Maconha sim, Bitcoin não; CVM aprova fundo de maconha mas ainda não libera opção em criptomoedas

A Comissão de Valores Mobiliários do Brasil, CVM, aprovou a fintech Vitreo a operar o primeiro fundo nacional destinado a 'explorar' a indústria da Maconha, conforme publicação realizada em 29 de outubro.

Enquanto a CVM diz "Sim" para um fundo que aplica em ações e papéis voltados para a indústria de cannabis o mesmo não ocorre com os criptoativos que precisam ser sediados no exterior caso desejam oferecer exposição 100% a criptomoedas para investidores brasileiros. No caso do Hashdex Digital Assets Index e do BLP Asset, ambos ofertados a brasileiros mas não oferecem 100% de exposição a criptoativos.

Já no caso da maconha, o Fundo Vitreo Canabidiol FIA IE é o primeiro do tipo no país, aprovado pela autarquia e cuja meta é captar R$ 100 milhões e investirá o dinheiro dos clientes no mercado financeiro dos EUA e do Canadá, que concentra dois terços de ETFs do segmento e cinco das seis principais empresas do mundo do setor.

"No ETF, você está mais diversificado, é mais uma aposta em um tema grande do que em uma empresa. Já as ações são escolhidas com base nas teses de investimento que nos chamam mais atenção", explica George Wachsmann, sócio e chefe de gestão da Vitreo.

No entanto o fundo não é destinado a investidores de varejo (como ocorre com os criptofunds lotados no exterior oferecido a brasileiros). Seguindo as determinações da CVM, com o produto da Vetreo é 100% exposto ao mercado internacional ele somente pode ser acessado por investidores qualificados, ou seja, quem tem pelo menos R$ 1 milhão em aplicações financeiras.

O investimento mínimo no fundo é de R$ 5 mil. A taxa administrativa é de 1,5% ao ano e mais 20% de taxa de performance sobre o que exceder o desempenho do S&P 500 total Return. O prazo de resgate é em D+30.

“É importante destacar que todo mercado disruptivo está sujeito a tempestades. E apesar de ser um mercado novo, ainda estamos falando de empresas com segmentos tradicionais, como a indústria farmacêutica e a agrícola, por exemplo. Os ciclos são longos, mas os feedbacks já têm sido positivos e o setor tem potencial de crescer”, completa Wachsmann em entrevista a Folha.

Agora no caso de criptomoedas o Ofício circular 11/2018 da CVM, permite que investidores tenham acesso a investimentos 'indiretos' em criptoativos por meio de fundos regulados pela Instrução 555 com teto de exposição em 20%, diferente do caso do Vitreo onde o teto é 100% (para fundos sediados no exterior o teto de cripto também pode ser 100%).

Como noticiou o Cointelegraph, o índice brasileiro, baseado em Bitcoin e criptomoedas, Hashdex, HDAI (Hashdex Digital Assets Index), está disponível na Nasdaq e já acumula alta de 69,8% em 2019.

O índice é 'lastreado' em uma cesta de criptoativos para aumentar a exposição do investidor e diminuir as perdas em casos de alta volatilidade, além disso, de três em três meses há uma 'recomposição' do fundo que tem seus ativos e valores realocados. Hoje o Hashdex conta com 13 criptomoedas: bitcoin, com 75,69%; ethereum, 9,90%; ripple, 5,87%; bitcoin cash, 2,01%; litecoin, 1,79%; EOS, 1,46%; bitcoin SV, 0,76%; stellar, 0,61%; Tron, 0,54%; cardano, 0,53%; dash, 0,32%; ethereum classic, 0,27%; e Neo, 0,26%.

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