Diretora da QuadrigaCX pede ao tribunal para nomear o chefe de reestruturação

Jennifer Robertson - a atual diretora e viúva do fundador da exchange canadense QuadrigaCX, pediu a um tribunal canadense para nomear um diretor de reestruturação (CRO) para lidar com os procedimentos após o controvertido fechamento da exchange.

Em um depoimento arquivado no Supremo Tribunal da Nova Escócia, em 25 de fevereiro, Robertson solicitou ainda que o tribunal conceda uma suspensão da extensão do processo do atual período de proteção ao credor.

Como relatado anteriormente,Gerald Cotten, de 30 anos, morreu em dezembro de 2018. Naquela época, a exchange informou que não podia acessar suas carteiras frias, pois Cotten supostamente era a única pessoa com acesso às chaves das carteiras.

Com as criptos supostamente inacessíveis a QuadrigaCX agora deve mais de US$ 198,4 milhões para cerca de 115 mil usuários. QuadrigaCX entrou com pedido de proteção de credor em 1 de fevereiro, nomeando a empresa de auditoria Big Four EY para lidar com os processos.

Em seu depoimento à Suprema Corte, Jennifer Robertson descreveu que, após a morte do marido, ela assumiu o cargo de diretora da QuadrigaCX ao lado de Tom Beazley e Jack Martel - porém segundo ela, Jack Martel renunciou no início deste mês. Ela continuou:

“Os dois diretores restantes, eu e Tom Beazley, não temos experiência significativa no setor de criptomoedas e nenhuma experiência com uma empresa insolvente. Além disso, a atenção do público que meu papel como diretora trouxe é indesejada, e comentários online que eu vi sugeriram que eu, em particular, estou tentando esconder ativos ou estou agindo de forma contrária aos melhores interesses da empresa, o que não é verdade."

Robertson, portanto, solicitou que Peter Wedlake, vice-presidente sênior e sócio da consultoria Grant Thornton, entrasse em cena para cumprir o papel de reestruturação.

No seu pedido de prorrogação do período de proteção do credor - que foi concedida em 5 de fevereiro, em conformidade com a lei de acordos de credores das empresas do Canadá - Robertson afirmou que os diretores precisam de mais tempo para recuperar os ativos da QuadrigaCX. Peritos forenses da  EY, processadores de pagamento e bancos também disseram que precisam de mais tempo para o processo.

Ela argumentou que, se a prorrogação não fosse concedida, as partes envolvidas não poderiam concluir sua investigação, o que "seria [...] prejudicial para todos os [...] interessados, assim como encerraria quaisquer discussões sobre a possível venda. [...] da plataforma de negociação [Quadriga]”.

Segundo recente relato, os bancos canadenses mostraram hesitação em relação à administração dos fundos da QuadrigaCX, alegando preocupações com a incerteza de sua origem. Um advogado representando a EY ecoou a posição dos bancos, mencionando as supostas questões de lavagem de dinheiro.