Uma matéria do Domingo Espetacular, da TV Record, revelou no último domingo que o esquema de pirâmide financeira com Bitcoin da D9 Trader, de responsabilidade do hoje foragido Danilo Santana, que está em Dubai, nos Emirados Árabes, levou a uma série de assassinatos do sul do Brasil.

A série de assassinatos também foi noticiada pelo Cointelegraph Brasil, e ocorreram em 2019 e 2020.

Em agosto de 2019, um dos líderes da D9 Trader, Márcio Rodrigues dos Santos, foi assassinado em um posto de gasolina em Balneário Camboriú, Santa Catarina. 

Um dos suspeitos do assassinato era Maurício Antônio Pastorio Dalpiaz, também líder da D9 Trader. Dialpiaz, por sua vez, foi morto por um pai e um filho da mesma família que teriam caído no golpe da pirâmide financeira.

Segundo o Domingo Espetacular, Danilo Santana e a D9 Trader prometiam ganhos de até 400% nos investimentos em Bitcoin, mas não passava de uma pirâmide financeira, com os clientes sendo estimulados a trazerem novos investidores.

Uma das vítimas, a microempresária Maria Rozinete investiu R$ 20.000 e nunca conseguiu sacar da empresa. Ela diz que teve que vender parte de uma loja para cobrir o prejuízo: "Fui ingênua", sentencia.

27 pessoas foram denunciadas pela Polícia Civil, com Márcio Rodrigues dos Santos tendo sido preso por uma operação contra a D9 Trader em Sapiranga (RS). Depois de solto, ele teria "sumido" do Rio Grande do Sul e morava em Balneário Camboriú.

Segundo o delegado da cidade, ele teria marcado de encontrar supostos investidores, que participariam um esquema parecido com a D9 Trader. Ele, porém, teria sido alvo de uma emboscada de criminosos. O carro do ex-líder da D9 Trader foi encontrado carbonizado e seu corpo estava no porta-malas.

Maurício Dalpiaz, também ex-líder da D9 Trader, e outro investidor prejudicado pela empresa teriam trocado mensagens com Márcio dos Santos no dia do crime. Ambos foram presos acusados do assassinato, mas acabaram culpando um ao outro em depoimento à polícia.

A Justiça autorizou Dalpiaz a responder o processo em liberdade. Um dos delegados do caso diz que ele seria "discípulo" de Márcio, e passou então a aplicar o mesmo golpe no Rio Grande do Sul.

Em 7 de janeiro de 2020, Dalpiaz foi cobrado por credores e teria sumido depois de encontrar dois deles. Dias depois, seu corpo foi encontrado em um matagal.

A polícia então identificou o carro usado no dia do sumiço como sendo de Yuri Geringer de Arruda, que também trabalhava com Dalpiaz em outra empresa, chamada One Seven.

Yuri e seu pai, Israel de Arruda, foram identificados em vídeo levando Dalpiaz em um carro branco no dia do desaparecimento dele. Ambos confessaram o homicídio à polícia e justificaram o assassinato por terem sido prejudicados financeiramente por Dalpiaz.

Enquanto isso, o mentor do esquema, diz a TV Record, Danilo Santana, teria lucrado pelo o menos R$ 200 milhões com a pirâmide. Ele fugiu para Dubai antes do esquema estourar e lançou uma duvidosa carreira musical nos Emirados Árabes sob o codinome "Dudu Dubaiano".

Ele é considerado foragido da Justiça brasileira, acusado de estelionato, formação criminosa e lavagem de dinheiro.

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