O presidente da república do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido), usou o Bitcoin (BTC) para criticar as gestões passadas da Fundação Nacional do Índio (Funai).
Em entrevista à rádio 96 FM de Natal, Bolsonaro confessou sua ignorância com relação à maior criptomoeda do mercado. Depois, atacou a Funai dizendo que as gestões passadas "destinaram R$ 50 milhões para o índio mexer com Bitcoin", sem dar mais detalhes:
“Vou fazer uma pergunta pra você: sabe mexer com Bitcoin? Não? Eu também não. E acredito que 99% de quem está nos assistindo também não. A Funai, quando assumimos a transição, tinha destinado R$ 50 milhões para o índio mexer com Bitcoin. A grande parte, com todo respeito, não sabem nem o que é dinheiro”
O atual presidente da república, apesar de não especificar o objeto de sua crítica à Funai, pode estar se referindo a um projeto do governo Michel Temer, no fim de 2018, que previa um contrato de R$ 44 milhões com a Universidade Federal Fluminense (UFF) para a criação de uma criptomoeda para os povos indígenas - sem qualquer relação com o Bitcoin.
O dinheiro seria usado para financiar 16 serviços, incluindo um banco de dados de terras indígenas e um mapeamento da situação dos povos indígenas, mas nunca saiu do papel. Em 2019, a ministra Damares Alves anunciou que barrou a licitação e em 2020 a Funai - hoje controlada por militares - encerrou a parceria com a UFF.
O suposto erro de Bolsonaro já foi cometido por outros membros da família presidencial. O vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro também tuitou sobre o tema em 2019, também citando o Bitcoin em vez da criptomoeda prevista no projeto:
A Ministra @DamaresAlves bloqueia dezenas de milhões em bitcoins destinados para órgãos governamentais ligados a FUNAI no RJ, revela suspeitos destinos de bilhões envolvendo a saúde indígena. Inescrupulosos ainda podem estar de olho em desvios de dinheiro público. pic.twitter.com/xIeSBsxo2W
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) March 10, 2019
O governo Bolsonaro tem recebido críticas por sua atuação em defesa das populações indígenas, por supostamente estimular invasões de grileiros e madeireiros e desmontar a fiscalização de crimes em terras protegidas.
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