Um relatório publicado pelo portal Cointrademonitor, um dos maiores agregadores de valor do Bitcoin do Brasil, revelou que a Binance superou todas as demais exchanges do país e se tornou, no mês de março, a exchange com o maior volume de negociações do país.
Segundo o portal, todas as informações de volume foram coletadas diretamente das exchanges através API.
No total, as empresas que negociam Bitcoin no Brasil informaram ter negociado cerca de 24.183,27 Bitcoins no mês de março, valor equivalente a aproximadamente R$ 7.485.732.306,94.
No mês a exchange com maior volume foi a Binance, tendo negociado 5.541,97 Bitcoins, correspondendo a 22,92% do mercado.
"Vemos isso como uma coisa natural, foram apenas os primeiros passos no Brasil. Com poucas ações, o mercado já respondeu, e isso é extremamente positivo. Sabemos que a Binance se destaca por uma variedade e solidez de produtos e isso é um diferencial no mercado. Acreditamos que a tendência é que, com mais recursos, esforços e estrutura, aliados às melhores taxas e serviços que oferecemos, a Binance irá ainda mais longe. O mercado cripto está crescendo e isso é bom para o ecossistema como um todo", afirmou a Binance ao Cointelegraph.
No entanto, apesar das empresas de Bitcoin no Brasil terem movimentado mais de R$ 7 bilhões no mês, segundo o Cointrademonitor, houve uma retração 33,1% do volume de Bitcoins movimentado de Fevereiro (36.168,66 Bitcoin) para Março. No entanto, se o volume em Reais for analisado, houve uma retração de 18,8%.
"Se comparado a outros anos, o volume de Bitcoins negociados foi 1,4% inferior ao volume de março de 2019 e 43% inferior ao volume de março de 2020. Apesar disso, se a análise for feita baseada no volume negociado em Reais, houve um aumento de impressionantes 449% em relação a março de 2020, pois o volume negociado neste mês foi de R$ 1.361.912.612,78 (1,3 Bi)", afirma o relatório.
Binance no Brasil
A atuação da Binance no Brasil tem gerado críticas de outras empresas pois, segundo elas, a exchange não cumpre as leis brasileiras e com isso, em tese, estaria ilegal no país.
Nesta linha a ABCripto, Associação Brasileira de Criptoeconomia, vem liderando um movimento com denúncias sobre a atuação da Binance.
As denúncias foram encaminhadas no início do mês ao Banco Central do Brasil (Bacen), ao Ministério Público Federal (MPF) e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A ABCripto informa que tem acompanhado “de forma próxima e com preocupação o desenvolvimento de atividades, no Brasil, da empresa ´Binance Futures´, sediada em Malta”. Segundo a associação, a Binance não tem autorização para funcionar como instituição financeira e instituição de pagamento no país.
A ABCripto pede que Bacen, MPF e CVM fiscalizem a corretora e seus supostos representantes legais.
“O que se nota é que há um preocupante desprezo pelo cumprimento das normas brasileiras que regem o bom funcionamento do mercado financeiro e de capitais, o que coloca em risco investidores e a credibilidade de órgãos reguladores e autorreguladores. Notícias no exterior dão conta de que isto parece ser uma estratégia deliberada da empresa, o que agrava ainda mais esta preocupação”, frisa Rodrigo Monteiro, diretor-executivo da ABCripto.
Ele explica ainda que as denúncias visam a “impedir que desvios de conduta gerem riscos moral e reputacional que afetem o mercado como um todo.”
Em sua defesa, a Binance alegou que as acusações da ABCripto são infundadas e incorretas.
"A Binance é a maior corretora de criptomoedas do mundo em volume e opera globalmente levando os benefícios da tecnologia blockchain a milhões de seus usuários em todo o globo. As acusações apresentadas são infundadas e incorretas e são anticoncorrenciais por natureza. A Binance reservará todos os seus direitos legais para tomar outras medidas para proteger sua reputação. A Binance sempre trabalhou com reguladores em todo o mundo neste mercado em rápido desenvolvimento e está empenhada em continuar a fazê-lo daqui para frente", pontuou.
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