Nesta segunda, 01 de fevereiro, o Banco Central do Brasil, BCB, anunciou o lançamento oficial da primeira fase do Open Banking, sistema de integração de dados que permitirá aos brasileiros ter acesso a serviços financeiros de todas as instituições do país abrindo apenas uma conta.
Presente no lançamento, que foi realizado virtualmente pelo canal do BCB no youtube, o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, destacou que a iniciativa, aliada a outras presentes na Agenda BC#, como o Pix e a criação de uma versão digital para o Real, fazem parte da criação do Sistema Financeiro do Futuro.
"A implementação do Open Banking (Sistema Financeiro Aberto) é uma das iniciativas dessa agenda mais ampla que visa criar o que temos chamado de “sistema financeiro do futuro”", destacou Campos Neto.
Campos Neto destacou ainda que um importante objetivo da atuação do BCB é tornar o Sistema Financeiro Nacional mais eficiente, moderno e promover a democratização dos serviços financeiros através da tecnologia.
Além da implementação de soluções tecnológicas o BC também vem trabalhando para implementar um nova lei cambial por meio da aprovação do PL 5387/2019
"Este projeto de lei tem por objetivo instituir um marco legal moderno, conciso e juridicamente seguro para o mercado de câmbio e para os investidores estrangeiros no Brasil e brasileiros no exterior, facilitando as conexões com os sistemas de pagamento dos outros países", ressaltou.
Open Banking
Sobre o Open Banking, Campos Neto destacou que o sistema parte do pressuposto que o consumidor é titular de seus dados cadastrais e financeiros, e que pode transferir essas informações que lhe pertencem para outra instituição, a qualquer momento, em busca de melhores produtos ou serviços a preços mais baixos.
Ainda ressaltou que a disponibilização de dados por parte dos consumidores gera um valor para as instituições financeiras, em termos de informação e com a implementação do Open Banking, uma parte desse benefício será revertido para quem disponibiliza os dados, ou seja, para os próprios consumidores.
Campos Neto também frisou que o Open Banking permitirá a integração de serviços financeiros às diferentes jornadas digitais dos clientes, facilitando a contratação de produtos e serviços financeiros em ambientes mais convenientes para o consumidor, de forma ágil e segura.
Além disso deve aumentar a transparência e diminuir as barreiras à entrada no sistema financeiro, "favorecendo um ambiente de negócios mais inclusivo".
"(O Open Banking vai permitir) a entrega de serviços customizados aos diferentes perfis de clientes, levando em consideração os interesses, objetivos e necessidades de cada público; além do surgimento de novos modelos de negócios e novas formas de relacionamento entre as instituições participantes, seus clientes e parceiros", frisou.
Moeda Digital para o Brasil
Embora Campos Neto não tenha abordado a emissão de uma moeda digital para o Brasil durante o evento, o presidente já afirmou que o Brasil terá um CBDC como parte dos desenvolvimentos de Pix e Open Banking.
Segundo ele, segue a linha da digitalização da economia além de aumentar a rastreabilidade do dinheiro e de ter um sistema mais seguro e mais inclusivo.
"O projeto de um CBDC para o Brasil combina com várias iniciativas, uma é de aperfeiçoamento do câmbio, outra é do Pix, para ter a experiência de pagamentos instantâneos e de criação de novos modelos de negócios. O Open Banking vai poder usar toda a informação do cliente na busca do desenvolvimento de novos produtos financeiros e custos mais baratos, ou seja, o cliente vai usar a informação para o seu benefício e nessa esteira de inovação nós já iniciamos o estudo para emissão de uma moeda digital", já declarou o presidente.
Citando experiências de CBDC em outras nações, Campos Neto declarou que a intenção de um CBDC no Brasil é substituir o uso do dinheiro físico, com um todo.
"É uma moeda digital que entendemos que vai se estender e vai substituir a moeda física aos poucos", afirmou em dezembro do ano passado.
Campos Neto também declarou que isto não significa que um CBDC vá substituir o Real 100% de uma só vez.
"Nos estamos avançando no caminho de ter uma moeda digital , de ter um processo mais digital ,isso não significa que vai substituir a moeda física 100% nesse momento, isso não significa que existe um intuito de fazer de uma forma diferente , só para câmbio ou só para um produto. Não. O intuito é ter uma moeda digital como um todo. É ter o Real digitalizado", disse.
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