Dois levantamentos divulgados esta semana revelaram, respectivamente, que a maior parte das empresas e investidores de criptomoedas no Brasil se encontram em campos distintos em relação aos rumos do mercado nacional, entre a cautela e o otimismo.

Enquanto a primeira sondagem, realizada pela Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), mostrou que aproximadamente dois terços das empresas do ecossistema cripto nacional aguardam sinais regulatórios mais claros a fim de avançarem com suas operações, a outra pesquisa, da exchange de criptomoedas Binance, revelou que 88% dos investidores com altos volumes de recursos em criptomoedas acreditam na melhora do mercado ao longo do quarto trimestre de 2023.

Qualificado como um “censo inédito” das empresas da criptoeconomia nacional, o “relatório da Criptoeconomia no Brasil 2023” revelou que apenas 32% das empresas do setor já possuem outros tipos de licença de operação de órgão reguladores, como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“O censo nos traz um cenário mais concreto das características da criptoeconomia no Brasil, o que é muito relevante no atual momento de avanços de tecnologia e discussões regulatórias", avaliou o diretor presidente da ABcripto, Bernardo Srur.

Produzido com a coordenação técnica de Tiago Severo, diretor jurídico da ABCripto, e do professor e advogado Isac Costa, o relatório identificou que o mercado brasileiro possui uma ampla diversidade: instituições de pagamento (IP, 14%), sociedades de crédito direto (SCD, 2%), gestoras de recursos (5%), plataformas de crowdfunding (6%) e outas atividades sujeitas à regulação da CVM (10%) e do Banco Central (6%).

O levantamento apontou que 79% das empresas cripto no país atuam na área de intermediação (negociação, mesa de operação, distribuição e market making) e 62% atuam em infraestrutura (liquidação, cripto as a service, custódia, moeda eletrônica e câmbio). Das empresas participantes do censo, 27% atuam com tokenização, sendo 14% no Brasil e 10% no exterior.

O relatório da Criptoeconomia no Brasil 2023 revelou ainda que 63% das empresas processaram volume financeiro inferior a R$ 100 milhões no último exercício e 8% acima de R$ 5 bilhões. Além disso, 40% foram constituídas há mais de cinco anos (antes de 2018); 6% declararam que sua constituição ocorreu em 2023 e, durante o período da pandemia, entre 2020 e 2022, foram constituídos 49% das participantes da pesquisa.

O censo também mostrou que 25% são controlados por holding no Brasil; 25% no exterior; 16% das empresas possuem, no grupo de controle, instituições autorizadas pelo Banco Central ou pela CVM; 10% possuem participantes estrangeiros ou fundos de investimento. Por outro lado, 40% das empresas têm um controle mais simples, com pessoas naturais ou sociedades operacionais no seu quadro social.

No caso da pesquisa da Binance, focada no comportamento dos investidores de alta renda, o levantamento mostrou que apenas 12% dessa fatia preveem algum tipo de piora até o final do ano.

De acordo com a pesquisa, 55% dos investidores mantêm suas aplicações em criptomoedas mesmo em momento de baixa, procurando alternativas mais conservadoras dentro do segmento, como, por exemplo, o Binance Earn, que oferece soluções de staking para proporcionar renda passiva aos usuários.

Outra parcela dos usuários (15%) afirma dar  preferência aos DCAs (Dollar Cost Average, ou custo médio em dólares) em momentos de baixa. Neste caso, os investidores compram quantidades pré-definidas e parceladas mensalmente para elevar a exposição a um ativo de forma gradual, diluindo riscos de volatilidade e mirando o médio e longo prazo. Somente 13% dos respondentes à pesquisa disseram que sacam os recursos em momentos de baixa.

A pesquisa, realizada em agosto de 2023, também mostrou que o principal fator de decisão na escolha da exchange onde transacionar criptomoedas são as taxas cobradas na operação – aspecto apontado por 30% dos usuários que participaram da pesquisa. Depois, aparece a diversidade dos ativos oferecidos (para 22% dos usuários), seguida pela estratégia de negociação (16%).

Na interpretação do diretor-geral da Binance no Brasil, Guilherme Nazar, “a adoção de criptomoedas por investidores do Brasil vem crescendo continuamente à medida que as pessoas buscam diversificar  e aumentar o potencial de ganhos.”

“A regulação do mercado, a cargo do Banco Central anunciar, deve contribuir para esse processo ao definir as regras de atuação das instituições participantes, e com isso trazer mais segurança para investidores”, observou.

De olho no avanço do mercado e das operações de empresas de cripto no país, a CVM também anunciou que pretende se aproximar de empresas de criptomoedas que atuam com valores mobiliários, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil

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