O CEO da exchange brasileira Mercado Bitcoin, Reinaldo Rabelo, escreveu um artigo para o Blog do Fausto Macedo, do portal do Estadão, falando sobre o mercado de Bitcoin, a sandbox da CVM, e as relações da indústria com o mercado financeiro no Brasil.
Segundo Rebelo, "há mais investidores do que na bolsa no Brasil" e o número de adotantes de criptomoedas no país só tende a aumentar:
"Há mais investidores de criptomoedas do que na bolsa, no Brasil. Somente no Mercado Bitcoin, a maior exchange da América Latina, são dois milhões de clientes individuais. E esse volume tende a aumentar, dado que ainda estamos no início da jornada cripto, que ganhou tração apenas no final de 2017."
Ele destaca a entrada de grandes players do mercado financeiro como ICE/NYSE, CME, JP Morgan e Bloomberg, que investem no setor.
No Brasil, os fundos de investimentos de criptomoedas estão disponíveis em corretoras do mercado financeiro. Ele destaca a fala de Luis Stuhlberger, da Verde Asset, que disse que o Bitcoin deve ser um dos "grandes vencedores" da crise econômica.
Ele então lembra que no mercado brasileiro as exchanges atuam sob uma zona regulatória difusa, com os órgãos reguladores muitas vezes atuando para conter a inovação e proteger bancos e sistema financeiro:
"O que se esconde por trás dessa estratégia é a tentativa de blindagem através de regulação que favoreça quem já domina o mercado; que exija que todo e qualquer novo negócio se adeque à estrutura que construíram ao longo de anos. Mesmo assim, pela força do empreendedor brasileiro, algumas exchanges prosperaram e conseguiram se estabelecer. Agora, com a abertura do sandbox da CVM, terão a oportunidade de propor melhorias, como a listagem de security tokens nas plataformas de negociação que hoje somente podem negociar aqueles ativos digitais que não têm natureza de valor mobiliário."
Rabelo defende que o mercado à vista seja "mais simples, transparente e barato", reduzindo intermediários para atrair investidores, mantendo as opções de investimentos mais complexas para os players tradicionais.
E completa o artigo:
"Tal qual o Banco Central, a CVM tem observado melhor o ecossistema de inovação, ciente de que a evolução do mercado de capitais exigirá que tenhamos competição. A evolução das regras de crowdfunding, a atualização da ICVM 461 e, agora, o sandbox regulatório são a melhor oportunidade para sairmos da dependência do monopólio atual."
LEIA MAIS
- Cameron Winklevoss sobre regulação cripto: “liberdade para todos não funciona"
- Pensa que existem apenas 21 milhões de Bitcoin? Pense de novo, diz Weiss Ratings
- Huobi agora permite compras de criptomoedas com cartões de crédito e débito através do Simplex
- China assina acordo com o Banco Central de Hong Kong para acelerar o uso da blockchain
- Bônus de Natal? Maduro promete distribuir criptomoedas para 8 milhões de venezuelanos
- Ex-COO do PayPal: Bitcoin e Criptos Cumprindo Nossa Visão Original
- Desenvolvedor do BitTorrent afirma que a resistência ao ASIC é 'um sonho e uma péssima idéia'