Segundo um estudo feito pela Mastercard as medidas do Governo Federal para amenizar a crise financeira causada pelo coronavírus e não o Bitcoin ou as criptomoedas é que foi responsável pela 'inserção' de milhares de brasileiros na economia digital.

O número de brasileiros desbancarizados, ou seja, que não possuíam contas em instituições financeiras, caiu 73% na pandemia, segundo pesquisa realizada pela Americas Market Intelligence, em parceria com a Mastercard.

Segundo o levantamento, o movimento ganhou tração após o governo brasileiro ter feito mudanças no repasse do auxílio emergencial a partir de maio, com a criação de uma norma que proíbe a transferência ou saque da conta por 30 dias e a instituição do aplicativo específico para a utilização do auxílio como pagamento.

"Enquanto em maio menos de 5% das transações eram realizadas de forma digital e cerca de 35% das transações eram de saque, em agosto as transações digitais realizadas pelo aplicativo atingiram a marca de 63% e os saques caíram para 15%", diz trecho do estudo.

Para o especialista em regulação José Luiz Rodrigues, este cenário é consequência da modernização do Sistema Financeiro Nacional, encabeçada pelo Banco Central, além da necessidade das pessoas realizarem mais transações online. 

“A sociedade brasileira hoje, predominantemente, trabalha com o dinheiro físico. Entretanto, inovações como o Pix estão surgindo para tentar difundir ainda mais as transações virtuais. Então, haverá menos circulação de papel, e isso tem um impacto em cadeia”, explica José Luiz, que também é sócio da JL Rodrigues & Consultores Associados.

Competitividade

“Essa nova realidade cria um ambiente mais competitivo, com mais segurança, onde os bancos tradicionais, as instituições de diferentes portes, fintechs, insurtechs e demais startups disputarão mercado por igual, e levará vantagem aquela prestadora de serviços que puder oferecer qualidade com menores custos e de maneira mais criativa”, pontua.

Para o especialista, cada vez mais o mercado se adaptará em prol da inclusão digital nos serviços bancários.

“Será cada vez mais comum o surgimento de novos produtos ou empresas no cenário financeiro. Porque a modernização do Sistema Financeiro Nacional, provocada pela chegada de inovações como o Pix, open banking e sandbox, está fazendo com que o mercado se estruture para atender às novas demandas dos consumidores. Isso vem gerando novos processos de fusão, incorporação, parcerias, compra e venda, entre outros modelos de organização ou reorganização”, disse.

O estudo da Mastercard cita como referência outro levantamento, do Banco Mundial, que indicou que apenas 55% de adultos latino-americanos 207 milhões de pessoas tinham conta em banco em janeiro. Devido aos auxílios e o maior acesso às fintechs e bancos digitais, 40 milhões criaram contas em apenas 5 meses. 

"O aumento da inclusão digital deve desempenhar um papel importante nos esforços de recuperação pós pandemia", afirma João Pedro Paro Neto, presidente da Mastercard Brasil e Cone Sul.

Caixa

Recentemente o Banco Central autorizou o lançamento do novo banco digital da Caixa Econômica Federal, baseado na bancarização em massa do auxílio emergencial contra o vírus.

Desde o lançamento do aplicativo Caixa Tem, criado para ajudar no envio do auxílio à população durante a pandemia, já foram mais de 105 milhões de contas abertas, que devem formar a base do banco digital.

Apesar de o governo federal ter sido contra o auxílio no início da pandemia, o ministro Paulo Guedes logo mudou de ideia ao se deparar com a bancarização em massa da população, que até maio já formava 60 milhões de contas no Caixa Tem.

A intenção de Guedes seria privatizar o banco no futuro breve.

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