O Banco Itaú, um dos principais bancos do Brasil, e que já foi um ferrenho crítico ao Bitcoin e as criptomoedas, tendo argumentado no passado que o BTC servia como veículo de lavagem de dinheiro, agora está "in love" com o Bitcoin e declarou que pretende vender criptomoedas diretamente para seus clientes.
A afirmação foi feita pelo novo head do Itaú Private Banking, Fernando Beyruti, em uma entrevista para a Forbes.
“O que nos trouxe até aqui não vai nos levar daqui para frente”, afirmou Fernando Beyruti.
Embora Beyruti não tenha fornecido detalhes sobre os planos do banco, ele afirmou que a intenção da instituição é ampliar a venda, para os clientes, de produtos ligados ao mercado de criptomoedas e que atualmente somente ativos como ETFs e fundos de investimento em cripto não atendem a demanda dos clientes.
No entanto, ainda segundo ele, a proposta atualmente está em pesquisa, mas a intenção é oferecer mais produtos em criptomoedas por meio da integração com outras empresas.
“Porque os players do mercado já estão preparados para atender os bancos com essas novas demandas”, disse.
Recentemente o banco também passou a distribuir, com exclusivamente, um fundo de investimento gerido pela Hashdex, o Hashdex Crypto Selection FIC FIM, que foi o primeiro fundo de ativos digitais distribuído pelo banco Itaú, que tem exclusividade na oferta pelos primeiros três meses.
“Esse anúncio demonstra que estamos atentos às principais tendências do mercado e em promover a sofisticação da carteira de investimentos dos nossos clientes. Já oferecíamos em nossa prateleira produtos que acessam as áreas de criptoativos e blockchain, e a possibilidade dessa parceria para disponibilizar o fundo Hashdex Crypto Selection vem complementar a oferta no momento”, afirma Claudio Sanches, diretor de produtos de investimento e previdência do Itaú Unibanco
Do ódio ao amor
O Banco Itaú é um dos grandes bancos do país que saiu do ódio ao Bitcoin ao amor à criptomoeda. No passado o banco já disse que as criptomoedas são usadas para lavagem de dinheiro e que não tinha qualquer interesse em ter relação com criptomoedas.
"O Itaú entende que moedas virtuais que podem ser trocadas por dinheiro real ou outras moedas virtuais são potencialmente vulneráveis a lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo", disse o Banco ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, CADE, ao afirmar que não queria atender empresas com ligação com Bitcoin.
Os bancos BTG Pactual, Plural e Rendimento são os ‘early adopters’, entre as instituições financeiras, no que se refere à indústria de criptomoedas no Brasil. No caso do BTG, a instituição trabalha com um token próprio, o Reitz, lastreado em imóveis, desde 2018 e, depois de lançado ao público, o Banco já pagou duas rodadas de rendimentos aos detentores do token.
Recentemente, o BTG também foi o primeiro banco do Brasil a oferecer exposição em criptomoedas aos clientes. Além disso, o banco comprou a revista Exame e, como uma das primeiras ações, instituiu o portal “Future of Money” que é focado em Bitcoin e criptomoedas.
Já o Plural foi a primeira instituição financeira a ‘abrir as portas’ para as empresas de criptomoedas do Brasil se conectarem ao sistema financeiro via API.
O banco também foi o primeiro a comprar participação em uma empresa de criptomoedas, ao investir recentemente no Mercado Bitcoin, um dos principais clientes da instituição que pode ser vendida para a Coinbase.
O Rendimento por sua vez foi o primeiro grande banco do Brasil a anunciar uma integração com a Ripple em um sistema de remessas financeiras que usam a RippleNet. Depois do Rendimento, a Ripple ainda anunciou parcerias com Itaú e Bradesco.
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