Diferente da expectativa de muitos analistas, o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, Jerome Powell, durante a conferência realizada após o encontro do comitê de política monetária (Fomc) da instituição, na última quarta-feira (2), que resultou em mais uma alta de 0,75 ponto percentual na taxa de juros da maior economia do planeta, não foi tão animador quanto o mercado desejava. Mas foi suficiente para manter certo grau de otimismo no mercado de criptomoedas, que operava em alta de 0,86% e movimentava US$ 1,01 trilhão na manhã desta quinta-feira (3).
O Bitcoin (BTC) era trocado de mãos pouco abaixo de US$ 20,3 mil (-0,58%) e respondia por 38,5% de dominância de mercado, cotação que sugeria certa análise, por parte dos investidores, das palavras de Powell que possa revelar algum sinal para um novo rali das criptomoedas. Isso porque o representante da instituição sugeriu que a desaceleração na taxa de juros poderá acontecer entre dezembro e janeiro de 2023, após “um caminho a ser percorrido.”
“Essa hora está chegando, podendo ser nas duas próximas reuniões”, disse Powell.
Possivelmente “o caminho a ser percorrido” tenha relação com o relatório divulgado no mesmo dia pelo ADP National Employment, o departamento nacional de emprego dos EUA, mostrando que a economia abriu 239 mil novos postos de trabalho no setor privado em outubro, aquecimento que contraria as ações do Fed de arrefecer a inflação.
Considerando que as principais altcoins encabeçaram o recuo de preços junto com o BTC antes do anúncio do Fomc, alguns criptoativos conseguiram recuperar a cotação conquistada durante o rali dos últimos dias ao imprimirem maior crescimento diário. Por exemplo, o BNB estava precificado em US$ 332 (+4,11%), o MATIC era transacionado por 0,96 (+12,77%), o AVAX respondia por US$ 18,56 (+3,78%), o UNI estava nivelado em US$ 7,23 (+4,5%), o LTC era comprado por US$ 62,10 (+5,7%) e o ALGO era negociado por US$ 0,37 (+8,3%).
Entre outras altcoins que apresentavam alta de dois dígitos, um dos destaques era o NKN, trocado de mãos por US$ 0,13 e com alta diária de 47%, percentual que apresentava recuo em relação a um pico que chegou a elevar o preço do token em quase 60%.
Gráfico diário do par NKN/USD. Fonte: CoinMarketCap
Pelo que é possível perceber nos canais oficiais do projeto, a alta do NKN, que é um protocolo ponto a ponto (P2P) que utiliza incentivos econômicos para "motivar os usuários da Internet a compartilhar conexões de rede e utilizar largura de banda não utilizada", aconteceu após o anúncio de uma série de reformulações no aplicativo descentralizado (DApp) do NKN, além de um evento intitulado "Construindo Fundamentos para o Futuro Web 3.0".
Happy hour with @EthStorage @NKN_ORG @harmonyprotocol on "Building Foundation for Future Web 3.0". Friday Nov'4 6-9PM at 2051 Market St in SF, if you are in town for @SFBWofficial 2022! Free food and drinks help #BUIDL #web3. 🍺🥘🪩https://t.co/vo07n8njeR pic.twitter.com/k7JTLldPxc
— NKN (@NKN_ORG) October 26, 2022
Outra alta expressiva nas últimas horas foi a do AR, token da rede descentralizada para armazenamento indefinido de dados Arweave, que era negociado por US$ 15,38 e apresentava alta diária de 53%.
Gráfico diário do par AR/USD. Fonte: CoinMarketCap
No caso do AR, que teve suas funcionalidades expandidas recentemente por um jovem de 19 anos, é possível perceber que a ascendência do preço do token aconteceu após o anúncio de integração da plataforma pela Meta no que diz respeito ao armazenamento de tokens não fungíveis (NFTs) no Instagram, entre outros avanços anunciados pela equipe do projeto.
📢Happy to announce that @Meta is now utilizing Arweave for the storage of their creator's digital collectibles on @instagram!
— Arweave Team (@ArweaveTeam) November 2, 2022
Bringing data permanence to the giants of web2!https://t.co/7HbquIsMJg pic.twitter.com/TFef5WhrN3
Na última terça, enquanto o Bitcoin parecia fazer suspense com o Fed, o token de um marketplace disparava 64% com o rumor de um “namoro com Elon Musk” e integração ao Twitter, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
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