O PIX, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil pode ajudar a incluir 45 milhões de brasileiros no sistema financeiro digital.

Atender os "desbancarizados" é uma demanda latente de fintechs e empresas de Bitcoin e criptomoedas.

Assim, o PIX pode ser um grande alidado nesta "missão".

Atualmente há no país cerca de 45 milhões de pessoas sem acesso a conta bancários e serviços financeiros.

Desta forma, estas pessoas, com o PIX, poderiam ser integradas a este novo sistema digital.

Essa é a avaliação de  Leandro Vilain, diretor executivo de Inovação, Produtos e Serviços Bancários da FEBRABAN.

“Um sistema de pagamento que funciona 24/7, em questão de segundos, vai incentivar pessoas que por algum motivo não têm necessidade de ter uma conta bancária”, afirmou.

"Fim do Dinheiro"

Como destacou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o PIX também pode desestimular o uso do dinheiro físico já que todas as transações serão digitais, baratas e em tempo real.

Neste sentido, uma pesquisa realizada pela Visa sobre pagamentos digitais mostrou que sua utilização acaba aumentando o PIB da nação.

Assim, a pesquisa projetou que se toda a população da capital de São Paulo alcançasse o mesmo nível de uso de pagamentos eletrônicos dos 10% com maior utilização, o benefício líquido anual para a cidade poderia chegar a US$ 11 bilhões.

Portanto, segundo a Visa, em 15 anos, isso traria um aumento de 0,23% para o PIB paulista.

Além da criação de 106 mil novos postos de empregos formais.

Dados são o novo petróleo

Porém, para o economista Arthur Mota, da Exame Research, tanto o PIX como o Open Banking, outra iniciativa do Banco Central, criaram novas oportunidades de negócios.

Estes novos negócios serão impulsionados pelos dados dos usuários.

“É todo um mundo que se abre. Com o PIX e open banking é possível que apareçam novas oportunidades de negócios por conta da imensidão de dados que podem surgir. Os dados são a grande commodity da década e, somado ao cadastro positivo por exemplo, podem inclusive desaguar em melhorias no mercado de crédito brasileiro”, disse.

Imposto

Porém, para o ex-presidente do Banco Central do Brasil, Ilan Goldfajn, o PIX pode ter um entrave.

Portanto, segundo ele, o novo imposto proposto pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, pode "travar" o sistema de pagamentos instantâneos do BC, o PIX.

A "nova CPMF" como vem sendo chamada pretende, entre outros, criar um imposto para transações digitais.

"O único risco que a gente vê (no sistema de pagamentos instantâneos) é ter um imposto sobre transações. Aí a coisa do digital pode ter um percalço. Vendo de fora é mais fácil comentar", disse Goldfajn

Com imposto ou sem ele, o PIX vai entrar em operação em novembro, declara o Banco Central.

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