Em entrevista concedida ao Cointelegraph Brasil, o rapper brasileiro Rappin Hood revelou que deverá anunciar em breve o lançamento de seu novo álbum “Os dez mandamentos”, e que vai tokenizar os royalties musicais de canções do álbum e também lançar tokens não fungíveis (NFTs) pela plataforma Tune Traders.

O compositor disse na entrevista que a música e a periferia precisam estar presentes no universo dos criptoativos e acrescentou que também pretende migrar para o metaverso. 

É um álbum diferente na minha vida, a primeira vez que eu foquei em fazer um álbum temático, um álbum com assunto determinado, não é um álbum gospel, eu falo desses assuntos na forma das ruas, na forma Rap de ser. Por exemplo: “Não cobiçai a mulher do próximo”, o nome da música é “Ela não é mina pra você”. E assim eu vou falando sobre sistemas, tenho já o primeiro single de lançamento preparado, que é o mandamento “Não furtarás”. Já temos o vídeo do clipe feito pelo cineasta Marcelo Botta e sua parceira. O disco foi produzido por mim e pelo maestro Rildo Hora, os sambas com Rap e a faces, os beats eletrônicos, eu fiz junto com o pianista Renato Neto, que é o brasileiro que trabalhou com o Prince durante 20 anos e eu estou muito feliz de lançar este trabalho, de estar nesta nova fase mercadológica da música, lançar usando os tokens, as criptomoedas, e também lançar na forma mercadológica que eu conheci, o vinil, o CD, representar o Hip Hop.

Rappin Hood afirmou que pretende usar os criptoativos como forma de expandir o alcance de sua obra, mas também defendeu a tokenização musical como forma de otimização de recebimento dos direitos autorais dos artistas. 

Eu sou um cara que gosta de saber, de entender tudo que tem de novo, e eu entendi que esse novo formato, esse novo mundo, de NFTs, de tokens, é o futuro, né cara? E o Hip Hop tem que estar inserido, eu estou louco pra ver como vai ser, quando eu criar o metaverso do Hood, é esse o caminho, né? Eu, como compositor, vejo uma possibilidade muito bom de ganho para os compositores e até de um recebimento mais rápido. Às vezes, o que o cara ia esperar dez anos para receber, de repente ele pode conquistar de forma mais rápida e poder usar isso no seu próprio trabalho, investir nas suas músicas, enfim, acho legal isso.

O artista disse que o mercado de criptoativos ainda é desconhecido no rap nacional, mas ressaltou que acredita ser inevitável a entrada de outros artistas no sistema de tokenização: 

Eu nunca conversei com ninguém do Hip Hop sobre este formato, não vi também ninguém do Hip Hop lançando coisas neste formato ainda. Mas eu creio que a partir do momento que forem acontecendo lançamentos de trabalhos de rappers neste sentido, outros rappers vão vir entrando, vão vir fazendo, eu acho que vai ser natural, vai ser normal outros rappers entrarem nesse mundo.

Finalmente, ele defendeu as criptomoedas afirmando que elas também representam um novo espaço para as periferias:

Eu vejo as pessoas já começando a entrar nesse mundo, a periferia começando a entrar nesse mundo, parceiros se juntando pra comprar Bitcoins, parceiro falando em Ethereum, as novas moedas, de investir nisso, percebi também que os tokens podem ser um novo formato dessa rapaziada, não é algo impossível para a periferia, para tokens de R$ 50 ou R$ 100, não seria algo impossível, fazer sucesso nesse mundo, na periferia. Acho que a periferia arruma forma de se inserir, começa pequeno e vai galgando os espaços, e não vai ser diferente nesse universo do metaverso, dos NFTs, dos tokens, das criptomoedas. Eu acho que a periferia também vai se inserir nesse contexto, com certeza e com força, porque tudo que o jovem de periferia busca e o jovem preto no Brasil busca é o crescimento, a informação. Então não vai ser difícil o povo de periferia, o povo preto, o povo pobre se inserir nisso.

A Tune Traders, plataforma de tokenização de royalties musicais, foi lançada no Brasil no começo de março, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil

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