O Country Manager da Atlas Quantum na Argentina, Lautaro Rodriguez Barreiro, declarou que os bancos estão “dormindo” no que se refere a inovação tecnológica proposta pelas criptomoedas, segundo entrevista exclusiva dada ao Cointelegraph em Espanhol.
Na conversa, Barreiro destacou que os bancos tradicionais não têm as criptomoeads como parte de seu futuro e, no máximo, os bancos tentar adaptar as novas tecnologias para suas aplicações "passadas" e não pensam no desenvolvimento de novas aplicações.
“Eles estão ‘dormindo’. Tentam adaptar o antigo para o novo, ao invés de pensar com a nova mentalidade a partir do zero. Um exemplo claro é o dos telefones celulares: quando os telefones passaram de telefones fixos para celulares, inicialmente eram semelhantes aos telefones fixos, então evoluíram e tiveram vida própria. Hoje, o telefone fixo perdeu seu significado na grande maioria dos casos. Olhando para o longo prazo, acho que é isso que acontecerá se os bancos não chutarem o placar e começarem a pensar no futuro. Indo para o plano operacional há alguns bancos que são mais amigáveis”, disse.
O executivo do setor de criptomoedas também comentou sobre o Libra, do Facebook, e destacou que tanto o sucesso quanto o fracasso do projeto irão beneficiar a indústria das criptomoedas.
“Libra causa interesse porque quem lidera a iniciativa é o Facebook, que também é o Instagram e o WhatsApp, além de todas as outras empresas que fazem parte da associação. As stablecoins hoje já existem, mas o Facebook tem algo que o mundo da criptografia procura: bilhões de usuários. Libra, além da controvérsia que gera se é realmente uma criptomoeda ou não por definição, na minha opinião pode acelerar a criptografia de adoção global exponencialmente removendo o atrito que existe hoje para entrar. Você tem que ver como evitar a censura ou regulação, porque por não ser descentralizada é mais fácil para os governos controlarem isso", disse, antes de completar:
"Acredito que tanto o sucesso quanto o fracasso de Libra, devido a questões regulatórias, serão benéficos para o ecossistema de criptografia”.
O gerente da empresa de investimentos também afirmou que as criptomoedas parecem ter sido "criadas" para a América Latina, devido ao histórico da região com governos contestados e instabilidade econômica.
“Parece que as criptomoedas foram criadas para nós [América Latina]. Na maioria dos países da região, a confiança no sistema financeiro tradicional está no chão, e não por causa disso, mas por causa de nossa história. Nas criptomoedas a confiança não é colocada em instituições, mas na blockchain, que é inalterável e tem regras claras que não mudam. Isso, somado à depreciação das moedas locais, é algo que considero extremamente interessante para a região”.
O Brasil é um exemplo do que diz o executivo. Além da crise econômica, os recentes escândalos de corrupção e disputas eleitorais provocaram a queda de um presidente, eleições conturbadas e escolha de um presidente que se apresentava disposto a fazer "uma nova política".
O presidente do país, Jair Bolsonaro, aliás, afirmou recentemente, como mostrou o Cointelegraph, que "não sabe o que é Bitcoin".