O Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil, deu mais um importante passo para 'acabar' com as transações de TED e DOC e 'reinar' absoluto como principal sistema de transferência de valores no país.

Isso porque o BC anunciou uma mudança no sistema, estabelecendo que os limites máximos do Pix deverão ser iguais aos da transferência eletrônica direta (TED).

Além disso, segundo o BC, para compras, passará a valer o limite máximo do cartão de débito. Até agora, as instituições financeiras fixaram o teto de envio do Pix com base num percentual do limite diário e mensal para a TED ou para a compra no cartão de débito.

No entanto, a norma no BC pode não ser totalmente seguida pelos bancos pois as instituições financeiras é que definem os valores máximos de movimentação para seus correntistas, com base no horário, o dia da semana, o canal usado e a titularidade da conta, com o objetivo de garantir a segurança do usuário.

Segundo o BC, os valores máximos continuarão a ser estabelecidos pelos bancos, o que mudou foi a compatibilidade do limite com as quantias fixadas para a TED e a compra no débito.

A qualquer momento, esclarece o BC, o correntista pode pedir para mudar os limites atuais de movimentação. Se for para reduzir, a instituição financeira é obrigada a acatar o pedido instantaneamente. O aumento do limite fica a critério da instituição, após avaliação do perfil do cliente.

PIX já supera TED e DOC

Embora o Pix tenha sido recebido com certo receio pela população, as funcionalidades do sistema cairam no gosto dos clientes e em janeiro de 2021 o PIX se tornou o principal meio de transferência de valores entre instituições financeiras e superou todas as transações de TED e DOC somadas.

Assim, segundo dados do BC, de 01 a 25 de janeiro o número de transações realizadas com o PIX foi de 133.879.584 enquanto a soma das operações feitas usando TED e DOC ficou em 113.622.380.

A tendência do PIX em superar as operações de TED e DOC já vinha sendo mapeada pelo Banco Central desde o lançamento oficial do sistema que viu o número de operações mais que triplicar de novembro a dezembro do ano passado.

Segundo destacou o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, durante uma apresentação em um webinar promovido pelo Observatory Group, enquanto em novembro as operações com TED representavam mais de 60% das operações financeiras no SFN, em dezembro este número caiu para 47% tendo o PIX saído, no mesmo período de 21% para mais de 30% das operações.

"Apesar do pouco tempo, já é possível afirmar que o Pix é um sucesso! Os sistemas providos pelo BC estão plenamente operantes e estáveis desde o primeiro dia de operação; já existem 738 instituições aptas a ofertar o Pix aos seus clientes e outras tantas no processo de adesão, a adoção da população superou as expectativas e o uso pelas empresas vem crescendo a cada semana. Os números mostram que o Pix está ampliando seu uso a cada semana e já é bastante conhecido pelos brasileiros, já sendo uma opção efetiva de meio de pagamento.", declarou o BC.

Moeda Digital

Entre as funcionalidades que o BC planeja para o PIX está a integração de uma Moeda Digital do Banco Central, a CBDC.

Segundo o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, a proposta segue a linha da digitalização da economia, além de aumentar a rastreabilidade do dinheiro e de ter um sistema mais seguro e mais inclusivo.

"O projeto de um CBDC para o Brasil combina com várias iniciativas, uma é de aperfeiçoamento do câmbio, outra é do Pix, para ter a experiência de pagamentos instantâneos e de criação de novos modelos de negócios. O Open Banking vai poder usar toda a informação do cliente na busca do desenvolvimento de novos produtos financeiros e custos mais baratos, ou seja, o cliente vai usar a informação para o seu benefício e nessa esteira de inovação nós já iniciamos o estudo para emissão de uma moeda digital", já declarou o presidente.

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