A JBS, uma das maiores empresas alimentícias do mundo, está sendo acusada de comprar gado de procedência ilegal.

Assim, segundo apuração de um Consórcio de imprensa  a empresa teria montado uma "triangulação de gado".

Nesta prática animais de fazendas com irregularidades ambientais são transportados para áreas com "ficha limpa".

Investigação

A investigação foi conduzida pelo The Guardian, a ONG brasileira Repórter Brasil, o Disclose e o The Bureau of Investigative Journalism.

Assim, os jornalistas, por meio de fotos divulgadas no Facebook de um motorista da JBS realizando transporte de gado em área irregular identificaram a "trama" ilegal.

De acordo com a investigação, parte do gado da JBS teria como origem Estrela do Aripuana, no estado do Mato Grosso, região que é objeto de um embargo do Ministério do Meio Ambiente desde 2012 pelo desmatamento ilegal de quase 1.500 hectare de floresta.

Porém, para "camuflar" a origem ilegal do gado, os jornalistas alegam que os animais foram transportados para outra fazenda, a Estrela do Sangue, a 300 km de distância, que não possui multas ambientais.

Desta forma, o gado seria "ficha limpa"

Blockchain

A JBS porém negou que faça esquema de "triangulação de gado"

Assim, segundo nota, a empresa declarou que que não compra gado "de fazendas envolvidas em irregularidades".

Além disso disse que adota "uma abordagem inequívoca de desmatamento zero", investindo em novas tecnologias para combater o "desmatamento na região da Amazônia".

Desta forma, afirmou que estuda o uso de blockchain para certificar a origem do gado que é abatido pela empresa.

"Sobre a rastreabilidade de fornecedores indiretos, a JBS também investe em diferentes projetos, entre eles o estudo de uma abordagem inovadora em blockchain, além do direcionamento de um novo procedimento para as GTAs (Guias de Permissão de Trânsito Animal) que irá possibilitar à JBS e outras empresas processadoras de carne bovina solicitar e monitorar que seus fornecedores diretos comprem apenas bezerros de fazendas com status “GTA-Verde” (livre de desmatamento)", declarou a empresa.

Lava Jato

O Governo do Pará declarou em março deste ano que usará cerca de R$ 92 milhões recebidos da Operação Lava Jato em ações de fomento, fiscalização e regularização do setor pecuário no Estado.

Assim, o objetivo do estado é busca de evitar que a atividade cause desmatamento em florestas e, pretende usar blockchain como uma das soluções.

Em 2019, o aumento do desmatamento para a criação de animais para abate intensificou a pressão nas grandes indústrias do setor, como JBS, Marfrig e Minerva, que compram ao menos 38% do gado no bioma amazônico e enfrentam problemas para garantir que o gado seja de fontes 'legais' e não de produtores que fazem produção predadora.

“Trazer o pessoal para a legalidade e incentivar a eficiência são nossas metas”, disse Mauro O'de Almeida, secretário de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado.

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