Covduk, um popular analista pseudônimo do Twitter, analisou as carteiras de 10 baleias da Ethereum (ETH) a partir do rastreador de portfólios DeBank e identificou 6 estratégias comuns às principais entidades do mercado neste momento de correção do mercado de criptomoedas.

Diante da ampliação dos sinais negativos do cenário macroeconômico, com aumento da inflação nos EUA, alta do preço das commodities, enfraquecimento da economia chinesa e a manutenção das tensão geopolítica por conta da guerra na Ucrânia, observar o comportamento das maiores entidades do mercado pode ajudar os investidores a buscarem as melhores posições para protegerem seus patrimônios e, eventualmente, encontrarem oportunidades de ganhos pontuais no curto prazo.

Abaixo, o Cointelegraph Brasil apresenta as descobertas do analista a partir de sua investigação on-chain.

1. Stablecoins

Imunes à volatilidade do mercado por terem sua cotação atrelada ao dólar, as stablecoins compõem boa parte dos portfólios das 10 maiores baleias da Ethereum atualmente. E a razão é simples, conforme explica Covduk.

Este é um mercado incerto.

Manter reservas em stablecoins significa ter liquidez e segurança. Essas baleias têm uma porcentagem muito grande de seus portfólios em stablecoins.

— Covduk (@Cov_duk) 

As stablecoins podem ser utilizadas para gerar rendimentos em pools de liquidez junto a outras stablecoins em operações de baixo risco; ou então pareadas a criptoativos mais voláteis e de maior risco, propiciando também melhores retornos aos investidores.

Outra alternativa é depositá-las em protocolos de poupança, como por exemplo o Anchor Protocol (ANC), baseado na blockchain da Terra (LUNA), que oferece rendimentos anuais fixos de 19,5%.

Recentemente, a Binance disponibilizou o acesso ao Anchor para usuários de sua plataforma e atualmente está oferecendo rendimentos superiores aos oferecidos pelo Anchor: 25% para quem bloquear seus ativos por 90 dias; e 22%, por 60 dias; e 21% por 30 dias.

2. Fantom

Covduk identificou que seis das 10 principais baleias da Ethereum possuem grandes quantidades do FTM, token nativo da plataforma de contratos inteligentes Fantom. Trata-se de uma tendência surpreendente dada a recente desvalorização do token na esteira da saída de cena de Andre Cronje.

Um dos mais proeminentes desenvolvedores do ecossistema de finanças descentralizadas (DeFi) também ocupava o cargo de consultor técnico da Fantom Foundation quando em março deste ano inadvertidamente anunciou que estava abandonando a indústria de criptomoedas.

Supostamente, a deserção foi motivada pelo conturbado lançamento de seu projeto mais recente. Baseado na Fantom, o Solidly (SOLID) acabou sendo afetado por uma polêmica envolvendo Daniele Sestagalli, parceiro de Cronje no projeto.

A atitude de Cronje acabou tendo um efeito devastador não apenas em todos os projetos em que estava envolvido, como também no ecossistema DeFi da Fantom como um todo.

Segundo Covduk, o interesse das baleias pelo FTM pode ter sido motivado justamente pela liquidação motivada pela saída de Cronje, que jogou o preço do ativo para baixo.

Ainda segundo a investigação de Covduk, a segunda maior baleia do Ethereum possui 20% de seu portfólio em FTM, enquanto a sexta detém 85%. Algumas das estratégias apontadas pelo analista envolvem a participação em pools de liquidez envolvendo o Fantom e outros ativos do ecossistema, como o beFTM, o BIFI, da Beef Finance – um otimizador de rendimentos multi-chain, e o TOMB, um token algorítmico cujo preço é atrelado ao FTM.

3. Convex & Curve

Quase todas as baleias mantêm grandes posições em tokens Curve (CRV) e Convex (CVX). Ambos oferecem retornos seguros e garantidos em função das famigeradas "Guerras do Curve".

As "Guerras do Curve" podem ser entendidas como a disputa entre vários protocolos que continuamente oferecem recompensas aos usuários para garantir que seus pools preferidos ofereçam as maiores recompensas em protocolos como o Yearn.Finance (YFI) e o Convex Finance, gerando pressão compradora sobre o CRV.

Para investidores que detêm pequenas posições, esta alternativa não é das mais atrativas em termos de potencial de retorno, "mas ainda são uma maneira sólida de obter rendimentos com um risco menor", afirma Covduk.     

4. Renda passiva em ETH

Salvo a exceção mencionada acima, as principais baleias da Ethereum tem o ETH como ativo dominante de suas carteiras. Naturalmente, eles não mantêm seus ativos parados, mas os colocam em staking para gerar renda passiva.

Protocolos como o Lido DAO (LDO) e o Rocket Pool permitem que investidores façam staking de Ethereum a partir de qualquer valor para obter rendimentos a partir de 4% ao ano.

No caso do Rocket Pool, Covduk apresenta uma estratégia para potencializar os rendimentos dos investidores.

Uma jogada que vislumbrei algumas vezes foi:

• Staking de ETH no rocketpool para obter rETH e ganhar 4%

• colocar rETH no pool rocketpoolETH para ganhar mais 6%

• Totalizando retornos de ~10%

Quer saber como colocar sua ETH para funcionar? Leia meu guia aqui: https://t.co/ylhE3Jpond

— Covduk (@Cov_duk)

5. Apostas em altcoins

Covduk identificou aportes recorrentes em quatro altcoins. Três delas com baixa capitalização de mercado:

- MAGIC: o token é apresentado como a moeda de reserva do metaverso, baseada na Arbitrum, uma solução de segunda camada da rede Ethereum.

- Frax Price Index Share (FPIS): token de governança do sistema Frax Price Index (FPI), uma stablecoin recém lançada pela Frax Finance cujo valor é corrigido automaticamente em função do índice de Preços ao Consumidor (CPI) que mede a inflação dos EUA. Os rendimentos excedentes provenientes das taxas de transação do FPI são direcionados para os detentores de FPIS, semelhante ao sistema criado pela Frax Finance para o Frax Share (FXS).

- Alethea Artificial Liquid Intelligence Token (ALI): token nativo do protocolo Alethea AI, cuja proposta é criar um metaverso descentralizado baseado em NFTs (tokens não fungíveis) interativos e inteligentes (iNFTs).

- ApeCoin (APE): o token nativo do ecossistema construído em torno da popular coleção de NFTs Bored Ape Yacht Club ganhou a preferência das baleias da Ethereum imediatamente após o seu lançamento.

6. Redes preferenciais

Das dez baleias investigadas por Covduk, a maioria mantém a maior parte de seu portfólio na rede Ethereum – seis. As quatro demais dividem-se entre a Fantom, a Avalanche (AVAX), a Arbitrum e a Cronos (CRO), rede da exchange Crypto.com.

Rastrear os movimentos das principais baleias da rede Ethereum é uma boa forma de antecipação aos movimentos do mercado. No entanto, em um mercado dinâmico como o de criptomoedas, o monitoramento deve ser constante.

LEIA MAIS