Os venezuelanos começaram a usar o Petro, a criptomoeda emitida pelo Governo da Venezuela e que, desde o seu anúncio, em 2017, sempre levantou dúvidas quanto a legitimidade do projeto e até mesmo a capacidade do governo de prover liquidez, em petróleo, ao ativo digital.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, concedeu um bônus de natal para todos os funcionários públicos e aposentados, que foi pago em Petro. No total cada um dos beneficiados recebeu 0.5 Petro o que, na cotação atual, equivale em torno de US$ 30, um valor considerável em uma economia que, segundo o Fundo Monetário Internacional, sofre com mais de 200.000% de inflação.

No entanto, segundo a Associated Press, que esteve na Venezuela acompanhando os beneficiários do Petro, o criptoativo ainda é uma novidade e nem todos os locais aceitam a criptomoeda e, naqueles que aceitam, o dificuldade para realizar os pagamentos acaba gerando filas e descontentamento.

“É uma humilhação. O governo zomba das pessoas e principalmente de nós, os idosos. Não podemos ficar na fila por cinco, seis, sete horas”, reclama a aposentada Leonor Díaz que passou cinco horas na fila do supermercado para poder pagar com o Petro.

De acordo com a AP, pagar com o Petro ainda é muito complicado e, principalmente para aposentados e para os mais velhos, pois as wallets e processadores de pagamento usam apenas dois sistemas, um biométrico, com impressão digital ou por um aplicativo no celular, contudo, os processadores de pagamento sempre apresentam problemas.

"O aplicativo é muito complicado", diz Doris Lozada, uma funcionária pública de 55 anos, que tentava comprar calças e comida com o Petro.

Segundo dados oficiais, apenas 4.800 empresas em toda a Venezuela têm os terminais necessários para o Petro. Porém apesar dos 'problemas' há quem esteja otimista com a iniciativa, como o venezuelano Rafael Espinoza, um aposentado de 66 anos.

“O petro é bom. Agradeço ao nosso presidente”, diz ele.

Enquanto Maduro luta para que o Petro seja aceito internamente, no cenário internacional a proposta não tem sido 'levada a sério' e já foi proibida nos EUA e para empresas americanas ou que negociam com os americanos. Maduro também tentou, sem sucesso, emplacar o criptoativo em organizações multilaterais como a OPEP.

Como noticiou o Cointelegraph, a Venezuela planeja apoiar sua criptomoeda nacional atrelada ao petróleo, o Petro (PTR), com 30 milhões de barris de petróleo bruto. O presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou que os estoques de petróleo estão nos tanques de armazenamento do país e estão prontos para comercialização imediata, para servir como "apoio líquido, físico e material" para o Petro..

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