A Robinhood, uma das maiores plataformas de negociação de criptomoedas nos Estados Unidos, está de olho em expandir sua atuação no mercado cripto, segundo comentou em uma entrevista ao Cointelegraph Brasil, Johann Kerbrat, General Manager (GM) da Robinhood Crypto, durante o Ripple Swell.
Nos últimos anos, o mercado de criptomoedas tem visto uma crescente institucionalização, especialmente com o lançamento de ETFs de criptomoedas. Segundo Kerbrat, a Robinhood tem observado essa tendência e se adaptado para garantir que seus clientes tenham acesso a essas novas oportunidades de investimento.
"Queremos estar prontos para executar, independentemente da volatilidade ou das condições do mercado. Nosso foco principal é construir uma plataforma que as pessoas possam usar a qualquer momento", afirmou Kerbrat.
Kerbrat também destacou que o Brasil é um mercado chave para as criptomoedas, devido à ampla adoção de stablecoins e a crescente demanda por ativos digitais no país.
"O Brasil é, sem dúvida, um dos países que mais utilizam stablecoins, e será interessante ver o que vai acontecer nos próximos anos", comentou Kerbrat. Ele ressaltou que a plataforma Robinhood já está disponível no Brasil por meio da carteira Robin, que permite a autocustódia de criptoativos e o acesso ao mundo Web3.
Embora os boatos de que a Robinhood estaria lançando sua própria stablecoin tenham circulado recentemente, Kerbrat deixou claro que, até o momento, a empresa não tem planos concretos nesse sentido. "Somos sempre alvo de muitos boatos, mas, por enquanto, não há nada a ser anunciado", explicou.
A Robinhood já oferece staking de criptomoedas, e Kerbrat apontou que a empresa está satisfeita com o desempenho de suas operações de staking de Solana, um dos ativos mais populares no ecossistema de finanças descentralizadas (DeFi). "Atualmente, temos uma promoção em que, se você depositar Solana, pode obter até 1% de correspondência, até US$ 10.000, e fazer o staking", destacou.
No entanto, Kerbrat revelou que a Robinhood está considerando expandir suas ofertas de staking e farming, especialmente diante da crescente demanda por essas opções nos EUA e em outros mercados. "Nos EUA, ainda não decidimos lançar um produto adicional, mas estamos atentos às oportunidades", afirmou.
Robinhood e o mercado cripto
Confira a entrevista completa
Cointelegraph Brasil (CTBR): Qual é o potencial que a Robinhood vê para o mercado de criptomoedas com a institucionalização pelos ETFs e outras iniciativas?
Johann Kerbrat (JK): Acho que, para nós, há alguns aspectos importantes. O primeiro é que queremos estar prontos para executar, independentemente da volatilidade ou das condições do mercado. Nosso foco principal é construir uma plataforma que as pessoas possam usar a qualquer momento. Mesmo quando o mercado fica mais volátil, queremos estar sempre disponíveis 100% do tempo.
Sobre os ETFs lançados no início deste ano, o mais interessante foi trazer um volume mais estável ao mercado para alguns dos ativos maiores. Como plataforma de varejo, nosso foco principal foi oferecer os ETFs a todos os nossos clientes.
No dia seguinte ao lançamento do ETF de Bitcoin ou Ethereum, já os disponibilizamos para nossos clientes, que podem escolher entre usá-los com suas contas de corretagem, de aposentadoria ou de criptomoedas. Essa liberdade de escolha é o que mais me interessa neste momento.
CTBR: Vocês lançaram recentemente a plataforma na Europa. Há planos de expansão para a América Latina, como o Brasil?
JK: Ainda não temos planos, mas eu pessoalmente notei que o Brasil tem abraçado muito as criptomoedas, especialmente o uso de stablecoins. Será interessante ver o que acontece a seguir.
CTBR: Vocês têm planos de lançar uma stablecoin? Houve alguns rumores na mídia sobre isso.
JK: A Robinhood está sempre associada a rumores, mas, neste momento, não temos nada a anunciar a respeito.
CTBR: Quais são os planos da Robinhood para o mercado de criptomoedas nos próximos anos?
JK: Nosso plano, nos EUA, é continuar focando no que fazemos de melhor: oferecer o menor custo possível, sem taxas, para comprar criptomoedas. Isso tem nos ajudado a ganhar participação no mercado de varejo nos últimos anos.
Acreditamos que as criptomoedas ainda são muito complicadas. Muitas vezes, o mercado parece ter sido projetado por engenheiros para engenheiros. Nosso objetivo é simplificar o processo para que as pessoas possam enviar dinheiro, comprar NFTs ou acessar jogos, sem a necessidade de entender todos os detalhes técnicos da blockchain. Além disso, temos a carteira Robin, uma carteira de autocustódia, disponível em mais de 140 países, incluindo o Brasil.
Pergunta: Nos EUA, temos visto muitas instituições entrando no mercado de tokenização de ativos do mundo real (RWA). A Robinhood tem planos de entrar nesse mercado?
JK: A tokenização é muito interessante. Na interseção entre finanças tradicionais e criptomoedas, é onde a tecnologia blockchain pode realmente fazer a diferença. Nos EUA, por exemplo, ainda temos o sistema de liquidação T+1 para ações, o que significa que leva um dia útil inteiro para liquidar uma transação. No mundo das criptomoedas, podemos fazer isso em segundos ou minutos, dependendo da blockchain.
Há muito valor em tokenizar e colocar ativos na blockchain. Estamos animados para explorar como podemos preencher a lacuna entre as finanças tradicionais (TradFi) e as finanças descentralizadas (DeFi), unindo essas duas áreas.
CTBR: No Brasil, temos a CBDC, o DREX, que planeja fazer essa ponte entre o TradFi e o DeFi. O que você acha dessa iniciativa?
JK: Acho que será interessante. Quanto mais você conseguir facilitar essa ponte, mais útil será para a adoção em larga escala e para atrair instituições ao mercado. No entanto, o problema das CBDCs atualmente é a fragmentação, com algumas regiões mais avançadas que outras. Nos EUA, por exemplo, a discussão sobre CBDCs perdeu força, enquanto na Europa ouvimos muito sobre o euro digital.
CTBR: Os EUA estão atrasados em relação às CBDCs? E como isso pode impactar o futuro digital do país?
JK: A regulação de ativos digitais nos EUA ainda não está onde deveria. Em comparação com o framework Mika, por exemplo, nos EUA a regulação ainda é feita mais pela aplicação da lei, o que desacelera a inovação. Os EUA costumavam ser líderes nesse tipo de inovação, mas estão ficando para trás em ativos digitais. Espero que isso mude em breve.
CTBR: Recentemente, no Brasil, a BlackRock mencionou que o mercado de ETFs está crescendo tanto que pode ultrapassar o mercado à vista nas exchanges. Você acha que os ETFs podem superar o volume das exchanges?
JK: Acho que há alguns pontos importantes aqui. No caso do Ethereum, uma concentração muito grande em ETFs pode ser preocupante, considerando a descentralização, já que ele usa prova de participação.
Se alguns ETFs controlarem grande parte dos ativos, isso pode comprometer a rede. No caso do Bitcoin, ainda temos um longo caminho até resolver essa questão. Para nós, na Robinhood, o foco é oferecer opções. Se as pessoas quiserem investir em ETFs, podem fazer isso. Se preferirem possuir o ativo e usá-lo no mundo Web3, também podem usar a carteira Robin.
CTBR: O Bitcoin pode chegar a US$ 100 mil?
JK: Estou nesse espaço há mais de 10 anos. Se eu fosse bom em prever preços, estaria em uma posição diferente (risos). Nosso foco é garantir que a plataforma funcione bem, independentemente da volatilidade.
CTBR: A Robinhood tem planos de oferecer staking e farming para os usuários?
JK: Sim, estamos oferecendo staking com Solana, e está indo bem. Temos promoções, como a de 1% de correspondência em depósitos de Solana. Nos EUA, ainda não decidimos lançar um produto adicional, mas estamos explorando.