Por meio de uma medida provisória (MP) da última semana, o governo federal equiparou o Pix ao dinheiro em espécie a fim de evitar uma possível refração ao uso da solução de transações instantâneas do Banco Central (BC). O que sucedeu a revogação da polêmica MP que aumentava a fiscalização sobre transações financeiras do Pix acima de R$ 5 mil. No entanto, o Pix continua na lista entre as cinco principais tendências de soluções de pagamento do país para este ano.
Essa é a avaliação de Fernando Nunes, CEO da Transfeera, fintech catarinense que fornece soluções de pagamentos para empresas. Segundo ele, a digitalização dos meios de pagamento no Brasil tem se intensificado nos últimos anos e as tendências para 2025 apontam para uma diversificação ainda maior nas opções disponíveis. Nessa direção, ele observa que dados do Banco Central revelam que as transações por aproximação têm se destacado entre as preferências da população.
“Essas tendências estão sendo impulsionadas por uma combinação de fatores, como a digitalização acelerada, mudanças nos hábitos de consumo, a necessidade de conveniência e segurança nas transações, além do crescimento do comércio eletrônico”, explica.
O executivo lembra que essas soluções “representam uma evolução significativa dos meios de pagamento já existentes”.
“Por exemplo, o crescimento dos pagamentos por aproximação é uma continuação da tendência de digitalização”, completa.
Nunes também se fundamenta sobre os dados do Banco Central que apontam para a popularização dos pagamentos por aproximação entre a população. Em 2023, o percentual de operações com cartões de crédito por aproximação aumentou expressivamente em relação a outras formas de captura, como tarja magnética, chip e transações não presenciais, passando de 23,1% para 31,1% entre os últimos trimestres de 2022 e 2023. Para ele, o Pix por aproximação promete tornar a modalidade ainda mais acessível e ágil no cotidiano dos brasileiros em 2025.
Um dos segmentos elencados por Fernando Nunes para esse ano é o de pagamentos por aproximação (NFC). De acordo com o representante da fintech, o aumento na utilização de smartphones e wearables (como relógios inteligentes e pulseiras) com tecnologia NFC está transformando os pagamentos por aproximação em uma prática comum e preferida pelos consumidores. A conveniência de simplesmente aproximar o dispositivo do terminal de pagamento, sem a necessidade de inserir cartões ou senhas, reduz o tempo nas filas e melhora a experiência de compra. Essa tendência também traz mais segurança, com autenticação por biometria e criptografia.
Apesar das polêmicas envolvendo a MP, o crescimento dos pagamentos instantâneos, como o Pix, continua no radar de Fernando Nunes. O que, segundo ele, demonstra uma mudança no comportamento financeiro, onde consumidores e empresas preferem transações em tempo real.
“Em 2025, o Pix deverá se expandir ainda mais, impulsionado pelas atualizações planejadas pelo Banco Central, que já introduziu novas funcionalidades, como o Pix Saque e o Pix Troco. Espera-se que novas funcionalidades, como o pagamento por aproximação e o agendamento de transações recorrentes, ampliem as aplicações do Pix no comércio”, justifica.
Ele também destaca que o aumento da aceitação de criptomoedas como forma de pagamento em estabelecimentos comerciais e plataformas online tem se tornado cada vez mais comum, caso do supermercado do Rio que fechou uma parceria com a Transfero e começou a aceitar pagamentos com criptomoedas em dezembro.
“Espera-se que mais empresas ofereçam essa opção, motivadas pelo aumento no interesse por cripto ativos e pelo avanço regulatório que deve trazer maior segurança para transações com criptomoedas”, salienta.
Na mira do executivo está o crescimento das aplicações envolvendo inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina. O que, segundo ele, possibilita a personalização das experiências de compra e aprimora a segurança das transações. E torna possível analisar dados em tempo real para identificar padrões de consumo, recomendar produtos e serviços específicos e prever tendências de compra.
“Na área de segurança, a IA será crucial para detectar fraudes de maneira mais eficiente, monitorando comportamentos incomuns e bloqueando transações suspeitas automaticamente. Em 2025, essas tecnologias serão fundamentais para instituições financeiras e varejistas, que buscarão oferecer uma experiência cada vez mais segura e direcionada ao perfil do consumidor”, enfatiza.
Outro segmento que deve crescer em 2025 é o de soluções "Compre Agora, Pague Depois" (BNPL, na sigla em inglês). Para o CEO da Transfeera, o BNPL permite aos consumidores parcelarem suas compras sem juros, o que torna produtos e serviços mais acessíveis, especialmente para pessoas sem cartões de crédito ou com orçamento limitado. Este modelo já é popular entre as fintechs e vem sendo adotado também por grandes bancos e varejistas. Em 2025, o BNPL deverá se consolidar ainda mais, com plataformas integradas diretamente em aplicativos de compras e soluções bancárias.
Os setores mais impactados por essas tendências serão o varejo e o e-commerce, que exigem rapidez e flexibilidade nos pagamentos, e o setor financeiro, com as fintechs desafiando bancos tradicionais, segundo ele.
"Turismo e entretenimento também se beneficiarão com a conveniência dos pagamentos instantâneos e BNPL, que podem estimular o consumo. Para conquistar a confiança dos consumidores, as empresas precisam assegurar conformidade com regulamentações de dados e investir em segurança”, finaliza.
O Bradesco também está de olho em novas soluções. No final do ano passado, o banco anunciou as primeiras remessas internacionais via stablecoin, ao qualificar a utilização de blockchain como um “caminho sem volta”, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.