As criptomoedas representam mais uma engrenagem na engenharia financeira construída pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa paulista, em suas transações envolvendo o tráfico internacional de drogas, em especial para a Europa, onde o PCC aparece como principal fornecedor de cocaína. O Velho Continente é a base do principal parceiro comercial do grupo brasileiro, a Ndrangheta, máfia da Calábria (Itália).
É o que revela uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que estima um lucro anual de R$ 1 bilhão do PCC, arrecadação que levou a facção à modernização de suas formas de blindagem financeira nos dois últimos anos. O que também envolve recebimento em dólar-cabo, que é um câmbio informal e de forma casada envolvendo doleiros do Brasil e do exterior, além de investimentos em imóveis, fazendas e posto de gasolina, dentre outros, de acordo com informações veiculadas pelo Metrópoles. 
De acordo com o MPSP, o fortalecimento financeiro levou o PCC a extinguir a cobrança de mensalidade de seus integrantes, pedágio conhecido como “cebola”, o que teria acontecido em 2020. Receita impulsionada pela alta demanda por drogas na Europa, que levou o PCC a recrutar integrantes no outro lado do Atlântico.
Ao Metrópoles, o promotor de Justiça Leonardo Romanelli, coordenador do Núcleo de Inteligência e Gestão de Conhecimento do MPSP, disse que o combate à máfia italiana ocorre em toda a Europa, mas que os olhos se voltam para o PCC, pelo fato de a facção ser a primeira no fornecimento de cocaína ao continente. 
Segundo ele, a utilização de criptomoedas, dólar-cabo e outros métodos da engenharia financeira do PCC têm como objetivo não deixar rastros das transações ilícitas e despistar evasão de divisas. 
Em relação às operações, as investigações apontaram Portugal como uma das principais portas de entrada da droga enviada para Europa. O que resultou em R$ 628 milhões em cocaína apreendidos em 2022 pela polícia portuguesa com traficantes brasileiros que tentavam enviar a droga ao país europeu. 
Montante que representou 3.772 quilos de cocaína enviados do Brasil pelo PCC, em sua maior parte, por bagagens de avião ou em contêineres marítimos, segundo dados oficiais da polícia portuguesa, que também está no encalço do PCC.
Em fevereiro de 2022, a polícia do Rio de Janeiro prendeu em Angra dos Reis, na região das Costa Verde, um investidor de criptomoedas suspeito de envolvimento no assassinato de integrantes do PCC, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.