100.000.”
Caso esse cenário se confirme, o Bitcoin poderá retestar a região de sua máxima histórica atual, entre US$ 105.000 e US$ 110.000, acrescentou Pohl.
Um rompimento decisivo acima desses níveis faria o Bitcoin retomar seu movimento de alta maior, “buscando como próximos alvos a região de US$ 130.000 a US$ 150.000”, projeta o analista, conforme o gráfico abaixo.
Gráfico diário de futuros perpétuos de Bitcoin (Binance). Fonte: Crypto Investidor
No entanto, quedas adicionais de até 15% em relação aos patamares atuais não podem ser descartadas, caso o suporte na região dos US$ 91.000 seja quebrado.
Nesse caso, o preço do Bitcoin “poderá buscar níveis de suporte inferiores, entre os US$ 85.000 e os US$ 80.000", concluiu o analista.
Na primeira semana de janeiro, Pohl antecipou que o Bitcoin poderia alcançar uma nova máxima histórica após sustentar o suporte em torno de US$ 92.500. Exatamente duas semanas depois, em 20 de janeiro, o preço do Bitcoin alcançou o valor recorde de US$ 108.706.
Analistas acreditam que a inércia atual do preço do Bitcoin antecede uma alta sem precedentes do preço do ativo e faz do momento atual uma “oportunidade geracional” para investidores com foco no longo prazo, conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil.
A incerteza crescente nos cenários macroeconômico e geopolítico está colocando o mundo à beira do caos, e isso tende a ser positivo para o Bitcoin, segundo Jeff Park, chefe de estratégias alfa da Bitwise Asset Management, em uma postagem no X (antigo Twitter) em 16 de fevereiro.