O Itaú, um dos maiores bancos privados do Brasil, anuncio que vai oferecer em 2023 um serviço de custódia para Bitcoin (BTC), criptomoedas e tokens. A funcionalidade será ofereceida pelo Itaú Digital Assets, unidade de negócio do Itaú Unibanco responsável pelo processo de tokenização do banco.
Segundo informou o banco em um comunicado encaminhado ao Cointelegraph, o serviço estará disponível a partir do segundo trimestre de 2023, incialmente apenas para os ativos digitais do próprio banco e, em um segundo momento, na oferta “as a service” para clientes corporativos e institucionais.
Desse modo, o investidor de varejo não poderá, neste primeiro guardar seus Bitcoins e criptomoedas no banco.
“Quando criamos a Itaú Digital Assets, definimos quatro pilares fundamentais de atuação: assessoramento para emissores, emissão, distribuição de tokens e guarda segura de criptoativos. Nessa frente de custódia, trazemos a expertise do modelo tradicional somada à tecnologia blockchain com todos os protocolos de segurança para proteger, gerenciar e manter a guarda de criptomoedas e tokens”, explica Eric Altafim, diretor de Mesas e Produtos do Itaú Unibanco.
Para este seu novo produto no mercado de criptoativos o Itaú contará com José Augusto Antunes, que assume como Global Head da Itaú Digital Assets. Anteriormente, Guto Antunes, como é conhecido no mercado, ocupou a posição de vice-presidente Institucional da Crypto.com.
Em sua trajetória profissional, acumulou passagens pelos bancos ABN AMRO, Banco Fibra, B3 e Safra e pelas fintechs frame755 e 2TM.
Itaú e criptomoedas
O novo serviço marca uma virada total de orientação do banco que no passado foi muito contrário ao mercado de criptoativos e, por vezes, encerrou conta de empresas de Bitcoin, negociantes no mercado de criptomoedas, vendedores P2P entre outros participantes do mercado.
Em um processo aberto por empresas de Bitcoin no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), e agora arquivado, o Banco declarou por diversas vezes que não tinha qualquer intenção de ser concorrente das empresas de criptomoedas e, tampouco tinha planos de possuir qualquer produto ou envovimento direto com o mercado cripto.
Inicialmente a exposição do Itaú ao mercado cripto se dava apenas pela sua participação societária na XP Investimentos que, por sua vez, possuia produtos com exposição ao mercado de criptomoedas. No entanto, com a aprovação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de fundos de investimento e ETFs voltados ao mercado cripto, o banco 'embarcou' na onda.
Desta forma o banco começou a atuar como distribuidor de fundos de criptomoeda ligados inicialmente a Hashdex e depois também os produtos da BLP.
Depois disso as ações do banco no mercado de criptoativos só aumentou com o braço de investimentos do grupo, o Corporate Venture Capital do Itaú Unibanco anunciando um aporte milionário em uma rodada de investimento na Liqi.
No ano passado o banco também fez uma parceria com a exchange Mercado Bitcoin para o lançamento de tokens de recebíveis no banco e que seriam negociados pelo próprio Itaú. Pouco tempo depois o bano lançou o Index Blockchain Ações FX IE, um produto que investe em empresas que adotam a tecnologia blockchain, como a Coinbase.
Em fevereiro deste ano o banco também anunciou o lançamento de um Certificado de Operações Estruturadas (COE) chamado de "Autocall Metaverso" e que tem como foco empresas que oferecem soluções voltadas ao metaverso.
Pouco tempo depois, em julho, o banco anunciou um divisão especial voltado ao mercado de tokenização e que, em um primeiro momento, focou suas atividades na tokenização de recebíveis do próprio banco.
Queremos liderar este mercado
Sobre sua mudança de posição em relação as criptomoeda o Itaú destacou que o mercado de ativos digitais tem evoluído rapidamente e a regulação tem procurado acompanhar este desenvolvimento.
"Nesse sentido, o mercado de capitais deve se aproveitar desta transformação para aumentar sua eficiência e segurança. Atuando neste setor, seja por meio da tokenização ou da custódia dos criptoativos, a Itaú Digital Assets busca atender uma demanda de mercado por segurança e se consolidar na liderança de um mercado em transformação", declarou o banco.
Assim, o Itaú Unibanco que assumir o protagonismo no mercado brasileiro e tornar-se o primeiro banco a se posicionar na custódia de criptoativos.
“A custódia é elemento fundamental nesse contexto, porque, especialmente em um mercado novo como o de criptoativos, traz segurança para os investidores. Faremos a guarda do patrimônio dos clientes em ambiente confiável”, reforça Altafim.
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