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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Neela lança tokenização de identidade para baratear abertura de offshore

Empresa de gestão de patrimônio brasileira insere todos os dados pessoais na blockchain e gera um token intransferível, após aprovação.

Neela lança tokenização de identidade para baratear abertura de offshore
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A Neela, empresa brasileira de gestão de patrimônio, anunciou esta semana uma parceria com tokenizadora SV Standard voltada à criação de uma identidade digital em blockchain como forma de agilizar e baratear o processo de abertura de offshore, empresa aberta no exterior, em locais regulamentados e com incentivo fiscal.

De acordo com informações publicadas pelo Valor, a proposta é transferir o vínculo dos recursos da propriedade no exterior dos bancos, pelos meios tradicionais, para um “token-identidade” intransferível.

Segundo o CEO e fundador da Neela, Edrey Pierre, o objetivo é baratear e agilizar a abertura de offshore por pessoas com muito recurso, porém com pouca liquidez. O que pode resultar em uma economia de até US$ 5 mil para abertura e mais de US$ 3 mil por ano para manter a empresa no exterior.

Isso porque, segundo ele, o processo atual envolve a contratação de um escritório de advocacia que subcontrata um escritório no exterior, onde a conta fica custodiada. Processo que explica os custos e a demora da tramitação, em até 45 dias, que envolvem tradução de documentos e o processo de prevenção à lavagem de dinheiro (PLD) e combate ao financiamento ao terrorismo.

Pelo formato tokenizado proposto pela Neela, o tempo de abertura da offshore pode cair para até 10 dias. Isso porque a geração do token já está condicionada à inserção de documentos por meio do aplicativo da empresa, como CPF, RG, comprovante de endereço e declaração de imposto de renda, que são enviados para a equipe da empresa nas Bahamas, após as informações enviadas passarem pelo crivo da PLD e combate ao terrorismo.

Pierre acrescentou que a plataforma se encontra há sete meses em fase de testes e que já foi aprovada pelo governo das Bahamas, onde a estrutura está fixada. Segundo ele, o modelo livra os investidores do custo de abertura e manutenção de conta, restando  a taxa de administração, que varia entre 1% e 2%, dependendo do volume do patrimônio.

Ele disse ainda que viu na blockchain uma oportunidade ao descobrir que 800 mil brasileiros possuem offshore. O que levou a empresa a iniciar as negociações com o governo das Bahamas, em 2020. Além disso, o empresário argumento que, com a conta em blockchain, os donos dos tokens se enquadram na normatização focada em ativos digitais prevista na Lei das Offshores, que prevê a taxação de 15% sobre lucros em offshores, aprovada no final do ano passado.

Nesse caso, lembrou o empresário, o token possibilita a desburocratização dos meios tradicionais, que preconizam a emissão de Darfs para apuração dos ganhos de capital anualmente, enquanto o token só é tributado em caso de movimentação.

Enquanto isso, executivos da Ripple e Stellar, durante o evento TokenizeThis 2024, debateram a tokenização como alternativa para desbloquear interoperabilidade em pagamentos e investimentos, conforme noticiou o Cointelegraph

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