O cenário financeiro global está passando por uma transformação sem precedentes. Novas classes de ativos, como criptomoedas e a tokenização de produtos financeiros, estão remodelando o mercado, enquanto instituições financeiras tradicionais enfrentam o desafio de integrar essas inovações em suas operações.
No entanto, segundo declarou Andre Portilho, Head de Ativos Digitais do BTG Pactual, durante o Ripple Swell, alerta que o equilíbrio entre inovação e regulamentação é essencial para evitar problemas futuros.
"Se a inovação acontecer fora da supervisão regulatória, isso traz riscos não apenas para as instituições, mas para todo o ecossistema. É crucial encontrar um equilíbrio entre regulamentação e inovação para promover o crescimento dentro de um ambiente bem regulado."
O executivo afirmou que no Brasil, as instituições financeiras tradicionais estão começando a integrar os ativos digitais em suas ofertas, e esse processo está sendo conduzido tanto pela regulamentação quanto pela inovação tecnológica. Portilho destacou que a regulamentação tem sido um fator chave na transformação do setor.
"Essa mudança foi impulsionada, em parte, pelos reguladores, mas também porque os bancos reconhecem a tecnologia como uma oportunidade", disse ele. No Brasil, o mercado financeiro ainda é altamente concentrado, com cinco grandes bancos controlando mais de 90% dos produtos financeiros. "Engajar essas instituições é fundamental para impulsionar a adoção em massa de criptomoedas e ativos digitais."
As stablecoins, por exemplo, têm tido um crescimento notável, com o uso aumentando em 42% apenas neste ano. Na América Latina, diferentes países apresentam usos diversos para esses ativos.
"As pessoas costumam ver a América Latina como um bloco único, mas existem várias jurisdições e casos de uso específicos", explicou Portilho. Ele citou o México, onde as stablecoins são usadas como forma de preservar valor, enquanto no Brasil, começaram como ativos de investimento e especulação.
Desafios regulatórios e inovação
"O Brasil é um mercado particularmente especial dentro da América Latina. É um ambiente altamente regulado, governado principalmente pelo Banco Central e pela CVM", observou Portilho. A primeira lei de criptomoedas no país foi aprovada em 2021, e o Banco Central está agora finalizando uma regulamentação abrangente para o setor.
Ele também ressaltou a importância da integração de novas tecnologias dentro das infraestruturas existentes das instituições financeiras. "Para que os investidores institucionais participem, é essencial ter clareza regulatória. Sem isso, não veremos um fluxo significativo de capital institucional nessas novas tecnologias."
A tokenização, que transforma ativos físicos e financeiros em tokens digitais, é vista como o próximo grande passo para o setor. "Pagamentos são uma área de foco importante, mas também estamos explorando como a tokenização pode revolucionar indústrias", afirmou Portilho.
Ele prevê que, nos próximos cinco anos, o mercado de tokenização terá um desenvolvimento significativo. "A tecnologia de registros distribuídos (DLT) e o blockchain estão sendo cada vez mais vistos como a infraestrutura dos sistemas financeiros futuros."
Segundo projeções, até 2030, a tokenização deverá movimentar cerca de US$ 3 trilhões em ativos on-chain. No Brasil e na América Latina, o potencial para esse mercado é enorme, especialmente em setores como pagamentos, onde os produtos financeiros existentes podem ser aprimorados e integrados ao mercado global.
"Estamos convergindo esses dois mundos — finanças tradicionais e ativos digitais — e acredito que, no futuro, eles se tornarão um só. Embora os bancos não se movam tão rapidamente quanto as startups, tentamos investir estrategicamente e fazer parcerias com esses inovadores para aproveitar essas novas oportunidades", finalizou.